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O cineasta, DJ e músico Don Letts. | foto: reprodução internet

Don Letts: do reggae ao punk, passando pelo cinema

Cineasta, DJ, músico. Se ainda parece pouco, vamos ao início da história, quando o rapaz de vinte anos era balconista de uma loja de roupas vintage. Don Letts, com seus longos dreadlocks, nasceu na Inglaterra. Filho de jamaicanos que deixaram a ilha em busca de uma vida melhor, gostava de reggae e dub, influência de seu pai, que trouxera consigo seu sound system.

O estilo de Don Letts: em 78 e nos dias de hoje.  |  fotos: reprodução internet

O estilo de Don Letts: em 78 e nos dias de hoje.

Era 1975 e o contador da loja Acme, na qual Don trabalhava, estava prestes a abrir – juntamente com outros sócios – aquele que viria a ser o principal ponto de encontro da cena punk que começava a nascer: The Roxy. Além de atender aos clientes da loja, Don Letts cuidava também da música do local – basicamente reggae – e era essa toda sua experiência como DJ. Mesmo assim, Andrew Czezowski, o tal contador, achou que ele levava jeito para a coisa e o convidou para ser DJ residente.

Eram poucos os discos de punk rock disponíveis no mercado nessa época, assim, Don tocava aquilo que mais gostava e conhecia, ou seja, dub e reggae. O público da casa também gostou e além das apresentações ao vivo de punk, The Roxy passou a ser também um lugar para ouvir música jamaicana.

Uma coisa leva a outra e Letts começou a registrar em super-8 o que via nas noites da Roxy. Tanto material acabou  gerando o documentário “Punk Rock Movie”, lançado em 1978. Além de outros documentários e inúmeros videoclipes de bandas, a carreira cinematográfica de Don Letts teve seu ponto alto em 1997, quando dirigiu, na Jamaica, “Dancehall Queen“.

Como DJ, Don aproximou-se de músicos como Johnny Rotten, do Sex Pistols e Mick Jones, do The Clash. Ambos tiveram grande importância na trajetória de Letts, por razões diferentes. Através de Rotten, foi para a  Jamaica pela primeira vez, como enviado da Virgin Records na busca de novos talentos (veja a história completa em “Johnny Rotten: caçador de talentos na Jamaica“). A viagem marcou sua vida, pois o colocou em contato com ídolos como Bob Marley, Burning Spear, Bunny Wailer e Peter Tosh.

Letts foi um dos vocalistas do BAD - Big Audio Dynamite.  |  foto: reprodução internet

Letts foi um dos vocalistas do Big Audio Dynamite.

Com Mick Jones, a história foi outra. Em 1984, pouco depois de sair do The Clash – com a qual Letts havia trabalhado em vários clipes – Mick formou uma nova banda, chamada Big Audio Dynamite (ou BAD) e convidou Don Letts para dividir os vocais e cuidar dos efeitos sonoros. A banda misturava gêneros como o punk, o reggae, a dance music, o hip hop e o funk. Sucessos como E=MC2, Contact e James Brown marcaram a carreira da banda.

Don Letts sempre foi muito ligado à musica jamaicana, especialmente com o reggae dos anos 1970, mais crítico e voltado às questões sociais. Atualmente, Don continua ativo no mundo musical através de seu programa semanal  de rádio na BBC6, tocando desde músicas mais antigas até lançamentos, de diversos estilos.

O pai de Don Letts, Duke Letts, foi DJ aos fins de semana, quando emigrou da Jamaica. Ele usava seu sound system para tocar rocksteady e bluebeat. Nesses momentos, após a igreja, a comunidade jamaicana podia se reunir e discutir seus problemas na nova terra. A conexão com a música continuou com Jet Letts, filho de Don, representante da terceira geração de DJs na família e produtor de dubstep, um estilo de música eletrônica que surgiu na Inglaterra.

Fiel à atitude do punk e, ao mesmo tempo, aos ideais do reggae, Don Letts é, sobretudo, alguém que acredita na cultura como forma de unir as pessoas. Mesmo que por acaso, deixou a vida de balconista para trás e dedicou-se a trabalhar com cultura, seja na música ou no cinema.

Assista ao documentário Superstonic Sound sobre Don Letts:

A série de quadrinhos Dread & Alive, do brasileiro Nicholas da Silva

Dread & Alive: quadrinhos com herói jamaicano

A música pode despertar interesses que muitas vezes não têm relação direta com o universo musical. Através da música, causas são defendidas, histórias são contadas, lugares são descritos e têm suas belezas exaltadas; aprende-se sobre o amor e a dor de perdê-lo; pessoas importantes ou apenas muito amadas são homenageadas ou apresentadas ao mundo. Há pessoas que tiveram os rumos de suas vidas transformados a partir de uma canção, ou de várias. Foi o que aconteceu com Nicholas da Silva.

