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Exposição "Return of the Rudeboy" | foto: Dean Chalkley, com direção criativa de Harris Elliott | reprodução internet

O retorno dos rude boys

Já falamos aqui sobre uma profissão chamada cool hunter, ou caçador de tendências. Mais especificamente, falamos de Magá Moura, uma linda e antenada baiana, de apenas 26 anos, que tem se destacado no mundo da moda e lifestyle por seu estilo e originalidade. Hoje, um ano após a publicação daquele texto, me deparei com uma situação na qual pessoas acabam sendo cool hunters, mesmo que por acaso.

Na verdade, esse talento tem a ver com o poder de observação de cada um e, quando se trabalha com assuntos como moda, cinema e publicidade, por exemplo, o talento acaba sendo treinado. É como se para certas pessoas as tendências simplesmente saltassem aos olhos, enquanto para outras, passam despercebidas.

É assim que entendo o trabalho feito pelo cineasta Dean Chalkley e pelo diretor de criação Harris Elliott. Ambos são britânicos, amigos e parceiros de trabalho de longa data. Em 2012 – coincidindo com as Olimpíadas de Londres, a denominação de Usain Bolt como o homem mais rápido da Terra e também com o aniversário de 50 anos da independência da Jamaica – os dois amigos, individualmente, começaram a perceber uma mudança no código visual dos jovens negros.

Calças curtas e chapéus estilosos começaram a substituir as roupas esportivas exaustivamente usadas pelos cantores de rap e hip hop. Havia uma atmosfera de mudança no ar, então Chalkley e Elliott começaram a fotografar pessoas nas ruas, na tentativa de registrar as transformações e captar as tendências. Concluíram, então, estar diante do renascimento do estilo dos rude boys.

Esse assunto também já foi abordado aqui, mas vamos recordar. Rude boys era o nome que se dava às gangues que surgiram na Jamaica logo após a independência, em 1962. Bob Marley flertou com eles e até fez uma canção para tranquilizar sua mãe quanto às más influências (Simmer Down – ouça abaixo). Muitos jamaicanos emigraram para o Reino Unido e influenciaram culturalmente outros grupos de jovens como os mods e, posteriormente, os punks.

A cultura rude boy está ligada à construção da autoestima e também à determinação e criatividade desses imigrantes, dispostos a buscar seu lugar numa sociedade conservadora e racista. E foi exatamente isso que Chalkley e Elliott captaram através dos retratos: a expressão da nova geração de negros através de suas roupas, sua forma de vestir.

Ao contrário do que acontece num ensaio de moda, o trabalho realizado pela dupla não buscou o glamour. As pessoas foram fotografadas ao natural, com suas próprias roupas, nas ruas de Londres. Através de conversas com as pessoas fotografadas, chegavam a outras pessoas que igualmente serviriam de modelos.

O trabalho gerou, primeiramente, uma exposição. Durante dez semanas, no verão londrino de 2014, esteve em cartaz na Terrace Galleries, na Somerset House. Além das fotos, houve eventos ao vivo, DJs e até uma barbearia no estilo rude boy. De quebra, foi exibido o filme “The Harder They Come”, intimamente ligado ao tema. Já em 2015,  a exposição seguiu para o Japão, no Laforet Museum Harajuku, em Tóquio.

Janelle e Gwen: visual estilo rude boy.  |  fotos: reprodução internet

Janelle e Gwen: estilo rude boy.

A exposição foi reunida no livro “Return of the Rudeboy”, lançado no último mês de junho. Além de um número ainda maior de fotos, há textos sobre a herança cultural dos rude boys e detalhamento da montagem da exposição em Londres.

Ao acaso, por treino ou vício profissional, os amigos Chalkley e Elliott acabaram por identificar e resgatar uma forte tendência. E as grifes, é claro, seguiram a onda. Marcas britânicas como Fred Perry’s e Brutus já lançaram suas coleções inspiradas nesse movimento, tão importante para formação da identidade cultural jamaicana. As cantoras Gwen Stefani, do No Doubt, e Janelle Monáe são duas adeptas do estilo.

