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foto: divulgação Leões de Israel | ilustração: Hiro Kawahara

Projeto brasileiro de reggae inclui as crianças

Seguindo o exemplo de  “The Disney Reggae Club”, “B Is For Bob” e “Family Time” – sobre os quais falamos em “Reggae: música boa (também) para crianças” – a banda brasileira Leões de Israel está lançando o projeto Reggae Little Lions, dedicado aos pequenos.

Leões de Israel: banda já acumula quatorze anos de estrada.  |  foto: divulgação Leões de Israel

Leões de Israel: banda já acumula quatorze anos de estrada.

A banda, uma das mais importantes no cenário do reggae nacional, existe desde o ano 2000, tendo lançado três álbuns. Além de várias turnês pelo Brasil, em 2006 os Leões de Israel participaram do “Rebel Salute Festival”, na Jamaica. Uma honra, pois foi a única banda brasileira de reggae a ser convidada em toda história do festival. A banda vem conquistando seu espaço e já acompanhou cantores como Gregory Isaacs, Clinton Fearon, Max Romeo e Marcia Griffiths.

Foi durante um show no Centro Cultural, em São Paulo que a ideia do projeto surgiu. Na ocasião, havia muitas crianças curtindo o show, cantando e dançando. Percebendo a energia das crianças e sua identificação com a sonoridade das músicas, Edu Sattajah, baixista e Thyago Braulio, produtor, começaram a pesquisar e não encontraram por aqui nada semelhante aos projetos internacionais, destinados às crianças.

Edu Sattajah, um dos idealizadores do Reggae Little Lions.  |  foto: divulgação

Edu Sattajah, um dos idealizadores do Reggae Little Lions.

O grupo quis ir além e elegeu a acessibilidade como um dos diferenciais do projeto. Assim, o show Reggae Little Lions terá tradução em LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais, utilizada para a comunicação dos deficientes auditivos) e também um “shake”, espécie de plataforma que transmite a vibração das ondas sonoras, permitindo que o público possa, de fato, sentir a música.

Para dar ainda mais graça a essa ideia tão legal, o ilustrador Hiro Kawahara (autor, entre outros trabalhos, de muitas toalhinhas de bandeja do Mc Donald’s) criou um pequeno leão para ser o símbolo do projeto. Tudo muito bem pensado e feito com carinho e respeito.

É isso. Boas ideias devem mesmo ser imitadas e, se possível, aprimoradas. Nesse caso, todas as crianças e em especial aquelas com deficiência auditiva, serão incluídas e beneficiadas. O show será gratuito e acontecerá no próximo dia 7 de junho, às 16 horas, na Praça Victor Civita, em Pinheiros, São Paulo.

Local: Praça Victor Civita
Endereço: Rua do Sumidouro, 580 – Pinheiros, São Paulo – SP, 05428-070
Telefone: (11) 3031.3689
Como chegar: ao lado do Terminal Pinheiros (Rua Gilberto Sabino, s/n – Pinheiros), da Estação Pinheiros do Metrô (Linha 4 – Amarela) e da Estação Pinheiros da CPTM (Linha 9 – Esmeralda).

Ouça à playlist com músicas da banda Leões de Israel:

foto: Acervo Gege Produções Artísticas | divulgação

Brasil, Jamaica: pro outro lado de lá

Já falamos, aqui, sobre um brasileiro que tem tudo a ver com a Jamaica: René Simões (René Simões, o brasileiro desbravador da Jamaica). Nesse caso, o elo de ligação era o futebol. Porém, há um outro elemento que une profundamente as duas nações: a música.

Ao que parece, a primeira vez que se ouviu falar em reggae no Brasil foi através de Caetano Veloso. Em 1971, ele gravou Nine Out of Ten (está no disco “Transa”, de 1972), na qual cita o som do reggae que ouvia na Portobello Road, na época em que vivia em Londres. Gilberto Gil, que também viveu exilado em Londres no mesmo período, só viria despertar para o ritmo mais tarde.

Em 1979, no LP Realce, Gil gravou a faixa Não Chore Mais, sua versão para No Woman, No Cry, de Bob Marley. Gil não conheceu Bob Marley, mas ficou amigo de Jimmy Cliff. Em 1980, excursionaram juntos pelo Brasil e lotaram todos os estádios por onde passaram.

Um encontro histórico: Gilberto Gil e Jimmy Cliff.  |  foto: Acervo Gege Produções Artísticas | divulgação

Um encontro histórico: Gilberto Gil e Jimmy Cliff. | foto: Acervo Gege Produções Artísticas | divulgação

Muito tempo depois, em 2002, Gilberto Gil lançou “Kaya n’gan daya”, uma homenagem a Bob Marley. O disco, de 16 faixas, foi gravado na Jamaica (13 faixas) e no Rio de Janeiro (as outras 3). Há releituras de clássicos como Three Little Birds e Buffalo Soldier , além de versões para Time Will Tell e Lively Up Yourself. Na Jamaica, Gilberto Gil gravou nos estúdios Tuff Gong , de Bob Marley, e contou com a participação dos vocais femininos das I-Three (Rita Marley [viúva do compositor], Marcia Griffiths e Judy Mowatt), em faixas como One Drop e Rebel Music (ouça abaixo).

Recentemente, o prestigiado jornal jamaicano Jamaica Observer publicou uma matéria em que compara a importância de Gil, para a música, a de Pelé, no futebol. Além disso, nomeia Gil o Marley brasileiro, por suas ideias e comentários, em defesa dos oprimidos.

Rita Lee, Baby Consuelo e Luiz Melodia, esses e outros artistas flertaram com o reggae. Os Paralamas do Sucesso foram muito influenciados pelo reggae e o ska jamaicanos, principalmente a partir do LP “Selvagem” (1986), que mudaria os rumos e a cara da banda (ouça abaixo o disco na íntegra).

Outra banda brasileira importante e fortemente ligada às raízes jamaicanas é o Skank (ouça abaixo Ela Me Deixou, nova música de trabalho da banda). Antes de se tornarem conhecidos, Samuel Rosa e Henrique Portugal tocavam numa banda de reggae mineira, chamada Pouso Alto.

Contudo, a banda brasileira de reggae por excelência é o Cidade Negra (leia matéria especial sobre a banda). Surgida na Baixada Fluminense, há 28 anos, a banda tem 13 LPs gravados, sendo que o mais recente, “Hei, Afro!”, foi mixado na Jamaica. Segundo Toni Garrido, a Jamaica está para a música, assim como o Japão está para a tecnologia. Em sua opinião, o que vai ser novidade daqui a 5, 6 anos é o que está acontecendo agora por lá.

Em 2011, um disco selou ainda mais a relação Brasil-Jamaica: “Bambas Dois” (assista acima ao clipe Only Jah Love, com participação do astro jamaicano Sizzla), produzido por Eduardo BiD e Gustah Echosound. Com 14 faixas, “Bamba Dois” reúne músicos brasileiros e jamaicanos em encontros primorosos, como em Little Johnny, com Chico César e Jah Marcus ou no xote Brasil (Little Sunday), com Ky-mani Marley e Dominguinhos. Misturando gerações e ritmos dos dois países, “Bambas Dois” resume um pouco da relação musical entre duas culturas tão diferentes e tão semelhantes, ao mesmo tempo. Uma relação que não se esgota, que sempre se renova e se atualiza.

“Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui…
Pro outro lado de lá
Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui…
Brasil, Jamaica”

Ouça o disco “Selvagem?”, do Paralamas do Sucesso: