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SENAI-MG ajuda a formar profissionais na Jamaica

O mundo fica muito melhor quando existe cooperação, quando pessoas, organizações ou países se unem para um bem maior. São muitas as notícias desagradáveis a respeito do Brasil, notícias que ferem nosso orgulho e nos envergonham. Para, de certa forma, resgatar um pouco da nossa dignidade de cidadãos brasileiros, vale mostrar algo que nosso país tem feito em benefício de outros.

A Jamaica é um país em desenvolvimento. Mais do que isso, é uma pequena ilha com grandes carências, inclusive no que se refere à formação profissional. A HEART (Human Employment and Resource Training Trust, National Training Agency) é uma organização focada nessa área, operando cerca de 30 centros de treinamento e educação vocacional na Jamaica.

Autoridades brasileiras e jamaicanas na inauguração do Centro de Formação Profissional Brasil-Jamaica.  |  foto: reprodução internet

Autoridades brasileiras e jamaicanas na inauguração do Centro de Formação Profissional Brasil-Jamaica.

No Brasil, também há deficiências na formação profissional e uma das instituições que trabalham para minimizar o problema é o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), que tem como um de seus principais objetivos a formação profissional de recursos humanos para a indústria.

Assim, unindo necessidades e capacidades, por iniciativa da ABC (Agência Brasileira de Cooperação) – que faz parte do Ministério das Relações Exteriores – foi possível ao SENAI-MG, em parceria com a HEART, desenvolver o Centro de Formação Profissional Brasil-Jamaica, inaugurado em Kingston, em fevereiro de 2014.

O governo brasileiro, através da ABC, investiu U$4,9 milhões no projeto. Já o SENAI-MG utilizou sua expertise para montar a estrutura necessária para os cursos, adquiriu os equipamentos necessários e cuidou da capacitação dos profissionais. Ao todo, são 40 pessoas, entre gestores, professores e instrutores jamaicanos.

A unidade tem laboratórios de eletrônica, telecomunicações e redes, informática e controle lógico e programável, além de oficinas de refrigeração, eletricidade predial e industrial, marcenaria, serralheria e soldagem, instalações hidráulicas e construção civil. A perspectiva é de que sejam formados pelo menos mil jamaicanos por ano.

É no mínimo gratificante saber que o Brasil será corresponsável pela formação profissional de tantos jamaicanos. Tomara que o SENAI e outras instituições brasileiras avancem nesse tipo de trabalho. O benefício é mútuo e faz muito bem ao nosso maltratado ego.

Ouça o depoimento de Frederico Lamego, gerente-executivo de RI do SENAI:

Instalações do Centro de Formação Profissional Brasil-Jamaica, em Kingston, Jamaica.  |  foto: reprodução internet

Instalações do Centro de Formação Profissional Brasil-Jamaica, em Kingston, capital do país.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o velocista Usain Bolt posam juntos em Kingston, Jamaica. | foto: divulgação oficial da Casa Branca | Pete Souza

Barack Obama na Jamaica: Yes, they can!

Carisma: qualidade de personalidade que destaca criaturas a exercerem espontaneamente atitudes de líderes, contagiando aos que lhes são próximos.

Atualmente, na política, ninguém melhor do que o presidente dos EUA, Barack Obama, exemplifica a definição. Não importa o quanto se concorde ou não com suas ideias ou com toda a ideologia que representa. O fato é que ele encanta plateias e cultiva fãs, onde quer que vá.

A primeira-ministra da Jamaica, Portia Simpson Miller, ao lado do presidente americano, Barack Obama.  |  foto: reprodução internet

A primeira-ministra da Jamaica, Portia Simpson Miller, ao lado do presidente americano, Barack Obama.

Assim foi a passagem de Obama pela Jamaica, no último mês de abril: um grande sucesso. Especialmente de público. A ponto da primeira-ministra do país, Portia Simpson Miller, declarar o amor do povo jamaicano ao líder norte-americano. O fato de um negro alcançar um dos postos de comando mais importantes do mundo (e repetir o feito) torna-se ainda mais especial num país como a Jamaica, de maioria negra e ainda em busca de igualdade racial.

O destino final da viagem era o Panamá, onde o presidente americano participaria da Cúpula das Américas para discutir, entre outros assuntos, as mudanças nas relações entre EUA e Cuba. A parada na Jamaica teve razões  econômicas, comerciais e estratégicas. O interesse da China na região, o petróleo (barato) vindo da Venezuela e o grande fluxo de turistas americanos – alvos potenciais de uma possível ameaça terrorista – foram, certamente, alguns dos temas abordados.

Obama chegou numa quarta-feira à noite e antes de qualquer compromisso oficial visitou o Museu Bob Marley, em Kingston. Caminhando pela casa em que morou o grande ídolo do reggae, disse ainda ter todos os álbuns e declarou, posteriormente, que ir ao museu foi uma das visitas mais divertidas que fez desde que se tornou presidente. Ponto para Obama.

Fã confesso do rei do reggae, Barack Obama visita o Museu de Bob Marley em Kingston.  |  foto: reprodução internet

Fã confesso do rei do reggae, Barack Obama visita o Museu de Bob Marley em Kingston.

No dia seguinte, cumpriu uma agenda mais protocolar. Encontrou-se com a primeira-ministra Portia Simpson Miller e seguiu para a University of the West Indies. Primeiro, um encontro com líderes dos países caribenhos, depois, uma palestra para uma plateia de 350 jovens.