Brasileiro, com nacionalidade americana e vivendo nos EUA, Nicholas teve uma vida cheia de mudanças. O trabalho do pai, como engenheiro, levou a família a viver em diferentes partes do mundo, com todos os ajustes e adaptações necessários. Exemplo de mistura racial, Nicholas têm ascendência africana, indiana e holandesa, além da brasileira. No entanto, através do reggae, começou a se interessar pela Jamaica, por sua história e suas origens. Quando criança, o pai o levava frequentemente à biblioteca. Nicholas gostava particularmente de ficção científica e sentiu falta de histórias com protagonistas de origem africana. Resolveu, então, criar suas próprias histórias.

O brasileiro Nicholas da Silva, autor da série de quadrinhos Dread & Alive.  |  foto: reprodução internet

O brasileiro Nicholas da Silva, autor da série de quadrinhos Dread & Alive.

Em suas pesquisas sobre a Jamaica, Nicholas ficou muito interessado nos Maroons de Accompong. Comunidade autônoma, existe na Jamaica até os dias atuais e tem origem nos primeiros Maroons, africanos fugitivos que escaparam dos colonizadores, aliaram-se aos nativos Taínos e passaram a viver isolados. Sua resistência à escravização e exemplo de independência inspiraram a imaginação de Nicholas. Somou o reggae que amava a tudo isso e criou o herói Drew Mcintosh e a lenda de Dread & Alive.

Do autor, Drew herdou o gosto por viajar e experimentar outras culturas. Já um dos temas mais importantes das histórias de Dread & Alive é a preservação do planeta e dos direitos de seus habitantes, especialmente de Cockpit Country, região da Jamaica onde vivem os Maroons. Quando criou Drew Mcintosh, Nicholas até cogitou metê-lo numa malha verde, ao estilo do Batman ou do Homem-Aranha. Felizmente, reconsiderou e o que se vê hoje é um herói que, fisicamente, se parece com um rastafári, usa dreadlocks e roupas iguais a de qualquer jovem.

Antropólogo, aventureiro e guerreiro da causa ecológica, Drew possui um amuleto que lhe confere poderes. Quando tinha apenas 15 anos, seu mentor, Cudjoe, lhe deu esse amuleto que renova sua energia e lhe dá força para lutar contra os inimigos. Drew não gosta de lutar, mas não quer que o mal vença e faz de tudo para proteger os habitantes da Terra, sejam eles humanos ou animais.

Antes de lançar Dread & Alive, o autor desenvolveu a série de quadrinhos Hitless, totalmente digital e compatível com o Sony PSP e o iPod. Lançada em 2007, a série incluía uma trilha sonora representando o tema da história. O trabalho foi sucesso instantâneo e ganhos diversos prêmios. Porém, Dread & Alive já estava em seus planos e, assim, foi lançada em 6 de fevereiro de 2010 – não por acaso, dia do aniversário de Bob Marley. Juntamente com o número 1, foi lançado o site em que Da Silva incluía uma seção musical recheada do que ele chama de reggae consciente.

Os personagens principais de Dread & Alive e alguns dos produtos comercializados pela empresa de Nicholas da Silva.  |  fotos: reprodução internet

Os personagens principais de Dread & Alive e alguns dos produtos comercializados pela empresa de Nicholas da Silva

Essa ligação dos quadrinhos com a música despertou o interesse do selo Soul of the Lion, especializado em projetos especiais e de apelo criativo. Trocando ideias, chegaram aos Lost Tapes, compilações musicais que servem como trilha sonora das histórias de Dread & Alive. Já são seis volumes, com muito reggae e dub, para ouvir enquanto se lê as histórias ou para lembrar delas enquanto se ouve.

Além de roteirista e desenhista, Nicholas da Silva é empresário. Dono da Zoolook, agência que criou em 1996 – inicialmente para divulgar seus próprios projetos. Hoje, os quadrinhos e a música dão suporte a uma variedade de produtos ligados à série, que vão de simples camisetas a skates com imagens da saga.

A música mudou a vida de Nicholas e ele, com suas histórias e as canções que escolhe para acompanhá-las, está ajudando a mudar a cabeça das novas gerações, trazendo a elas valores que, se bem aprendidos, poderão mudar o mundo. Que assim seja!

Assista ao promo Dread & Alive’s The Lost Tapes – volume 5:

O romancista Marlon James, ganhador do Man Booker Prize 2015. | foto: reprodução internet

A Jamaica é destaque também na literatura

2015 está chegando ao fim e tem sido um ano importante para a Jamaica. Começou com as comemorações do aniversário de 70 anos de Bob Marley, em fevereiro, e passou por conquistas inéditas em esportes nos quais a Jamaica tem pouca ou nenhuma projeção, como o tênis (com Dustin Brown), o futebol (desempenho da seleção na Copa América e na Copa Ouro) e a natação (com Alia Atkinson). No último mês de outubro, foi a vez da Jamaica virar notícia através da literatura.