Assista à entrevista de Harris Elliott e Dean Chalkley:

foto: reprodução internet

Jamaica nas Olimpíadas 2016: algo além do atletismo

Faltando menos de um ano para as Olimpíadas de 2016, a primeira a ser realizada no Brasil, há muitas expectativas e especulações sobre o assunto. Prazos para realização de obras, infraestrutura da cidade do Rio de Janeiro, custos envolvidos. Tudo isso é polêmico, porém, para os amantes do esporte o que vale a pena ser discutido e analisado são as chances dos atletas em cada modalidade, a rivalidade entre países, as grandes apostas e as possíveis surpresas.

Há os campeões consagrados, como o basquete norte-americano – por 21 vezes o melhor – o tênis de mesa chinês – 20 vezes ouro – e o ciclismo francês, vencedor de 41 medalhas de ouro. Ainda que com números mais modestos, a Jamaica é considerada um dos países favoritos no atletismo, no qual acumula 17 ouros.

Os velocistas jamaicanos foram recordistas mundiais no revezamento 4x100m em Londres 2012.  |  foto: reprodução internet

Os velocistas jamaicanos foram recordistas mundiais no revezamento 4x100m em Londres 2012.

O destaque, é claro, fica por conta de Usain Bolt, ganhador de 6 medalhas de ouro em olimpíadas, sendo 3 em Pequim e 3 em Londres. Nos dois casos, venceu os 100 m, 200 m e o revezamento 4 x 100 m, com direito ao recorde mundial de 36s84. Seus companheiros de revezamento foram Nesta Carter, Michael Frate e Asafa Powell (2008), além de Yohan Blake, que substituiu Powell em 2012. Todos eles fortíssimos competidores.

No atletismo feminino, Shelley-Ann Fraser-Pryce é comparada a Bolt. Ela levou o ouro pelos 100 m nas duas últimas olimpíadas, sendo que em Pequim ainda houve empate de duas jamaicanas no segundo lugar: Sherone Simpson e Kerron Stewart receberam medalhas de prata. No revezamento 4 x 100 m as meninas jamaicanas também costumam ir muito bem: foram prata em Sydney (2000) e Londres (2012) e ouro em Atenas (2004).

No Campeonato Mundial de Atletismo que está acontecendo neste mês de agosto, em Pequim, o atletismo jamaicano conseguiu novos recordes nos 100 m. Shelley e Bolt venceram as provas, tornando-se tricampeões mundiais. E o que mais se pode esperar dessa pequena ilha do Caribe?

Recentemente, o tenista Dustin Brown – que apesar de ter nascido na Alemanha tem pai jamaicano e morou muito tempo na Jamaica – surpreendeu a todos vencendo Rafael Nadal em Wimbledon. Ok, ele não é jamaicano, mas poderia ter optado por competir como tal se tivesse recebido o apoio necessário do país. De qualquer forma, 2015 tem sido de boas notícias no esporte para a Jamaica.

Os "Reggae Boyz" disputaram a Copa América 2015.  |  foto: reprodução internet

Os “Reggae Boyz” disputaram a Copa América 2015.

Em junho, a seleção de futebol da Jamaica participou como convidada da Copa América. Caiu num grupo difícil, com Uruguai, Paraguai e Argentina. Foram três derrotas, é verdade, mas todas por apenas 1×0, contrariando as expectativas de que perderia por goleadas.

No mês seguinte, a equipe participou da Copa Ouro da CONCACAF, que reúne os países da América do Norte, Central e ilhas do Caribe. Depois de vencer e eliminar os EUA nas semifinais, por 2×1, acabou perdendo a final para o México (por 3×1). O vice-campeonato foi a melhor colocação da Jamaica na competição desde 1998, quando chegou às semifinais.

Também na natação houve progressos, o que não é nada mal para uma ilha. Em 2014, Alia Atkinson venceu os 100 m nado peito, durante o Campeonato Mundial de Piscina Curta (25 m), realizado em Doha, no Qatar. Além de feito inédito para a Jamaica, Alia foi a primeira atleta negra a conquistar um mundial de natação. Neste ano, no Mundial de Esportes Aquáticos, em Kazan, na Rússia, a atleta ficou em terceiro lugar na mesma modalidade, conquistando para seu país a primeira medalha em mundiais de natação de piscina longa (50m).