Para quebrar o gelo, o presidente americano saudou o público em patois, o dialeto jamaicano: “Greetings massive, wah gwaan Jamaica? (algo como “Saudações imensas, Jamaica. Como vão indo?”). Tudo bem, é pouco, não é tão difícil, mas é uma gentileza, uma interação inesperada. Ponto para Obama.

Depois do discurso, o presidente respondeu algumas perguntas, sempre de forma bastante diplomática. Na plateia, entre outros, estava Usain Bolt. Então, na hora das fotos, Obama deu uma de tiete e imitou Bolt, fazendo a pose clássica do corredor. Mais um ponto para ele.

Barack Obama é o primeiro presidente americano em exercício a visitar a Jamaica desde Ronald Reagan, em 1982. Sua simples visita não é capaz de levar embora graves problemas da sociedade jamaicana, porém, sua imagem é inspiradora. Mais do que criticar o imperialismo que ele representa, a demagogia que pratica e até o poder de sedução que exerce sobre o público, vale torcer para que muitos jamaicanos vejam em Obama um espelho e assumam a missão de fazer as mudanças necessárias. Yes, Jamaican people can!

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Vamos celebrar o reggae!

O primeiro ministro Michael Manley recebe Nelson Mandela e Winnie na Jamaica | foto: reprodução internet

O primeiro ministro Michael Manley recebe Nelson Mandela e Winnie na Jamaica

O reggae nasceu na Jamaica, no final dos anos 1960 e influenciou a música mundial. Porém, a consciência a respeito da força e da real importância desse ritmo é algo relativamente recente na ilha. Cada vez mais, os jamaicanos têm se orgulhado de sua cultura e de como ela é admirada mundo afora. Por conta disso, surgiram eventos que enaltecem o ritmo que ajudou a tornar a Jamaica conhecida internacionalmente.

Um deles, o International Reggae Day (IRD), acontece desde 1994 e tem uma história interessante. Em 1991, Nelson Mandela e sua mulher à época, Winnie, visitaram a Jamaica. Mandela havia saído da prisão no ano anterior e ambos foram calorosamente recebidos. Num discurso feito durante a visita, Winnie  disse que o reggae havia sido uma fonte de inspiração para o povo sul-africano, em sua luta contra o apartheid.

Ao ouvir essas palavras, Andrea Davis, uma administradora musical jamaicana, teve a ideia de criar um evento que celebrasse a importância do reggae na Jamaica e em todo o mundo. Assim, em 1 de julho de 1994 o IRD foi lançado e, a partir de 2000 – quando foi proclamado pelo Governador Geral – tornou-se um evento anual. Acontece sempre em 1 de julho, em Kingston, e são 24 horas de reggae em shows, exposições e workshops, com transmissão pela TV, rádio e internet.

Beenie Man, Mya & Deejay Spice, Vybz Kartel & Gaza Slim, Mavado e Chronixx são artistas que já se apresentaram no Reggae Sumfest.  |  fotos: reprodução internet

Beenie Man, Mya & Deejay Spice, Vybz Kartel & Gaza Slim, Mavado e Chronixx são artistas que já se apresentaram no Reggae Sumfest.

O Reggae Sumfest é o maior festival de música da Jamaica e acontece desde 1993, em Montego Bay, sempre na terceira semana de julho. Além de reggae, o festival também tem dancehall, R&B e hip hop, chegando a atrair mais de 30.000 pessoas.

Com o lema “Promoting Music, the Universal Force”, o Sumfest começa com uma grande festa na praia, animada por DJs e, nos dias seguintes, traz atrações como Shaggy, Sean Paul, Rihanna e Lionel Richie. Em 2014, Chronixx, Tessanne Chin e Freddie McGregor foram apenas alguns dos artistas a se apresentarem. A organização do festival ainda não divulgou a programação para este ano, mas as datas estão confirmadas: de 12 a 18 de julho.

No ano de 2015, Bob Marley completaria 70 anos e uma série de eventos foram programados dentro e fora da Jamaica para celebrar a data. No dia 6 de fevereiro, data do nascimento de Bob, no Museu Bob Marley, em Kingston – o mesmo visitado recentemente pelo presidente americano Barack Obama (leia Barack Obama na Jamaica: Yes, they can!) – houve jam sessions e performances dos chamados “Marley 70 ambassadors”, Chronixx, Kabaka Pyramid e No-Maddz, além de simpósios sobre reggae. Já no dia seguinte, a Bob Marley Foundation promoveu um show gratuito na orla de Kingston.

Batizado de Redemption Live, o show trouxe, além dos filhos de Marley, Tarrus Riley, Cocoa Tea, Freddie McGregor, Marcia Griffiths (uma das I Three, trio de backing vocals que acompanhava Bob Marley), I-Octane, Capleton, Judy Mowatt (também das I Three), Jermaine Edwards entre outros (assista ao trecho do show abaixo).

Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Canadá e Romênia são exemplos de países onde houve eventos para comemorar o nascimento do grande astro do reggae. Parece incrível que, mais de 30 anos após sua morte, Bob Marley continue a ter uma enorme legião de fãs. Em plena era digital, é a celebridade póstuma com o segundo maior número de seguidores (mais de 73 milhões) no Facebook. Perde apenas para Michael Jackson, morto há menos de 6 anos.