O escritor e a capa de “Brief History of Seven Killings”  |  fotos: reprodução internet

O escritor e a capa de “Brief History of Seven Killings”

Marlon James, um escritor jamaicano de 45 anos, foi o vencedor do Man Booker Prize, prêmio literário concedido anualmente ao melhor romance publicado em inglês. O Man Booker é o principal prêmio da literatura britânica e um dos mais importantes mundialmente. Desde 2014, a premiação passou a considerar autores de qualquer país, desde que a obra tenha sido escrita originalmente em inglês e publicada no Reino Unido.

O romance “Brief History of Seven Killings” é o terceiro da carreira da Marlon James. Com cerca de 700 páginas, o livro trata de um episódio acontecido na Jamaica, em 1976: uma tentativa de assassinato contra Bob Marley e sua equipe, justamente antes de um show em prol da paz, em Kingston. Política, conflitos sociais e raciais são tratados no livro com certa dose de humor e através de inúmeros personagens.

Curiosamente, a narrativa é feita por 15 desses personagens. A cada capítulo, uma surpresa, pois o leitor nunca sabe quem será o próximo a contar a história. Nenhum deles, no entanto, é Bob Marley. Mesmo estando no centro da trama, seu nome não é sequer mencionado, sendo tratado sempre por “The Singer” (O Cantor).

Jornal destaca o atentado sofrido por Bob Marley.  |  fotos: reprodução internet

Jornal destaca o atentado sofrido por Bob Marley.

A história do próprio autor é também singular. Nascido em Kingston, é filho de mãe detetive e pai advogado, o que, de certa forma, lhe credencia a desenvolver boas histórias policiais. Na prática, porém, apenas neste último trabalho a temática policial entrou em cena. Seus dois romances anteriores (“John Crow’s Devil” e “The Book of Night Women”) eram romances de época, voltados a aspectos históricos da Jamaica.

Comum na trajetória da maioria dos escritores, a persistência foi uma das qualidades fundamentais para o sucesso de James. Seu primeiro romance foi rejeitado exatas 78 vezes antes de ser publicado. Talvez mais uma semelhança entre brasileiros e jamaicanos, pois, pelo visto, eles também não desistem nunca.

Apesar da premiação, que deverá alavancar ainda mais o sucesso do livro, a obra foi criticada – especialmente no Reino Unido – por utilizar gírias jamaicanas e também norte-americanas, do Harlem, além de palavrões. Para dificultar ainda mais a vida dos críticos, há um capítulo inteiro escrito em patois, o dialeto jamaicano. No Brasil, a Editora Intrínseca adquiriu os direitos do livro, mas ainda não há previsão do lançamento em português.

E como Jamaica sempre tem a ver com a música, o jornal britânico The Guardian pediu a James que elaborasse uma playlist relacionada ao livro. São cinco canções que, segundo o autor, abrangem os 15 anos em que a história se passa. Se você não consegue esperar pela edição nacional, leia em inglês, ouvindo abaixo as sugestões de Marlon James:

Arleen, do General Echo: um reggae dos anos 1970, que fala sobre o esquema de segurança domiciliar, comum na ilha naqueles tempos;

Under Me Sleng Teng, de Wayne Smith: espécie de dancehall caseiro, do início dos anos 1980;

The Bridge is Over, de Boogie Down Productions: hip-hop americano com conexão jamaicana, de meados dos anos 1980;

Mr. Loverman, de Shabba Ranks: canção que marca o renascimento do dancehall, no final dos anos 1980;

Ghetto Red Hot (remix), do Super Cat: um impressionante híbrido de hip-hop e dancehall, lançado no início dos anos 1990.

SuperHeavy: Damian Marley, Dave Stewart, Mick Jagger, A. R. Rahman e Joss Stone. | foto: divulgação

World a Reggae: Um supergrupo musical chamado SuperHeavy

Basicamente, vejo duas possibilidades para a formação de supergrupos musicais – aqueles em que pelo menos um ou dois integrantes são oriundos de outras bandas de sucesso ou já possuem uma sólida carreira solo. A primeira é que a vida de popstar é meio enfadonha e, de repente, o cara acorda agoniado, com vontade de fazer algo diferente. Daí, liga para uns amigos igualmente famosos e entediados e pronto.

O SuperHeavy reuniu rock, blues, pop, soul, jazz e reggae. | foto: divulgação

O SuperHeavy reuniu rock, blues, pop, soul, jazz e reggae.

A segunda é que o artista tem múltiplas facetas que nem sempre podem ser exploradas em seu status atual como membro de uma banda ou em sua própria carreira solo. Então, surge a ideia de um novo projeto. Ele entra em contato com outros músicos que conheceu ao longo da carreira e eles topam a empreitada. Além de mais glamourosa e de, certamente, render boas respostas nas coletivas de imprensa, é o que acontece muitas vezes.

Essas reuniões de feras geram resultados bem interessantes. Aqui no Brasil, o caso mais famoso e o único de que me lembro é o dos Tribalistas – Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte. Marisa foi gravar uma participação no disco de Arnaldo, que estava sendo produzido por Brown. Conversa vai, conversa vem, em pouco tempo já tinham canções suficientes para um disco.

Tudo isso aconteceu em 2002, o álbum vendeu mais de 1,5 milhão de cópias só no Brasil e os três nunca fizeram uma grande turnê. Apesar do enorme sucesso de músicas como Já Sei Namorar e a linda Velha Infância, cada um dos três continuou sua própria carreira, em sua própria tribo.

Mundo afora a lista de supergrupos é enorme, desde os mais antigos como Cream, de Eric Clapton, passando por Emerson, Lake and Palmer, Temple of the Dog e Foo Fighters – este último, inclusive, mais duradouro do que os grupos de origem, como o Nirvana.

Encontro histórico: Bob Marley, Mick Jagger e Peter Tosh.  |  foto: reprodução internet

Encontro histórico: Bob Marley, Mick Jagger e Peter Tosh.

Em 2011 surgiu o SuperHeavy,  formado por Mick Jagger, Joss Stone, Dave Stewart (Eurithmics), A. R. Rahman (produtor de trilhas sonoras) e Damian Marley. Analisando em partes dá para encontrar se não similaridades, pelo menos intersecções entre seus trabalhos. Mick Jagger é puro rock, mas também blues e pop. Joss Stone faz mais a linha soul e R&B, mas também é blues e jazz. Dave Stewart é pop rock, Rahman é um músico indiano e Damian Marley é reggae, claro!

A história é mais ou menos assim: Dave Stewart comprou uma casa na Jamaica. Ouvia muita música vinda das ruas e ficou inspirado para começar algo novo. Queria misturar estilos, pensou em juntar orquestração indiana que ele e Jagger já curtiam.

Mick Jagger, por sua vez, já flertava com o reggae desde os anos 1960, quando dançava nos clubes jamaicanos, em Londres. Lá, ele conheceu Bob Marley quando este gravava “Catch A Fire”, com The Wailers – seu primeiro disco pela Island Records, de Chris Blackwell. Finalmente, em 1978, Jagger e Peter Tosh fizeram um dueto na versão reggae da canção Don’t Look Back, dos The Temptations (assista abaixo).

Em 2004, no remake do filme “Alfie”, com Jude Law no papel principal, Jagger e Stewart produziram a trilha sonora e participaram de várias canções. Uma delas, Old Habits Die Hard, foi a vencedora do Globo de Ouro 2005, na categoria de melhor canção original. Joss Stone também participou em duas faixas dessa trilha.

Joss Stone e Damian Marley: parceria além do SuperHeavy. | foto: reprodução internet

Joss Stone e Damian Marley: parceria além do SuperHeavy.

Anos depois, em 2009, Joss Stone, dona de uma bela voz feminina, participou do disco “Y Not”, do beatle Ringo Starr. Dave Stewart também trabalhou nesse disco e talvez aí tenha surgido mais uma conexão. Em 2011, Stewart foi o produtor do quinto álbum de Joss, “LP1”.

Muito incentivada por Damian Marley, seu companheiro de SuperHeavy, Joss Stone lançou, no último mês de julho, um álbum de reggae chamado “Water For Your Soul”. Damian participou como co-produtor e também em alguns vocais e letras. Ouça acima playlist especial com algumas das principais faixas do disco.

A. R. Rahman, cuja carreira na Índia já era um sucesso, levou nada menos que dois Oscar em 2009, pela melhor trilha sonora original e melhor canção original do filme “Quem Quer Ser um Milionário?”. Por fim, Damian veio para representar a Jamaica e arrematar esse quebra-cabeça musical.

Feitas as análises e voltando ao SuperHeavy, foram dois anos de trabalho secreto, até o lançamento do álbum de mesmo nome do grupo, em 2011. Eles se reuniam em Los Angeles com o objetivo de “escrever canções que tivessem significado”. Miracle Worker foi a primeira faixa lançada como single e também num clipe no YouTube.

Não houve consenso nem de crítica, nem de público. Apesar do álbum ter ficado entre os 30 primeiros no Billboard 200, faltou divulgação e as vendas foram fracas: apenas 33.000 cópias no lançamento. Gostoso de ouvir e com músicas bem elaboradas, o álbum não decolou. Talvez, dizem alguns, tenha se perdido na vontade de ser tudo para todos. Talvez, penso eu, tenha sido um projeto de músicos para músicos: foi prazeroso e divertido fazer. Não fez sucesso? Paciência, vamos em frente.