A exemplo do que acontece no Brasil, o grande problema da Jamaica é a falta de apoio – entendam-se recursos financeiros, patrocínios. Lá, exceto no caso do atletismo, onde os resultados são expressivos, os demais esportes carecem de financiadores. Com tantos talentos insistindo em aparecer e persistindo em treinar, mesmo em condições adversas, esperamos que as Olimpíadas de 2016 possam ser palco de conquistas também para os bravos jamaicanos.

Assista à prova em que Alia Atkinson bateu o recorde mundial em piscina curta:

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o velocista Usain Bolt posam juntos em Kingston, Jamaica. | foto: divulgação oficial da Casa Branca | Pete Souza

Barack Obama na Jamaica: Yes, they can!

Carisma: qualidade de personalidade que destaca criaturas a exercerem espontaneamente atitudes de líderes, contagiando aos que lhes são próximos.

Atualmente, na política, ninguém melhor do que o presidente dos EUA, Barack Obama, exemplifica a definição. Não importa o quanto se concorde ou não com suas ideias ou com toda a ideologia que representa. O fato é que ele encanta plateias e cultiva fãs, onde quer que vá.

A primeira-ministra da Jamaica, Portia Simpson Miller, ao lado do presidente americano, Barack Obama.  |  foto: reprodução internet

A primeira-ministra da Jamaica, Portia Simpson Miller, ao lado do presidente americano, Barack Obama.

Assim foi a passagem de Obama pela Jamaica, no último mês de abril: um grande sucesso. Especialmente de público. A ponto da primeira-ministra do país, Portia Simpson Miller, declarar o amor do povo jamaicano ao líder norte-americano. O fato de um negro alcançar um dos postos de comando mais importantes do mundo (e repetir o feito) torna-se ainda mais especial num país como a Jamaica, de maioria negra e ainda em busca de igualdade racial.

O destino final da viagem era o Panamá, onde o presidente americano participaria da Cúpula das Américas para discutir, entre outros assuntos, as mudanças nas relações entre EUA e Cuba. A parada na Jamaica teve razões  econômicas, comerciais e estratégicas. O interesse da China na região, o petróleo (barato) vindo da Venezuela e o grande fluxo de turistas americanos – alvos potenciais de uma possível ameaça terrorista – foram, certamente, alguns dos temas abordados.

Obama chegou numa quarta-feira à noite e antes de qualquer compromisso oficial visitou o Museu Bob Marley, em Kingston. Caminhando pela casa em que morou o grande ídolo do reggae, disse ainda ter todos os álbuns e declarou, posteriormente, que ir ao museu foi uma das visitas mais divertidas que fez desde que se tornou presidente. Ponto para Obama.

Fã confesso do rei do reggae, Barack Obama visita o Museu de Bob Marley em Kingston.  |  foto: reprodução internet

Fã confesso do rei do reggae, Barack Obama visita o Museu de Bob Marley em Kingston.

No dia seguinte, cumpriu uma agenda mais protocolar. Encontrou-se com a primeira-ministra Portia Simpson Miller e seguiu para a University of the West Indies. Primeiro, um encontro com líderes dos países caribenhos, depois, uma palestra para uma plateia de 350 jovens.

Para quebrar o gelo, o presidente americano saudou o público em patois, o dialeto jamaicano: “Greetings massive, wah gwaan Jamaica? (algo como “Saudações imensas, Jamaica. Como vão indo?”). Tudo bem, é pouco, não é tão difícil, mas é uma gentileza, uma interação inesperada. Ponto para Obama.

Depois do discurso, o presidente respondeu algumas perguntas, sempre de forma bastante diplomática. Na plateia, entre outros, estava Usain Bolt. Então, na hora das fotos, Obama deu uma de tiete e imitou Bolt, fazendo a pose clássica do corredor. Mais um ponto para ele.

Barack Obama é o primeiro presidente americano em exercício a visitar a Jamaica desde Ronald Reagan, em 1982. Sua simples visita não é capaz de levar embora graves problemas da sociedade jamaicana, porém, sua imagem é inspiradora. Mais do que criticar o imperialismo que ele representa, a demagogia que pratica e até o poder de sedução que exerce sobre o público, vale torcer para que muitos jamaicanos vejam em Obama um espelho e assumam a missão de fazer as mudanças necessárias. Yes, Jamaican people can!

foto: reprodução internet

Seguindo a trilha dos velocistas jamaicanos

Vamos a um rápido ping-pong: um país, Jamaica; um tipo de música, reggae; um cantor, Bob Marley; um esporte, corrida; um atleta, vários, entre eles, Usain Bolt. Mas, por que os jamaicanos são tão velozes?

foto: Getty Images

A Jamaica tem forte tradição em corridas: nos Jogos Olímpicos de Londres (1948), Arthur Wint vence seu compatriota Herb McKenley e conquista a primeira medalha de ouro da Jamaica em Olimpíadas.

Existem várias hipóteses para justificar o sucesso dos jamaicanos no atletismo, especialmente em provas de velocidade. Os números desse pequeno país são impressionantes. Na história das Olimpíadas, por exemplo, a Jamaica já conquistou 55 medalhas, sendo 54 delas em atletismo. Em 2004, dos 500 melhores tempos obtidos nos 100 metros rasos, 495 foram de atletas jamaicanos.

Nutricionistas acham que uma das razões pode estar ligada ao tipo de alimentação. O café da manhã típico é rico em carboidratos, que são fundamentais para uma boa performance dos corredores. Ele é composto de peixe, inhame, bananas e uma xícara de chá.

O segundo fator-chave seria o fato das crianças serem estimuladas a praticar corrida desde muito cedo. A maioria das escolas dispõe de pistas e é lá que os pequenos começam a se aventurar no esporte. Já na adolescência, participam do Boys and Girls Athletics Championship, ou, simplesmente, Champs. O campeonato é tão prestigiado na Jamaica quanto o Super Bowl, nos EUA: estádios lotados e transmissão ao vivo, para revelar a nova safra de talentos. Há, também, os clubes de corrida, nos quais os atletas treinam e se aperfeiçoam.

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A constituição física dos jamaicanos também é um diferencial. Eles têm pernas longas e pouca gordura corporal. Além disso, seus quadris são estreitos, permitindo que elevem mais seus joelhos quando correm. Há ainda um estudo no campo da genética, relacionado a um gene que seria responsável pelo alto desempenho dos jamaicanos. Dados preliminares sugerem que 70% dos jamaicanos possuem a forma mais pronunciada do gene ACTN3, que atua na produção de proteínas das fibras musculares de contração rápida. Essas fibras estariam ligadas ao bom rendimento nas corridas.

Dois supercampeões jamaicanos, Usain Bolt e Asafa Powell, também têm suas teorias a respeito do assunto. Asafa diz que a mentalidade do jamaicano é trabalhar para ser o melhor, é um povo dedicado. Bolt tem pensamento semelhante, para ele, os jamaicanos são um povo determinado e orgulhoso de sua raça, que se esforça para dar o melhor de si.

E é claro que, depois de inúmeras medalhas e gerações de campeões mundiais, o ideal de se tornar um corredor vitorioso esteja incutido nas mentes das crianças e jovens da Jamaica. Seus heróis lhes dão inspiração para treinar e buscar bons resultados.

O melhor de tudo isso é que a Jamaica mudou a forma de lidar com seus atletas. No início, os corredores eram majoritariamente pobres, vindos das favelas e, ao descobrirem-se talentosos, buscavam bolsas de estudos em universidades norte-americanas. Conseguiam um treinamento de alto nível, mas não se sentiam em casa. Hoje, além de todo incentivo dado à prática da corrida para os mais jovens, o país contrata os melhores técnicos e forma lá mesmo seus campeões. Ponto para a Jamaica, que está sabendo investir no potencial de seus atletas.

Resta esperar para ver se a ciência será capaz de desvendar os segredos que fazem do jamaicano um velocista nato. De qualquer forma, em 2016 teremos a oportunidade de ver esses incríveis corredores bem de perto, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet

foto: divulgação

Usain Bolt, o homem sem limites

Usain Bolt no início de carreira  |  foto: reprodução internet

Usain Bolt no início de carreira | foto: reprodução internet

Era uma vez um garoto jamaicano que, como tantos outros, amava cricket. Ele morava com a família numa área rural e frequentava a escola local. Era lá que o menino jogava cricket. Ele jogava bem, mas corria como ninguém! Tanto é que, aos doze anos de idade já era o mais rápido da escola nos 100 metros.

Usain St. Leo Bolt começou assim. Sua velocidade nos campos de cricket fez com que seu técnico lhe apresentasse as pistas de atletismo. Em 2001, aos 14 anos e cursando o high school, Bolt ganhou sua primeira medalha: prata pelos 200 metros, no campeonato escolar.

Pablo Mc Neil, um ex-velocista jamaicano, passou a ser seu técnico. No ano seguinte, Bolt teve seu primeiro sucesso mundial: venceu os 200 metros no Campeonato Mundial de Atletismo Júnior, realizado na Jamaica, tornando-se o medalhista mais novo de todos os tempos, na categoria júnior. Daí por diante, passou a ser Lightning Bolt, ou, apenas, Bolt.

Em 2004, Bolt sofria de uma persistente lesão no tendão. Mesmo assim, foi convocado para as Olimpíadas de Atenas, mas não teve um bom desempenho. Não passou das eliminatórias dos 200 metros. Em 2005, Bolt passou a ser treinado por Glen Mills, outro ex-velocista que já era o treinador da equipe olímpica. Seu desempenho o levou a ficar entre os cinco melhores em 2005 e 2006, mas Bolt ainda tinha problemas com lesões.

Bolt correndo com crianças pelas ruas da Jamaica  |  foto: reprodução internet

Bolt correndo com crianças pelas ruas da Jamaica | foto: reprodução internet

O ano de 2007  foi, então, o ano da virada. Bolt quebrou o recorde nacional dos 200 metros, que há 30 anos pertencia a Donald Quarrie, e ganhou duas medalhas de prata no Campeonato Mundial de Osaka, no Japão. Mais motivado e maduro, tinha início uma trajetória infindável de vitórias.

Em 2008, Bolt começou a participar de competições de 100 metros. Primeiro, em Nova Iorque, quebrou o recorde mundial. Na sequência, nas Olimpíadas de Pequim, conquistou três ouros, nos 100 e 200 metros e no revezamento 4×100, com os companheiros Nesta Carter, Michael Frater e Asafa Powell. Na final dos 100 metros, em que quebrou o recorde mundial, Bolt visivelmente reduziu a velocidade para celebrar antes da linha de chegada, causando certa polêmica.

Nos Jogos Mundiais de 2009 e 2011, respectivamente na Alemanha e na Coreia do Sul, Bolt venceu nas mesmas categorias (exceto os 100 metros, na Coreia, pois foi desclassificado por queimar a largada). Em Londres, nas Olimpíadas de 2012, repetiu o mesmo feito, batendo seu próprio recorde nos 100 metros. Tornou-se o primeiro atleta olímpico a ser bicampeão nas duas distâncias, em jogos consecutivos. Em 2013, nos Jogos Mundiais de Moscou,  mais uma vez, ganhou tudo. Só não quebrou recordes.

Uma lenda, um mito, uma figuraça! Descontraído, sorridente e bem-humorado, é um exemplo perfeito do povo jamaicano. Com seu tradicional gesto, imitando um raio e suas inúmeras citações, Bolt já é parte da história mundial do esporte. História que ainda está sendo escrita e da qual esperamos por cada capítulo, especialmente em 2016, aqui no Brasil.

“Sempre há limites. Eu não conheço os meus.”, diz Bolt. E o menino Bolt, além do cricket, amava (e ainda ama) o futebol. Sabe quais são seus planos para quando se aposentar do atletismo? Jogar uma Champions League, quem sabe pelo Manchester United, seu time do coração. Você duvida?

As várias faces de Usain Bolt  |  foto: divulgação

As várias faces de Usain Bolt | foto: divulgação

 

foto: reprodução internet

Cricket: o esporte do povo

O cricket é um esporte bastante antigo. Derivado de um jogo medieval rural chamado stoolball, começou a ser praticado pela nobreza da Inglaterra, no século XVII. Além de popular no Reino Unido, tornou-se muito praticado, também, nas antigas colônias, como Índia, Paquistão e Jamaica.

Apesar da aura de esporte de elite, na Jamaica o cricket é um esporte tão popular quanto o futebol no Brasil. De fato, no início, o esporte era praticado pelas classes sociais mais abastadas, com os times divididos entre gentlemen – os únicos que podiam ser capitães da equipe – e os players, que eram pagos para jogar. Com o passar do tempo, por todo o Caribe, pessoas de todas as classes começaram a se envolver com o cricket e, até hoje, é o esporte favorito dos espectadores.