Assista ao clipe israelense em homenagem aos 70 anos de Bob Marley:

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Bobo Shanti, a ala ortodoxa do Movimento Rastafári

O Movimento Rastafári é tão representativo para a cultura jamaicana que, mesmo tendo dividido o assunto em duas partes (Movimento Rastafári: das origens ao reggae / Movimento Rastafári: crenças e costumes), ainda há muito a dizer. Como em várias religiões, existem no Movimento Rastafári algumas subdivisões como a Bobo Shanti, Niyabinghi e Twelve Tribes of Israel.

A Bobo Shanti Congress ou Ethiopia Black International Congress é uma das mais ortodoxas. Bobo significa negro e Shanti ou Ashanti é a denominação de antigas tribos africanas. Foi fundada em 1958, por Emmanuel Charles Edwards. Para os seguidores da Bobo Shanti, Emmanuel, juntamente com Haile Selassie e Marcus Garvey, compõe a santíssima trindade, na qual Selassie é o rei ou a representação de Deus (Jah), Garvey é o profeta e Emmanuel o sacerdote supremo (chamado de Prince, ou príncipe).

Os rastafáris Bobo Shanti usam turbantes que escondem os dreadlocks |  foto: reprodução internet

Os rastafáris Bobo Shanti usam turbantes que escondem os dreadlocks

Os seguidores dessa linha vivem em comunidades tanto no Caribe (além da Jamaica, nas Bahamas, Trinidad e Ilhas Virgens), quanto na África (Etiópia, Gana e Nigéria). Na Jamaica, o grupo vive em Bull Bay, próximo a Kingston. Por terem usos e costumes muito peculiares, vivem isolados e não aceitam as leis e princípios da sociedade jamaicana. São praticamente autossuficientes, produzem alimentos, sucos, livros e artefatos africanos. Produzem, também, vassouras. Associadas à limpeza, são vendidas em Kingston, como forma de arrecadação de fundos para a comunidade.

Sendo uma religião ortodoxa, a Bobo Shanti tem regras rígidas a serem seguidas. Os homens usam turbantes, escondendo os dreadlocks e vestem túnicas. Já as mulheres devem ter braços e pernas sempre cobertos, não podem ficar sozinhas com homens estranhos e devem manter resguardo no período menstrual (considerado impuro, da mesma forma como acontece para muçulmanos e judeus). O sábado é o dia sagrado, como no judaísmo, sendo o dia dedicado à oração e ao jejum.

O cantor Sizzla é um dos artistas mais prolíficos da Jamaica. |  foto: reprodução internet

O cantor Sizzla é um dos artistas mais prolíficos da Jamaica.

Na comunidade, a maioria dos homens é profeta (espécie de conselheiro) ou padre (aquele que conduz cerimônias religiosas). As mulheres são subordinadas aos homens, da mesma forma que as crianças. Para o ensino básico, frequentam a Jerusalem School Room. Os que desejam ir além, seguem para Kingston, mas poucos o fazem. Os Bobo Shanti fazem uso da ganja (maconha), mas não em público, pois ela é reservada apenas para os cultos.

Um dos conceitos centrais da Bobo Shanti é a afirmação da cultura negra. Seguem a ideia original de Marcus Garvey de que os negros devem voltar à África e acreditam ser descendentes dos etíopes israelitas, o verdadeiro povo judeu, de pele negra. Para os Bobo, Cristo foi negro e já voltou à Terra na encarnação de Haile Selassie e também de Emmanuel.

Mistura de cristianismo, judaísmo e islamismo o rastafarianismo Bobo Shanti tem revelado músicos talentosos. Entre eles, talvez o mais famoso seja Sizzla Kalonji, responsável por reconduzir o dancehall às influências musicais e espirituais do reggae de raiz. Além disso, trata-se de um artista extremamente produtivo que, em cerca de 20 anos de carreira, produziu mais de 70 álbuns solo.

Ouça na íntegra o álbum “Da Real Thing”, de Sizzla Kalonji:

fotos: reprodução internet / divulgação Caribbean Fashion Week

A Jamaica é fashion!

Nos anos 1980 e 1990, a indústria da moda na Jamaica foi bastante incentivada. O setor representava oportunidades de trabalho para mulheres e investiu-se em treinamento especializado. Porém, esses postos de trabalho acabaram dando lugar à terceirização, em locais onde a mão de obra era mais barata. Houve um retrocesso e, como em tantas outras áreas, a Jamaica voltou a depender basicamente da importação.

O cenário mudou bastante a partir dos anos 2000 e a ideia é tornar a Jamaica o centro de moda do Caribe. Nada de apenas montar e costurar peças criadas por designers estrangeiros, a palavra de ordem é investir em toda cadeia produtiva, desde os tecidos e costureiras, passando pela formação de criadores de moda e modelos. O foco está em criar uma moda própria, identificada com o país e que possa ser reconhecida e comercializada internacionalmente.

Algumas das modelos caribenhas do casting da agência jamaicana Saint International, sediada em Kingston.  |  foto: divulgação Saint International

Algumas das modelos caribenhas do casting da agência jamaicana Saint International, sediada em Kingston.