Assista ao clipe “Miracle Worker”, do SuperHeavy:

Alpha Blondy & The Solar System | foto: Alan Alves

Brasil e África numa noite de celebração à música da Jamaica!

Em pouco menos de um ano de projeto, já virou rotina: se é um grande show, o Jamaica Experience marca presença! E assim foi mais uma vez, com a recente passagem de Alpha Blondy pelo Brasil. Acompanhado de sua espetacular banda The Solar System, este ícone africano do reggae conquistou a plateia que lotou a Audio Club, em São Paulo, com um repertório cheio de grandes hits e seu carisma habitual.

A OBMJ botou todo mundo pra dançar ao som de vários clássicos brasileiros, tocados em ritmo jamaicano! | foto: Alan Alves

A OBMJ botou todo mundo pra dançar ao som de vários clássicos brasileiros, tocados em ritmo jamaicano!

Para quem já conhecia o show, uma ótima oportunidade de relembrar os clássicos e conhecer as músicas de seu novo álbum, “Positive Energy”. Para os que ainda não conheciam, a alegria de estar pela primeira vez à frente daquele grande artista e de músicos impecáveis, que transbordaram vibrações positivas e transformaram aquela noite em uma grande e inesquecível festa. Um show para ver, rever e deixar registrado para sempre na memória! Clique aqui e confira um álbum de fotos do show em nossa fanpage no Facebook!

A festa também contou com os cariocas do Dub Ataque, com o folk do britânico Marky Kelly e com aquela que, para os verdadeiros amantes da música jamaicana de raiz, era a grande sensação da noite: a Orquestra Brasileira de Música Jamaicana. Um timaço de músicos instrumentistas, liderados por Felippe Pipeta e Sergio Soffiatti, que botam todo mundo pra dançar num baile ao mesmo tempo “divertido e educativo”, nas palavras dos próprios idealizadores.

E o Jamaica Experience aproveitou o momento para saber mais sobre esse projeto incrível! Nesta entrevista exclusiva para a nossa apresentadora Magá Moura, Felippe Pipeta e Sergio Soffiatti, os criadores da OBMJ, contam como surgiu a banda, falam das suas principais referências sonoras e traçam paralelos bem interessantes entre a música brasileira e a jamaicana, com suas similaridades de raiz e de ritmos. Uma pequena aula, à qual todo apreciador de música jamaicana deveria assistir.

Este é mais um conteúdo inédito e com o selo de qualidade Jamaica Experience. Assista, comente, compartilhe com seus amigos e nos ajude a fortalecer esta rede em prol da legítima cultura jamaicana em nosso país.

Por aqui, seguimos na missão! Mais novidades em breve…

Assista à cobertura do show + entrevista exclusiva para o Jamaica Experience:

foto: divulgação

World a Reggae: Snoop Lion, o novo camaleão da música

Excelente observador – capaz de mover cada um dos olhos para um lugar, ao mesmo tempo – o camaleão é um réptil cuja principal característica é o mimetismo. Fora do campo da biologia, camaleão é aquele que adapta seu comportamento e características conforme o ambiente. No universo da música, dois exemplos clássicos são David Bowie, considerado o camaleão do rock e Madonna, sua versão feminina no quesito transformação.

Calvin Cordozar Broadus Jr. também pode ser incluído na mesma espécie. Ele já foi Snoop Doggy Dogg, Snoop Dogg e até Snoopzilla, além, é claro, da fase Snoop Lion. A mudança não foi apenas no nome, mas também no estilo musical, que passou a ser o reggae, gênero do qual tanto falamos por aqui.

Quando o então Snoop Doggy Dogg começou sua carreira, em 1992, era um rapper e participou do disco “The Cronic”, de Dr Dre, antes de lançar seu primeiro álbum no ano seguinte. “Doggystyle” foi um sucesso, liderando as paradas e vendendo milhares de discos. Suas letras, sempre recheadas de muita violência, encontravam eco em sua própria vida. Snoop chegou a ser preso várias vezes, sendo uma delas sob acusação de participar de um assassinato.

Snoop Doggy Dogg, Snoop Dogg , Snoop Lion, Snoopzilla: as várias faces do camaleão Calvin Cordozar Broadus Jr.  |  fotos: reprodução internet

Snoop Doggy Dogg, Snoop Dogg , Snoop Lion, Snoopzilla: as várias faces do camaleão Calvin Cordozar Broadus Jr.

Calvin personificava a imagem do gangsta rap, posava com armas, abusava das drogas e foi cafetão. Entre 1993 e 2011, lançou um total de 19 discos e atuou no cinema em filmes como “Baby Boy – O Dono da Rua”, “Dia de Treinamento” e “Confusões no Lava-Jato”.

