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fotos: reprodução internet / divulgação Caribbean Fashion Week

A Jamaica é fashion!

Nos anos 1980 e 1990, a indústria da moda na Jamaica foi bastante incentivada. O setor representava oportunidades de trabalho para mulheres e investiu-se em treinamento especializado. Porém, esses postos de trabalho acabaram dando lugar à terceirização, em locais onde a mão de obra era mais barata. Houve um retrocesso e, como em tantas outras áreas, a Jamaica voltou a depender basicamente da importação.

O cenário mudou bastante a partir dos anos 2000 e a ideia é tornar a Jamaica o centro de moda do Caribe. Nada de apenas montar e costurar peças criadas por designers estrangeiros, a palavra de ordem é investir em toda cadeia produtiva, desde os tecidos e costureiras, passando pela formação de criadores de moda e modelos. O foco está em criar uma moda própria, identificada com o país e que possa ser reconhecida e comercializada internacionalmente.

Algumas das modelos caribenhas do casting da agência jamaicana Saint International, sediada em Kingston.  |  foto: divulgação Saint International

Algumas das modelos caribenhas do casting da agência jamaicana Saint International, sediada em Kingston.

Fundada em 2000, pelo ex-bancário Deiwght Peters, a Saint International foi a primeira agência de modelos do Caribe e hoje tem entre seus clientes marcas como Calvin Klein, Louis Vuitton, Diane von Furstenberg e Marc Jacobs. Além de administrar a carreira de belas modelos internacionais, a agência é responsável, também, pelos maiores e melhores eventos de moda do Caribe, como Model Icon, Fashion Face of the Caribbean e Style Week Jamaica.

A Style Week Jamaica terá este ano sua décima edição, que acontecerá em maio, nos dias 19, 21, 23 e 24. Como já é tradicional, a semana de moda na Jamaica termina de forma bem democrática: na rua. O Fashionblock transforma a Knutsford Boulevard, uma das vias principais de New Kingston, em uma enorme passarela ao ar livre. O público pode assistir aos desfiles de graça, basta garantir um bom lugar.

Outro importante evento de moda é a Caribbean Fashion Week. Realizada anualmente em Kingston, completa este ano quinze edições. Além de trazer estilistas consagrados e novos talentos, muitas comemorações estão previstas: bailes de gala, workshops e apresentações de celebridades como Billy Ocean – aquele que fez grande sucesso nos anos 1980, com Suddenly e Caribbean Queen. A Caribbean Fashion Week acontecerá entre os dias 9 e 15 de junho.

Se quiser ficar por dentro da moda jamaicana, veja acima as coleções de alguns dos estilistas que participaram da Caribbean Fashion Week no ano passado, como Cedella Marley, Denise Katz, Jehan Jackson e Juliette Dyke.

Assista ao desfile da coleção de Kevin O’Brian no Style Week Jamaica 2014:

foto: Anthony Webb | divulgação Magá Moura

Magá Moura, a profissional que veio do futuro

Magá: da Bahia para o mundo.  Foto: Alex Batista  |  divulgação Magá Moura

Magá: da Bahia para o mundo.

Um sábio amigo me disse, certa vez, que não se preocupava com a escolha profissional do filho, na época, com uns 10 anos de idade. Segundo ele, o mundo tem mudado de forma tão rápida que, muito provavelmente, a profissão a ser escolhida pelo menino ainda nem tivesse sido inventada.

Pois é, foi exatamente o que senti, quando fui incumbida de escrever a respeito de Magá Moura. Além de relações públicas, a moça, baiana de 26 anos e radicada em São Paulo há 17, é coolhunter. Numa tradução livre, uma caçadora de tendências, uma espécie de pesquisadora do futuro.

Diferentemente do que muitos pensam, a profissão não se restringe apenas ao mundo da moda. De acordo com Sabina Deweik, do instituto de pesquisas de tendências de consumo Future Concept Lab, “o coolhunter é um pesquisador que observa em 360 graus o que está acontecendo de novos comportamentos em uma determinada região. Para isso, ele observa várias áreas.”