Fundada em 2000, pelo ex-bancário Deiwght Peters, a Saint International foi a primeira agência de modelos do Caribe e hoje tem entre seus clientes marcas como Calvin Klein, Louis Vuitton, Diane von Furstenberg e Marc Jacobs. Além de administrar a carreira de belas modelos internacionais, a agência é responsável, também, pelos maiores e melhores eventos de moda do Caribe, como Model Icon, Fashion Face of the Caribbean e Style Week Jamaica.

A Style Week Jamaica terá este ano sua décima edição, que acontecerá em maio, nos dias 19, 21, 23 e 24. Como já é tradicional, a semana de moda na Jamaica termina de forma bem democrática: na rua. O Fashionblock transforma a Knutsford Boulevard, uma das vias principais de New Kingston, em uma enorme passarela ao ar livre. O público pode assistir aos desfiles de graça, basta garantir um bom lugar.

Outro importante evento de moda é a Caribbean Fashion Week. Realizada anualmente em Kingston, completa este ano quinze edições. Além de trazer estilistas consagrados e novos talentos, muitas comemorações estão previstas: bailes de gala, workshops e apresentações de celebridades como Billy Ocean – aquele que fez grande sucesso nos anos 1980, com Suddenly e Caribbean Queen. A Caribbean Fashion Week acontecerá entre os dias 9 e 15 de junho.

Se quiser ficar por dentro da moda jamaicana, veja acima as coleções de alguns dos estilistas que participaram da Caribbean Fashion Week no ano passado, como Cedella Marley, Denise Katz, Jehan Jackson e Juliette Dyke.

Assista ao desfile da coleção de Kevin O’Brian no Style Week Jamaica 2014:

A banda No Doubt, da vocalista Gwen Stefani: Influências da música jamaicana e discos produzidos na ilha. | Foto: reprodução internet

World a Reggae – No Doubt: reggae music “underneath it all”

A influência da música jamaicana é assunto do qual já tratamos anteriormente (ver “A onda jamaicana que invadiu o Reino Unido“). Isso aconteceu não apenas no Reino Unido, mas também nos EUA, onde um dos bons exemplos é a banda No Doubt, da vocalista Gwen Stefani.

Gwen Stefani fez homenagens à Jamaica e ao reggae ao batizar dois de seus três filhos | foto: reprodução internet

Gwen Stefani fez homenagens à Jamaica e ao reggae ao batizar dois de seus três filhos

Inspirada na banda inglesa Madness – uma das primeiras responsáveis pelo revival do ska nos anos 1970 – a americana No Doubt foi criada em 1987. No início, era uma mistura de  new wave e ska. Começaram a fazer sucesso na Califórnia, onde a banda nasceu, e gravaram seu primeiro disco (“No Doubt”) em 1992. Então, sofreram o impacto da invasão do movimento grunge, também conhecido como som de Seattle (Nirvana, Pearl Jam e companhia). Mantiveram seu estilo e com alguma influência do punk rock, lançaram o segundo álbum (“The Beacon Street Collection”), em 1995.

Ainda em 1995, lançaram um novo álbum (“Tragic Kingdom”) que marcava o fim do relacionamento entre a vocalista Gwen e o baixista Tony Kanal. A temática, aliada à vocação pop de Gwen, sempre presente na mídia, ajudaram a promover o disco, que chegou ao primeiro lugar nas paradas. O álbum seguinte, “Return of Saturn”, saiu apenas em 2000 e teve boa aceitação de crítica e público, com sucessos como Simple Kind of Life e Ex-Girlfriend.

Contudo, a influência jamaicana está mais evidente no quinto álbum, chamado “Rock Steady” (ouça abaixo, na íntegra). Lançado em 2001, o álbum começou a ser gravado em Los Angeles e San Francisco. Posteriormente, a banda seguiu para Londres e Jamaica e trabalhou em conjunto com diversos intérpretes, autores e produtores. Entre eles, os jamaicanos Sly Dunbar & Robbie Shakespeare – que já foram produtores de artistas como Peter Tosh, Bob Dylan e os Rolling Stones – os americanos do The Neptunes (duo de Pharrel Williams) e o inglês William Orbit, produtor de Madonna.

Com tantas estrelas, o resultado só poderia ser excepcional. Dub jamaicano, pop eletrônico e dance são alguns dos estilos que dão forma ao disco, que vendeu cerca de 3 milhões de cópias. Dois destaques são as faixas Hey Baby e Underneath It All. A primeira, com a participação do DJ jamaicano Bounty Killer, gerou o single que rendeu ao No Doubt o quinto lugar na Billboard Hot 100.

Underneath It All,  escrita por Gwen Stefani e Dave Stewart, do Eurythmics, tem suas curiosidades. A banda foi visitar Dave, a quem não conheciam, em seu apartamento. Em quinze minutos, sentados na cozinha, Gwen e Dave tinham a música pronta. Para o álbum, a canção foi gravada com a participação da cantora de reggae jamaicana Lady Saw (assista ao videoclipe acima).

Depois de um hiato de mais de dez anos, nos quais Gwen teve sua carreira solo, além de três filhos, a banda lançou, em 2012, o disco “Push and Shove”, cuja finalização foi feita em um estúdio na Jamaica (ouça abaixo a faixa que dá nome ao disco, com participação especial do jamaicano Busy Signal). A produção, dessa vez, ficou a cargo do DJ americano Diplo, do Major Lazer.

Gwen, aliás, foi bastante criativa ao dar nomes a seus filhos e, em dois deles, expressou sua forte relação com a Jamaica. O mais velho é Kingston James McGregor Rossdale, sim, Kingston, como a capital da Jamaica. O do meio chama-se Zuma Nesta Rock Rossdale, sendo que Nesta é o segundo nome de Robert (ou Bob) Marley. O mais novinho, nascido em fevereiro deste ano, é Apollo Bowie Flynn Rossdale, mas Bowie and Flynn são nomes de solteira da mamãe. Além de extensos, os nomes trazem inúmeras homenagens e referências a pessoas e locais importantes para Gwen e seu marido, Gavin Rossdale. Pelo bem das crianças que estão por vir, esperamos que essa moda não pegue!

Ouça o disco “Rock Steady”, do No Doubt, na íntegra:

Carol Teixeira em frente à casa que foi de Bob Marley, em Trenchtown. - Foto: divulgação Carol Teixeira

Carol Teixeira na Jamaica: encantos e “causações” na ilha

Foto: divulgação Carol Teixeira

Carol Teixeira aproveitou cada momento de sua primeira Jamaica Experience.

Carol Teixeira é uma menina que não para! Ela nasceu no Rio de Janeiro, mas viveu muito tempo no Rio Grande do Sul, tanto que se considera cariúcha. Atualmente, vive em São Paulo, cidade com a qual se identifica muito. Carol é do tipo “tudo ao mesmo tempo agora”: é filósofa, escritora, compositora, vocalista, blogueira.

Por sua curiosidade aguçada e grande amor à leitura, escolheu estudar filosofia. Como escritora, tem dois livros publicados, “De abismos e vertigens” (Sulina, 2004) e “Verdades & Mentiras” (L&PM, 2006) e está trabalhando num terceiro. É autora, também, de duas peças teatrais, “Festa de Bebete” e “Cenas de Amorintenso”.

Desde 2010, Carol é colunista de sexo e cultura da Revista VIP. A partir do grande interesse de mulheres, que comentavam suas matérias originalmente escritas para os homens, surgiu seu blog, o A Obscena Senhorita C. Nele, Carol fala sobre sexo e amor e também sobre ser mulher.

Foto: divulgação Carol Teixeira

Sunset em Negril, com direito a uma belíssima sessão de Pole Dance.

Na banda Brollies & Apples, Carol compõe, canta e toca baixo. A banda mistura rock e música eletrônica e costuma fazer apresentações absolutamente performáticas. O som é meio grunge, aquele estilo anos 1990, inspirado no punk rock que, por sua vez, é muito ligado ao reggae jamaicano (leia mais em A onda jamaicana que invadiu o Reino Unido). Ainda falando sobre música, Carol também toca como DJ em festas pelo Brasil e já teve dois programas de rádio, em Porto Alegre.

Extrovertida, simples e extremamente simpática, Carol, como boa sagitariana, adora viajar e “causar” (expressão que gosta de usar para descrever seu jeito irreverente e descolado) e recentemente fez sua primeira visita à Jamaica. A convite do Jamaica Experience, ela passou alguns dias na ilha, como parte de uma viagem mais ampla, gravando para um programa que apresentará no Multishow.

Lá, conheceu as festas mais badaladas de Kingston, se encantou com as “good vibes” (e com a sensualidade) do povo jamaicano e visitou um hotel conhecido mundialmente por ser, digamos, libertino. Em breve, Carol contará aqui no site suas impressões sobre o lado sensual da Jamaica e também sobre as “causações” que andou aprontando por lá… Aguarde e confira!

foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Jamaica para todos os gostos: escolha a melhor opção

Se você segue nosso site, o www.jamaicaexperience.com.br, sabe que turismo é uma de nossas áreas de interesse, assim como música, gastronomia e lifestyle. Afinal, um projeto que tem por objetivo fomentar o intercâmbio cultural entre o Brasil e a Jamaica, passa obrigatoriamente pelo turismo, por conhecer e explorar tudo que a ilha tem de mais bonito e interessante.

Através dos textos que temos publicado, você pôde ter contato com um pouco da história, da cultura, das personalidades e peculiaridades da Jamaica. Continuaremos com esse trabalho, mas, além disso, a partir de agora, será possível, também, escolher e comprar seu pacote de viagem para a Jamaica, através do site. Para isso, fechamos uma parceria com a ADVtour, uma empresa especializada em Caribe, que passará a oferecer cinco diferentes pacotes turísticos, de acordo com seu perfil e objetivos.

A ADVtour é uma operadora brasileira que atua há mais de 15 anos no mercado de turismo, com roteiros de viagens internacionais personalizados. Além de ser especialista em Caribe, a empresa também conta com parceiros em companhias aéreas, cruzeiros, hotéis, resorts e pousadas de luxo na América do Sul, América do Norte, América Central, Europa e Oriente Médio. Com sede na cidade de São Paulo, a ADVtour possui agências de viagens representantes em Brasília, Porto Alegre e Vitória, e também áreas comerciais para atender no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Ribeirão Preto e região.

Os cinco pacotes turísticos que elaboramos em conjunto com a ADVtour visam atender pessoas que estão em momentos de vida distintos e que, portanto, têm diferentes expectativas com relação a uma viagem à Jamaica. São eles:

 

foto: Laerte Brasil | Jamaica Experience

1. Take me to Jamaica: começando pela capital, Kingston, esta é a opção para quem quer conhecer belas praias, rios e cachoeiras, além de saber mais sobre Bob Marley. O pacote inclui visitas ao Bob Marley Museum, em Kingston, e ao Bob Marley Mausoleum, em Nine Miles, local onde ele nasceu e está enterrado.

 

foto: reprodução internet

2. Jamaican Music Vibes: se o seu maior interesse na Jamaica é a música, este é o pacote ideal para você. Visitar alguns estúdios, como o lendário Tuff Gong, pertencente à família Marley, dançar ao som do Dub, em algum dos muitos e potentes Sound Systems espalhados pela ilha, ou ir a uma autêntica festa de Dancehall, são algumas das atrações propostas.

 

foto: Shutterstock

3. Family Time: o nome já diz tudo, é para curtir com a família. Além de praias mais tranquilas, passeios a cavalo por lindas paisagens e mergulho com golfinhos em pleno mar do Caribe. Hotéis com ótima infraestrutura e, é claro, toda hospitalidade do povo jamaicano!

 

foto: reprodução internet

4. A Mystic Land: um passeio por locais menos explorados e que fascinam os visitantes, como a Blue Lagoon, cenário do clássico “A Lagoa Azul”, e as Blue Mountains, onde é produzido um dos mais renomados cafés do mundo.

 

foto: Shutterstock

5. Relax Inna Paradise: se você está à procura de um paraíso para relaxar e viver momentos inesquecíveis a dois, esta é a opção para você. Clima perfeito, praias de beleza inigualável, hotéis e resorts que são um verdadeiro convite à paixão e atmosfera envolvente são alguns dos motivos que levam muitos casais de turistas à ilha. Cerimônias de casamento ou bodas, também são uma das especialidades dos resorts jamaicanos.

Para saber todos os detalhes sobre cada pacote, clique aqui. Escolha o seu preferido e boa viagem!

 

foto: reprodução internet

The Harder They Come: o filme que mostrou a Jamaica ao mundo

Jimmy Cliff é o protagonista de "The Harder They Come" | foto: reprodução internet

Jimmy Cliff é o protagonista de “The Harder They Come” | foto: reprodução internet

Apenas 10 anos após a Jamaica tornar-se independente, em 1972, foi produzido no país o filme que é até hoje considerado o mais importante. “The Harder They Come” (no Brasil, “Balada Sangrenta”), protagonizado pelo cantor de reggae Jimmy Cliff, foi o primeiro longa-metragem a ser totalmente filmado na Jamaica, com elenco e diretor jamaicanos. Mais do que isso, mostrava a realidade de exploração e crimes que aconteciam na capital, Kingston. A trilha sonora, com músicas de Desmond Dekker, Toots and the Maytals, além do próprio Cliff, ajudou a popularizar o reggae pelo mundo.

A história do filme é inspirada na vida de um criminoso que ganhou fama na ilha, nos anos 1940. Seu nome era Vincent “Ivanhoe” Martin, mais conhecido como Rhyging. Por seus sucessivos crimes de roubo e assassinatos, além de várias fugas da prisão, Rhyging tornou-se um fora da lei lendário na Jamaica. Sua vida foi glamurizada e ele virou uma espécie de herói popular.

fotos: reprodução internet

“The Harder They Come” foi totalmente filmado na Jamaica.

Em “The Harder They Come”, dirigido por Perry Henzel, Cliff faz o papel principal e se chama Ivanhoe (ou apenas Ivan) Martin. A história se passa nos anos 1970; Ivan é um garoto do interior que vai para Kingston, a fim de tentar a carreira de cantor. Em meio às dificuldades e tensões sociais da época, ele acaba cometendo um furto e sendo convidado a trabalhar no tráfico de drogas. Ivan/Cliff escreve a canção que dá nome ao filme e a mostra a um produtor que, apesar de se interessar por ela, lhe paga uma miséria.

Ivan envolve-se  numa sucessão de crimes ligados ao tráfico, mata várias pessoas, incluindo policiais, e foge diversas vezes. Paralelamente, o tal produtor musical lança a música composta por Ivan/Cliff, que se torna um sucesso instantâneo. No final… não, é melhor assistir para saber!

“The Harder They Come” fez de Perry Henzel o mais importante diretor jamaicano, promoveu o reggae na Europa e nos EUA e levou a carreira musical de Jimmy Cliff ao estrelato. Ele, que na época já era conhecido e admirado por músicos como Bob Dylan, tornou-se um dos grandes astros do reggae.

Em 2005, o filme foi adaptado para o teatro, no Reino Unido, e apresentado também em Miami e Toronto. O próprio Henzel cogitava fazer um remake ou uma continuação do filme, mas não concluiu o projeto e faleceu, em 2006. Sua filha, Justine Henzell, em parceria com uma companhia britânica e outra canadense, tem trabalhado há algum tempo no remake, mas as filmagens ainda não começaram.

Os grandes méritos do filme (além da trilha sonora incrível, e que o mantém tão significativo até os dias de hoje) são ter mudado a maneira de representar a Jamaica internacionalmente e ter espalhado sua música e cultura vibrantes pelo mundo.

Ouça a trilha sonora do filme “The Harder They Come”:

foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Kingston, a Hollywood jamaicana

Kingston está para a música jamaicana como Hollywood para o cinema americano. Espécie de Nashville do reggae, a cidade é o berço de artistas mundialmente consagrados como Bob Marley e Peter Tosh e foi retratada em incontáveis músicas, filmes e documentários ao longo dos anos. Famosa por sua rica e diversificada cultura, Kingston é um verdadeiro caldeirão de influências políticas, musicais e religiosas, que impactou o mundo de forma permanente.

Life Yard - Paint Jamaica project in Parade Gardens | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Life Yard – Paint Jamaica project in Parade Gardens | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Não há nenhuma outra cidade no mundo, comparável em tamanho e população a Kingston, que tenha produzido tanta música, durante tanto tempo e com tamanho impacto na cultura popular mundial. Em pouco mais de 8 km quadrados, a capital da Jamaica, que em 1960 contava com população de 123 mil habitantes, hoje é o lar de aproximadamente 500 mil pessoas e conhecida por ter sido o epicentro de um movimento que colocou a Jamaica no mapa da música mundial. O local foi ponto de partida de uma série infindável de aventuras sonoras e, para muitos artistas, independente de terem nascido na cidade ou migrado das áreas rurais, era sobretudo uma grande promessa de melhoria de vida, embora exigisse uma boa dose de instinto de sobrevivência. A proximidade dos músicos e a quantidade de estúdios num espaço urbano restrito podem ser alguns dos motivos, mas por si só não explicam tamanho potencial criativo ao longo de décadas. As deploráveis condições econômicas e sociais sob as quais a maioria dos artistas viveram foram os catalisadores para uma espécie de “exorcismo musical“, que em parte podem explicar este fenômeno.

O impacto da colonização afetou a Jamaica de forma contundente, começando com a Espanha, que em 1494 praticamente dizimou os nativos arauaques e depois com a Inglaterra, que tomou o poder em 1655 e iniciou um processo de escravização e importação de africanos para a ilha. Estabelecida em 1692, Kingston tornou-se a capital do país e, em 1892, passou a ser o principal porto comercial, desbancando Spanish Town. As bases para a injustiça social que empobreceram tantos jamaicanos ao longo do século XX, foram estabelecidas em Kingston durante o século XVII quando, sob o domínio britânico, a Jamaica tornou-se líder mundial na exportação de açúcar.

Stone Man, um típico rastafári em Kingston. | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Stone Man, um típico rastafári em Kingston. | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

A exploração colonial das classes trabalhadoras, que garantiu a prosperidade da indústria do açúcar naquele período, levou a graves distúrbios sociais e fez Kingston entrar em colapso em meados de 1938. Mortes e tumultos deflagrados por circunstâncias políticas e raciais prenunciavam as crises das décadas seguintes. A “economia da sobrevivência”, gerada sobretudo pelo alto índice de desemprego, praticamente obrigou as pessoas a se mudarem para a capital, fazendo com que a população crescesse substancialmente na década de 1960. Como consequência, a cidade, que já sofria com a pobreza, se viu frente às inevitáveis competições por recursos, que por sua vez levaram à violência recorrente, ainda mais evidente durante as eleições gerais na ilha.

O emblemático estúdio Channel One, na cidade de Kingston. Foto: reprodução internet

O emblemático estúdio Channel One, na cidade de Kingston. Foto: reprodução internet

No início do século XX, o rastafarianismo surgiu como uma fonte poderosa de fé e resistência em Kingston. Embora Marcus Garvey (1887 – 1940), ícone jamaicano da libertação negra, não fosse ele próprio um Rasta, Kingston foi palco de muitos de seus inflamados discursos promovendo o nacionalismo negro e a independência, visão esta que era completamente alinhada aos ideias rastafáris. O rastafarianismo também ganhou adeptos fora da cidade, que foram forçados a mudarem-se para Kingston após uma série de ações policiais em áreas de plantação de maconha nos arredores da cidade. Em um destes ataques, mais de mil pessoas ficaram desabrigadas e muitas delas foram morar nas favelas urbanas da capital. Vários locais voltados à prática do rastafarianismo começaram a surgir por toda a ilha – especialmente nos arredores de Kingston – e a música passou a ser parte essencial deste movimento, cuja expressão artística e filosófica se fez cada vez mais presente e atraiu jovens e promissores músicos como Tommy McCook, que viria a estabelecer um marco na música jamaicana através do lendário grupo The Skatalites.

As raízes da cultura jamaicana, que estavam naturalmente muito sujeitas às influências africanas, com seus tambores e rituais espirituais de dança como a Kumina e Pukkumina, eram temperos evidentes no caldeirão cultural da cidade. Outros ingredientes, incluindo jazz, R&B, folk e até música country foram elementos que, somados, contribuíram para a criação do “algo novo” que estava por vir. Trenchtown tornou-se, ao mesmo tempo, residência de marginais  e inúmeros artistas cujo trabalho foi fortemente influenciado pelo instinto de sobrevivência.

Lojas de disco como esta se via por toda a parte em Kingston, durante o auge do reggae. | foto: reprodução internet

Lojas de disco como esta se via por toda a parte em Kingston, durante o auge do reggae. | foto: reprodução internet

A parte ocidental de Kinston era o núcleo da indústria musical jamaicana. Nas décadas de 50 e 60, Kingston era destino obrigatório para qualquer artista que alimentasse alguma esperança de ser gravado na ilha, já que ali estavam concentrados os melhores estúdios, produtores e músicos, que por sua vez sabiam como obter os melhores resultados. Conhecida informalmente como “Beat Street”, por motivos óbvios, a “Orange Street” era uma espécie de quartel general de produtores como Coxsonne Dodd, Prince Buster e Bunny Lee, entre muitos outros. Locais para audições e ensaios, estúdios, selos e até lojas de disco ficavam concentradas em uma relativamente pequena área da cidade, que incluía ainda a King Street (paralela à Orange Street), Beeston Street, Chancery Lane e North Parade (lar do Randy’s Studio, que mais tarde viria a se tornar a VP Records). Joe Gibbs, os irmãoes Hoo-Kim (do renomado Channel One), Clancy Eccles, Derrick Harriott e incontáveis outros produtores e artistas ocupavam o mesmo espaço, competindo entre si e muitas vezes colaborando uns com os outros para criar o próximo hit musical. Embora a indústria não tenha ficado limitada a esta região com o passar do tempo, Kingston continuou a ser vital e manteve sua vocação de núcleo de explosão criativa da música popular jamaicana. Para isso, muito contribuiu a cultura dos sound systems, com seus “dubplates” e sua capacidade de testar a audiência, antecipando tendências musicais ao público.

Por razões que excedem a lógica, era muito comum as músicas situarem o ouvinte, fazendo de Kingston mais que meramente o local onde as obras foram criadas, mas tornando-a parte essencial da narrativa musical. Em “Trenchtown Rock (1971), Bob Marley faz todos terem certeza de que o gueto está no centro da capital, na (graças a ele) mundialmente famosa “Kingston 12”. Mais tarde, em 1975, Marley mapeia a geografia urbana com “Natty Dread”, levando o público a uma viagem pela emblemática cidade. Por outro lado, “Kingston Town”, lançada originalmente por Lord Creator em 1970 e produzida por Clancy Eccles, idealiza a cidade como mágica, ao invés de trágica. A música ganhou outras versões e atingiu o topo das paradas no Reino Unido e na França, quando foi regravada pelos ingleses do UB40, 20 anos mais tarde, no início dos anos 90. Até mesmo em músicas instrumentais as vibrações Rasta vêm à tona, como em “Man From Wareika”(1976), do lendário trombonista Rico Rodriguez. Ele atribui a inspiração à sua ligação com um acampamento Rasta nas colinas dos arredores de Kingston.

Capa do filme "The Harder They Come", estrelado por Jimmy Cliff. Foto: reprodução internet

Capa do filme “The Harder They Come”, estrelado por Jimmy Cliff. Foto: reprodução internet

Outro fato importante é que um dos motivos por trás do sucesso do filme “The Harder They Come” (estrelado por Jimmy Cliff em 1972), segundo a crítica, é justamente o fato de o filme retratar a realidade de Kingston, cuja reputação à época tornava o local ao mesmo tempo perigoso e emblemático. O filme conta a história de Rhyging, um gangster pistoleiro que causava grande tumulto na cidade até ser morto pela polícia, em 1948. O personagem de Cliff retrata de maneira precisa a figura típica do camponês jamaicano, que migra da área rural para Kingston em busca de melhoria de vida e, ao só encontrar mais dificuldades e pobreza, se entrega à criminalidade em um ambiente desumano e nada inspirador.

Kingston também foi palco de terríveis batalhas políticas entre integrantes dos dois principais partidos do país: o PNP (People’s National Party) e o JLP (Jamaica Labour Party). Foram inúmeros os conflitos por território e poder, que culminaram na perda de dezenas de vidas ao longo de um duro processo, já que cada eleição geral na ilha reacendia a tensão política e a violência. Embora tenha sido um fenômeno característico dos anos 70, Kingston voltou às páginas policiais  internacionais recentemente quando, em 2010, um forte esquema policial foi montado para capturar um suposto bandido e traficante de drogas, chamado Cristopher “Dudus” Coke e extraditá-lo para os Estados Unidos. Espécie de “Robin Hood” jamaicano, Dudus era conhecido em Kingston como “The President” e considerado intocável pela população local, a despeito de todas as acusações contra ele. Interdições de estradas, barricadas, destruição e acusações de abuso policial, além de um número expressivo de homicídios de inocentes, provocaram reações furiosas da população e da classe artística contra a operação. “Don’t Touch The President”, de Bunny Wailer, tocou fundo na ferida e é considerada uma das principais músicas sobre o tema. De um modo geral, o evento só fez piorar a perspectiva de melhoria de vida dos habitantes da cidade, dada a repercussão negativa da cidade, que depende fortemente do turismo.

EDB Vinyl Thursday's | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

EDB Vinyl Thursday’s | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Mais que uma cidade turística, Kingston tem na criatividade do seu povo seu maior patrimônio histórico. Passado, presente e futuro se misturam num verdadeiro caldeirão cultural, que nasceu nos guetos locais e ganhou o mundo de forma incrivelmente impactante. Milhões de pessoas ao redor do mundo, sem sequer saber onde fica Trench Town, cantam e dançam músicas sobre o lugar. Não há dúvida de que Kingston está no topo da lista entre as cidades no mundo que mais contribuíram para a música e cultura globais.