Em 2012, Snoop viajou para a Jamaica, onde converteu-se ao movimento rastafári e, por sugestão de um religioso local, assumiu o nome Snoop Lion. Como reflexo dessa mudança, Snoop gravou o álbum “Reincarnated” – com produção do Major Lazer. A violência passou a ser combatida nas letras, assim como a luta entre gangues. Snoop Lion se dizia a reencarnação de ninguém menos do que Bob Marley.

Snoop Lion: autenticidade ou jogada de marketing?  |  foto: reprodução internet

Snoop Lion: autenticidade ou jogada de marketing?

Apesar de quase totalmente gravado na Jamaica e de contar com inúmeras participações especiais nas diversas faixas, em nenhuma delas há um representante rastafári jamaicano. Talvez  isso tenha irritado Bunny Wailer, que acusou Snoop de “uso fraudulento de personalidades e símbolos rastafáris”. Praticamente uma excomunhão, via Facebook.

De qualquer forma, “Reincarnated” acabou resultando num disco pop agradável, com referências de roots reggae e dancehall. Foi indicado para o Grammy de melhor disco de reggae, mas perdeu para “Revelation Part 1: The Root of Life”, de Stephen Marley.

Uma das melhores faixas, coincidentemente, é Lighters Up, que conta com as participações jamaicanas da banda Tivoli Gardens Drum Corp e dos artistas de dancehall Mavado e Popcann. Já em Ashtrays and Heartbreaks, um pop reggae, quem participa é outra candidata a mutante da música, Miley Cyrus.

Além do álbum, a viagem gerou também um documentário e um livro de fotos, ambos registrando a experiência e a transformação. Na sequência, Snoop criou o pseudônimo Snoopzilla para um novo projeto, e não se sabe se Snoop Lion encerrou totalmente as atividades ou se ainda pode voltar a gravar. Tudo depende de como Calvin enxergar o futuro.

Ouça abaixo o álbum “Reincarnated”, de Snoop Lion:

arte: Michael Thompson | Freestylee

A arte sem fronteiras de Michael ‘Freestylee’ Thompson

Arte é para ser apreciada e ponto. Mas, quando a arte está associada a abrir os olhos das pessoas sobre o que está acontecendo no mundo, quando o artista usa sua criatividade na busca de mudanças positivas e faz de sua arte um instrumento de ativismo de paz, apreciar apenas é pouco.

O artista jamaicano Michael 'Freestylee' Thompson  |  foto: divulgação

O artista jamaicano Michael ‘Freestylee’ Thompson

O trabalho do jamaicano Michael Thompson, além de instigante, tem muita beleza. Michael Thompson é designer gráfico. Ele nasceu em Kingston, Jamaica, e desde 1990 mora nos EUA. Mais precisamente na pequena Easton, na Pensilvânia, numa área semirrural onde ele pode criar tranquilamente, longe da pressão dos grandes centros. Também conhecido como Freestylee, Thompson foi bastante influenciado pelo artista rastafári Ras Daniel Hartman – o mesmo que fez o papel de Pedro, no filme “The Harder They Come”, com Jimmy Cliff.

Os trabalhos de Ras Daniel lhe trouxeram referências e tradições do movimento rastafári que, nos anos 1970, começavam a florescer na cultura popular jamaicana. Em 1978, Freestylee venceu um concurso de pôsteres na Jamaica e integrou a delegação jamaicana que participou do 11º Festival Mundial da Juventude, em Havana, Cuba. Segundo ele, essa visita foi uma experiência transformadora e uma tremenda oportunidade. Entre 1965 e 1975, Cuba vivera sua “época de ouro” do design, com grande produção de pôsteres com conotações políticas, especialmente aqueles produzidos pela OSPAAAL – Organização de Solidariedade aos Povos da Ásia, África, e América Latina – liderada por Che Guevara.

A ideia central dos trabalhos cubanos e que permeia a arte de Thompson é de que “simples é melhor” e o foco está na mensagem. Sua arte é moderna, icônica e sempre com fortes mensagens sociais ou políticas. Os temas são variados: pobreza, racismo, políticas migratórias e muito, muito, sobre a cultura jamaicana. Desde os gêneros musicais e seus representantes, passando pelos símbolos rastafári e elementos urbanos retrô, que remetem à sua adolescência na Jamaica. Freestylee já obteve reconhecimento internacional, com exposições em vários países europeus e trabalhos publicados em importantes revistas de design. Agora, seguindo os princípios semeados pelo reggae e pelo movimento rastafári, Michael Thompson quer devolver à comunidade e ao mundo um pouco do que conquistou.

Em 2011, juntamente com a artista grega Maria Papaefstathiou, criou o International Reggae Poster Contest, um concurso anual de pôsteres com temática ligada não somente ao reggae, mas aos gêneros musicais jamaicanos, como o ska, rocksteady, dub etc. O concurso tem dois objetivos: o primeiro é iniciar uma campanha para a construção de um Reggae Hall of Fame, em Kingston, um misto de museu e local para apresentações musicais, uma espécie de meca para os amantes do reggae. O segundo é conscientizar a respeito da importância da Alpha Boys School – uma escola vocacional por onde passaram astros como Desmond Dekker e Yellowman – e que precisa de todo tipo de suporte.

As ideias de Michael Thompson são grandes, não cabem em divisões políticas, são globais. A Primavera Árabe, o Occupy Movement, o terremoto no Haiti, são alguns dos temas que ele explorou, emprestando sua criatividade na busca do que considera correto e justo. Por isso ele é Freestylee: um artista sem fronteiras. Conheça mais trabalhos do artista em seu site oficial, onde eles estão à venda em formato de pôster com altíssima qualidade de impressão.

Confira a seguir um pouco da arte de Michael ‘Freestylee’ Thompson:

 

 

fotos: reprodução internet | arte: Jamaica Experience

Johnny Rotten: caçador de talentos na Jamaica

Johnny Rotten era um admirador confesso do reggae jamaicano.  |  foto: reprodução internet

Johnny Rotten era um admirador confesso do reggae jamaicano.

Ele já tinha ajudado a criar o punk rock, já tinha feito parte de muita controvérsia e confusão na Inglaterra. Então, veio a turnê derradeira nos EUA e os Sex Pistols chegaram ao fim. Johnny (Rotten) Lydon estava cansado. Richard Branson, o fundador da Virgin Records, estava ávido por novos nomes para seu selo e convidou Johnny, o cineasta e DJ Don Letts, o fotógrafo Dennis Morris e a jornalista Vivien Goldman para fazerem uma viagem à Jamaica. O objetivo era simples, usando seu faro e sua paixão pelo reggae, John Lydon tinha a tarefa de encontrar talentos que pudessem assinar com a Virgin. Basicamente, estava sendo contratado como um olheiro.

O grupo desembarcou na Jamaica em 1978, quando uma certa mistura de punk, dub e reggae já começava a surgir na Inglaterra. Por lá, havia uma conexão entre irlandeses e imigrantes jamaicanos, ambos considerados cidadãos de segunda classe. Johnny não é irlandês de nascimento, mas como filho de irlandeses teve grande afinidade com os jamaicanos e vice-versa.

Segundo Don Letts, os rastas amavam John. Sabiam de seu sucesso e compreendiam os problemas que vinha enfrentando. Além do mais, Johnny contava com sua vibe que atraía as pessoas. John Lydon já curtia reggae em Londres, frequentava sessões de sound system na cidade e, mentalmente, já tinha um esboço do que viria a ser o PIL (Public Image Ltd.), sua nova banda.

O hotel Sheraton, onde ficaram hospedados, tinha um bar frequentado por artistas como Peter Tosh, Gladiators, The Abyssinians, I-Roy e U-Roy, Tapper Zukie and The Tamlins, Jah Lion, Prince Hammer, Johnny Clarke, John Holt, Robbie Shakespeare, Sly, Chinna, Bim Sherman, Lee Perry, Inner Circle, Prince Mahmoud, Big Youth, The Congos… Segundo Vivien Goldman, era como se estivessem dando uma olhada na sua coleção de discos.

Depois de muitas conversas e muitas noitadas, artistas como Prince Far I, Big Youth, Prince Hammer, Tappa Zukie, Sly Dunbar e The Twinkle Brothers passaram a fazer parte do time Virgin. Em Londres, punk e reggae andavam ainda mais juntos, contra o racismo. Um show do The Clash e Steel Pulse reuniu uma multidão de 80.000 pessoas.

Ao longo dos anos 1980, contudo, os ideais ficaram mais diluídos e grupos como The Police e Culture Club, influenciados pelo reggae, tornaram-se bandas do cenário pop britânico. Para tristeza de Don Letts, apesar de ainda  hoje continuarem existindo o racismo, as greves e a recessão, que ajudaram a gerar o punk, nada de significativo tem acontecido em termos musicais. Talvez esteja faltando um olheiro do calibre de Johnny Rotten para encontrar novas estrelas.

Assista ao documentário sobre o tema, com a participação de Johnny Rotten:

Reggae Shark: um dos sucessos do canal do YouTube "Barely Political". | foto: reprodução internet

Reggae Shark: um astro jamaicano na web

A velocidade dos negócios relacionados à internet é impressionante. O canal “Barely Political”, por exemplo, foi criado em junho de 2007,  por Ben Relles. A estreia do canal foi com o vídeo “I Got a Crush… on Obama”, que acabou se tornando viral. Em outubro do mesmo ano, o canal foi vendido para a Next News Network e em 2011 foi adquirido pelo YouTube. Hoje, “Barely Political” é um dos 36 canais do YouTube a ultrapassar os 2 bilhões de visualizações e tem mais de 4 milhões de assinantes.