No último mês de agosto, Magá lançou seu website, o Magá Moura – Life & Style. A moda está presente, seja falando sobre acessórios que ela comprou numa feirinha, em Londres, ou sobre o estilo de alguém que ela conhece. Mas há outros assuntos bem legais, como novos aplicativos e arte de rua. O propósito do site é compartilhar as experiências cotidianas de Magá e, através delas, inspirar os visitantes a viverem suas próprias experiências.

Magá Moura e suas diversas facetas.  |  foto: divulgação Magá Moura

Magá Moura e suas diversas facetas. | foto: divulgação Magá Moura

Mais do que apenas se vestir de maneira marcante, ser um coolhunter significa bater muita perna e observar, observar muito e registrar o máximo possível, em fotos. Agora, para chegar a conclusões a partir do que viu por aí, é preciso ter embasamento, ler muito, estudar, viajar (sempre que possível). Magá, por exemplo, esteve na London Fashion Week, em setembro. Ela já aceitou o convite do Jamaica Experience e pretende, em breve, visitar a Jamaica, onde cobrirá dois aspectos específicos: Lifestyle e Nightlife.

Assunto não vai faltar! Na música, a Jamaica já é uma referência, uma forte influência para diversos artistas, de várias partes do mundo. Da mesma forma, no esporte, com seus atletas de grande destaque mundial. Mas e as artes, o grafite nas ruas, a maneira de se vestir no dia a dia da ilha? E as festas, como se divertem os jamaicanos nos dias ensolarados e nas noites quentes? Então, fica combinado: quando Magá voltar da Jamaica, mostraremos tudo para vocês!

foto: reprodução internet

Jamaicanos famosos, parte dois: difícil escolher…

Há pouco falamos a respeito de alguns jamaicanos ilustres, que fizeram sucesso em áreas que não o esporte e a música. A lista é tão extensa, surpreendente e interessante, que não pudemos resistir e  resolvemos trazer mais algumas histórias.

Grace Jones, por exemplo, nasceu na Jamaica e morou lá, com os avós, até os 13 anos de idade. Foi quando ela e seus familiares mudaram para Nova Iorque, onde seus pais trabalhavam. Muito tímida e magra, sofria bulling na escola, porém, compensava saindo-se muito bem nos esportes. Aos 18 anos, iniciou a carreira de modelo, nos EUA, e em 1970, aos 22, mudou-se para Paris. Sua aparência andrógina fez grande sucesso na cena parisiense e Jones desfilou para Yves St. Laurent e Kenzo e foi capa de revistas como Elle e Vogue. Em Paris, Grace Jones dividia apartamento com Jerry Hall (ex-mulher de Mick Jagger) e Jessica Lange (atriz de King Kong, 1977).

O visual andrógino de Grace Jones foi uma grande influência no movimento "power dressing" dos anos 80 | fotos: reprodução internet

O visual andrógino de Grace Jones foi uma grande influência no movimento “power dressing” dos anos 80 | fotos: reprodução internet

Em 1977, Grace Jones assinou contrato com a Island Records e fez grande sucesso com músicas disco. Após lançar 3 álbuns nesse estilo (“Portfolio”, “Fame” e “Muse”), Jones embarcou no New Wave, lançando os álbuns “Warm Leatherette” (1980) e “Nightclubbing” (1981). Por essa época, adotou o visual com o qual ficou mais conhecida, o corte de cabelo em formato quadrado e roupas acolchoadas.

Grace Jones ao lado de Arnold Schwarzenneger em "Conan, o Destruidor" | foto: divulgação

Grace Jones ao lado de Arnold Schwarzenneger em “Conan, o Destruidor” | foto: divulgação

Em 1984, novos rumos: Grace Jones atuou no filme “Conan, o Destruidor”, com Arnold Schwarzenneger e, no ano seguinte, em “007, A View to a Kill”. Em ambos os casos, foi indicada como melhor atriz coadjuvante.

Grace Jones retomou sua carreira musical e lançou diversos outros discos, sendo o mais recente “Hurricane”, de 2008.

Harry Belafonte, hoje um senhor de 87 anos, não é jamaicano de nascimento, mas americano. Após a separação de seus pais, Harry foi enviado para a Jamaica, terra natal de sua mãe, para viver com parentes. Viveu na ilha durante sua infância e viu de perto a opressão que as autoridades inglesas exerciam sobre o povo negro. Isso o marcou profundamente.

No início da adolescência, voltou a viver com a mãe, no Harlem. Alistou-se na Marinha e lutou na 2ª Guerra Mundial. Após desligar-se da vida militar, ficou um tanto sem rumo e teve vários empregos até achar inspiração ao assistir uma apresentação no American Negro Theater.

Passou a estudar teatro e teve como colegas Marlon Brando e Walter Matthau. Para financiar seu curso de teatro, Belafonte começou a se apresentar como cantor. Primeiro, canções mais pop, depois, passou a se interessar por música folk e, mais adiante, o calipso. É dessa fase o seu maior sucesso, Banana Boat Song (Day-O), do álbum “Calypso”. Além de introduzir na América um novo gênero musical, o álbum “Calypso” foi o primeiro a vender mais de um milhão de cópias.

Harry Belafonte foi apelidado de "Rei do Calypso" | foto: reprodução internet

Harry Belafonte foi apelidado de “Rei do Calypso” | foto: reprodução internet

Belafonte foi um dos organizadores do grupo que gravou We Are The World  |  foto: reprodução internet

Belafonte foi um dos organizadores do grupo que gravou We Are The World | foto: reprodução internet

Paralelamente à carreira musical, Harry Belafonte atuou no cinema e na televisão. Contudo, outra faceta muito importante foi a de ativista político. Ele apoiou o Movimento dos Direitos Civis nos EUA, nos anos 1950, e foi amigo de Martin Luther King. Muitos anos depois, nos anos 1980, teve a ideia de ajudar as crianças da Etiópia, lançando uma canção interpretada por ele e outras celebridades. We Are The World, de Michael Jackson e Lionel Ritchie foi gravada em 1985 e, com enorme sucesso, levantou milhões de dólares para a causa.

Ao longo dos anos, Belafonte apoiou diversas outras causas humanitárias. Além de Embaixador da Boa Vontade, pela UNICEF, lutou para o fim do apartheid, na África do Sul, e foi contra as ações militares americanas no Iraque.

Motivos de orgulho para a Jamaica, por seu talento e seus ideais, Grace Jones e Harry Belafonte são exemplos da diversidade de tipos interessantes que a pequena ilha do Caribe tem sido capaz de produzir.

Ouça “Slave To The Rhythm”, da coletânea “Island Life”, de Grace Jones:

Bob Marley no mundo da moda

É difícil imaginar Bob Marley preocupado com seu visual ou antenado com as tendências da estação. Porém, todo homem deixa seu legado e o de Bob Marley é vasto, não apenas no campo musical.

Em sua passagem pela Terra, Bob Marley criou muito e deixou 12 filhos. Os mais conhecidos são aqueles que seguiram carreira musical, como Julian, Ziggy, Stephen e Damian. Mas há também a primogênita, Cedella Marley, que depois de atuar com os irmãos como vocalista da banda Melody Makers, tornou-se estilista de moda.

Cedella desenhou a linha Marley Apparel, uma linha masculina de roupas casuais e esportivas, que remetem ao estilo despojado de Bob Marley, nos anos 1960 e 1970.

Roupas inspiradas no estilo Bob desenhadas por Cedella

Lançadas no último mês de julho, as camisetas e jaquetas esportivas têm motivos ligados à música e ao futebol, duas das grandes paixões de Bob Marley. É uma coleção produzida com tecidos de qualidade e um toque retrô. Parte da renda desta coleção é revertida à One Love Gardens, iniciativa da família Marley, que busca ajudar comunidades necessitadas, na Jamaica. A linha é limitada e vendida exclusivamente através do site www.wearmarley.com

Cedella Marley é, também, a embaixadora mundial da seleção jamaicana de futebol feminino, conhecida como Reggae Girlz. Ela desenhou o uniforme do time e está engajada numa campanha para arrecadação de fundos, a fim de que as garotas possam buscar a classificação para a Copa Mundial de Futebol Feminino, que será realizada em 2015, no Canadá.