Vista aérea do Sabina Park Cricket Stadium  |  foto: divulgação

Vista aérea do Sabina Park Cricket Stadium | foto: divulgação

Um dos maiores e mais famosos estádios de cricket da Jamaica é o Sabina Park. Está localizado em Kingston e tem 12.000 lugares. Desde 1895, o estádio já recebeu 144 jogos da primeira divisão (os first-class games). Outros estádios importantes são o Trelawny Multi-Purpose Sports Club, que sediou a cerimônia de abertura da Copa Mundial de Cricket, em 2007 , o  Alpart Sports Club Ground, em St Elizabeth, o Kensington Park, em Kingston, o Jarrett Park, em Montego Bay e o Chedwin Park, em St Catherine.

Para se jogar cricket são necessários onze jogadores de cada lado, que utilizam tacos e bolas. Como o limite para uma partida não é de tempo, uma só partida de críquete pode levar dias. Hoje, a maioria dos jogos é disputada em dois tempos, numa tarde ou noite.

Na Jamaica, Usain Bolt também pratica o cricket  |  foto: reprodução internet

Na Jamaica, Usain Bolt também pratica o cricket | foto: reprodução internet

A Jamaica começou a participar de competições first-class a partir de 1965-66, quando houve a primeira Shell Shield, em que disputavam países do Caribe (as West Indies). Posteriormente,  o torneio passou a se chamar Carib Beer Cup e hoje é o Regional Four Day Competition. Barbados é o maior campeão, com 19 títulos, porém, a Jamaica é o atual campeão e o país com maior número de títulos consecutivos (cinco).

Apesar de não participar individualmente de competições internacionais, pois, nesse caso um único time representa todo o Caribe, a Jamaica tem nomes brilhantes dentro do esporte como Jimmy Adams, Gerry Alexander, Jeff Dujon, George Headley, Michael Holding, Lawrence Rowe, Alfred Valentine, Courtney Walsh, Patrick Patterson e Frank Worrell.

Usain Bolt, o homem mais rápido da terra

Os olhos para Bolt e a Jamaica no ‘Rio 2016’

O esporte é um dos temas que tem dado à Jamaica grande destaque no noticiário mundial. Referência no atletismo, o país ostenta a condição de ter entre seus atletas o homem mais rápido da Terra: Usain Bolt.

Com seis recordes olímpicos e oito títulos mundiais na bagagem, o jamaicano é a estrela maior de um supertime de atletas, que conta ainda com outros grandes nomes deste esporte, como Asafa Powell, Yohan Blake e Shelly-Ann Fraser, entre muitos outros.

Shelly-Ann Fraser, estrela feminina do supertime de atletas velocistas da Jamaica

Shelly-Ann Fraser, estrela feminina do supertime de atletas velocistas da Jamaica

As Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, será uma grande oportunidade de ver os atletas jamaicanos e seu maior astro em ação.

“Meu objetivo nos Jogos do Rio é defender meus títulos Olímpicos de Pequim e Londres nos 100m, 200m e no 4x100m. Planejo me aposentar no fim da temporada de 2016 ou em 2017. Ainda não tinha olhado o calendário do Rio 2016, mas é bom saber (Bolt poderá se despedir dos Jogos Olímpicos no dia de seu aniversário de 30 anos, durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Rio 2016, em 21 de agosto) e espero ter muitas razões para comemorar”, disse o jamaicano, em entrevista ao site rio2016.com.

“Os brasileiros têm uma paixão enorme e criarão uma energia especial nos estádios e na cidade. Já fui ao Rio duas vezes. Tive muita sorte de fazer um passeio de helicóptero e poder ver a paisagem e as praias da cidade lá de cima. É um lugar maravilhoso. Espero que os Jogos do Rio sejam uma grande festa e estou ansioso para celebrar”, afirmou o velocista, que já faz planos para a sua aposentadoria: “Quando eu deixar o atletismo, vou dar um tempo nos treinamentos e me dedicar a alguns negócios e ao trabalho na Fundação Usain Bolt. Gostaria de tentar jogar futebol profissional também”, revelou o “raio” jamaicano.