Sucesso do Reggae Shark é tanto que já há até camisetas do personagem à venda.  |  foto: reprodução internet

Sucesso do Reggae Shark é tanto que já há até camisetas do personagem à venda.

Além de sátiras políticas, caminho por onde começou, o canal também faz paródias de celebridades, cultura pop e de memes da internet. Entre as séries que produz, “Key of Awesome” é uma das mais bem sucedidas. Ao contrário do que acontece com a maioria dos YouTubers, o pessoal do “Barely”, como o escritor e ator Mark Douglas, é mais velho (na faixa dos 40 anos) e veio de outras áreas, como stand up comedy.

E por que resolvemos falar desse assunto no site do Jamaica Experience? Simples, o “Key of  Awesome” tem três vídeos muito legais relacionados à Jamaica: “Reggae Shark”, “Reggae Shark Returns” e “Reggae Sharknado”. Em todos eles, que são animações, o personagem principal é um tubarão que vive nos mares da ilha. O primeiro vídeo conta sua origem e como ele se tornou um herói local, combatendo a corrupção. O segundo faz uma analogia com os músicos e artistas que deixaram a Jamaica para fazer carreira nos EUA. Já no terceiro, ele é chamado a combater uma espécie de “tornado de tubarões” que ameaça a sobrevivência de toda uma população, numa clara referência à franquia “Sharknado”, produzida pelo canal de TV americano SyFy. Diversão, crítica e um pouco de reggae.

Para quem gosta de música e de rir um bocado, há sátiras bem engraçadas de clipes da Rihanna, Lady Gaga, Maroon 5 e um bem famoso, da cantora americana Kesha. Uma boa dica para se divertir sozinho ou com os amigos.

Assista abaixo à playlist com os três episódios da websérie lançados até aqui:

foto: divulgação Leões de Israel | ilustração: Hiro Kawahara

Projeto brasileiro de reggae inclui as crianças

Seguindo o exemplo de  “The Disney Reggae Club”, “B Is For Bob” e “Family Time” – sobre os quais falamos em “Reggae: música boa (também) para crianças” – a banda brasileira Leões de Israel está lançando o projeto Reggae Little Lions, dedicado aos pequenos.

Leões de Israel: banda já acumula quatorze anos de estrada.  |  foto: divulgação Leões de Israel

Leões de Israel: banda já acumula quatorze anos de estrada.

A banda, uma das mais importantes no cenário do reggae nacional, existe desde o ano 2000, tendo lançado três álbuns. Além de várias turnês pelo Brasil, em 2006 os Leões de Israel participaram do “Rebel Salute Festival”, na Jamaica. Uma honra, pois foi a única banda brasileira de reggae a ser convidada em toda história do festival. A banda vem conquistando seu espaço e já acompanhou cantores como Gregory Isaacs, Clinton Fearon, Max Romeo e Marcia Griffiths.

Foi durante um show no Centro Cultural, em São Paulo que a ideia do projeto surgiu. Na ocasião, havia muitas crianças curtindo o show, cantando e dançando. Percebendo a energia das crianças e sua identificação com a sonoridade das músicas, Edu Sattajah, baixista e Thyago Braulio, produtor, começaram a pesquisar e não encontraram por aqui nada semelhante aos projetos internacionais, destinados às crianças.

Edu Sattajah, um dos idealizadores do Reggae Little Lions.  |  foto: divulgação

Edu Sattajah, um dos idealizadores do Reggae Little Lions.

O grupo quis ir além e elegeu a acessibilidade como um dos diferenciais do projeto. Assim, o show Reggae Little Lions terá tradução em LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais, utilizada para a comunicação dos deficientes auditivos) e também um “shake”, espécie de plataforma que transmite a vibração das ondas sonoras, permitindo que o público possa, de fato, sentir a música.

Para dar ainda mais graça a essa ideia tão legal, o ilustrador Hiro Kawahara (autor, entre outros trabalhos, de muitas toalhinhas de bandeja do Mc Donald’s) criou um pequeno leão para ser o símbolo do projeto. Tudo muito bem pensado e feito com carinho e respeito.

É isso. Boas ideias devem mesmo ser imitadas e, se possível, aprimoradas. Nesse caso, todas as crianças e em especial aquelas com deficiência auditiva, serão incluídas e beneficiadas. O show será gratuito e acontecerá no próximo dia 7 de junho, às 16 horas, na Praça Victor Civita, em Pinheiros, São Paulo.

Local: Praça Victor Civita
Endereço: Rua do Sumidouro, 580 – Pinheiros, São Paulo – SP, 05428-070
Telefone: (11) 3031.3689
Como chegar: ao lado do Terminal Pinheiros (Rua Gilberto Sabino, s/n – Pinheiros), da Estação Pinheiros do Metrô (Linha 4 – Amarela) e da Estação Pinheiros da CPTM (Linha 9 – Esmeralda).

Ouça à playlist com músicas da banda Leões de Israel: