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SuperHeavy: Damian Marley, Dave Stewart, Mick Jagger, A. R. Rahman e Joss Stone. | foto: divulgação

World a Reggae: Um supergrupo musical chamado SuperHeavy

Basicamente, vejo duas possibilidades para a formação de supergrupos musicais – aqueles em que pelo menos um ou dois integrantes são oriundos de outras bandas de sucesso ou já possuem uma sólida carreira solo. A primeira é que a vida de popstar é meio enfadonha e, de repente, o cara acorda agoniado, com vontade de fazer algo diferente. Daí, liga para uns amigos igualmente famosos e entediados e pronto.

O SuperHeavy reuniu rock, blues, pop, soul, jazz e reggae. | foto: divulgação

O SuperHeavy reuniu rock, blues, pop, soul, jazz e reggae.

A segunda é que o artista tem múltiplas facetas que nem sempre podem ser exploradas em seu status atual como membro de uma banda ou em sua própria carreira solo. Então, surge a ideia de um novo projeto. Ele entra em contato com outros músicos que conheceu ao longo da carreira e eles topam a empreitada. Além de mais glamourosa e de, certamente, render boas respostas nas coletivas de imprensa, é o que acontece muitas vezes.

Essas reuniões de feras geram resultados bem interessantes. Aqui no Brasil, o caso mais famoso e o único de que me lembro é o dos Tribalistas – Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte. Marisa foi gravar uma participação no disco de Arnaldo, que estava sendo produzido por Brown. Conversa vai, conversa vem, em pouco tempo já tinham canções suficientes para um disco.

Tudo isso aconteceu em 2002, o álbum vendeu mais de 1,5 milhão de cópias só no Brasil e os três nunca fizeram uma grande turnê. Apesar do enorme sucesso de músicas como Já Sei Namorar e a linda Velha Infância, cada um dos três continuou sua própria carreira, em sua própria tribo.

Mundo afora a lista de supergrupos é enorme, desde os mais antigos como Cream, de Eric Clapton, passando por Emerson, Lake and Palmer, Temple of the Dog e Foo Fighters – este último, inclusive, mais duradouro do que os grupos de origem, como o Nirvana.

Encontro histórico: Bob Marley, Mick Jagger e Peter Tosh.  |  foto: reprodução internet

Encontro histórico: Bob Marley, Mick Jagger e Peter Tosh.

Em 2011 surgiu o SuperHeavy,  formado por Mick Jagger, Joss Stone, Dave Stewart (Eurithmics), A. R. Rahman (produtor de trilhas sonoras) e Damian Marley. Analisando em partes dá para encontrar se não similaridades, pelo menos intersecções entre seus trabalhos. Mick Jagger é puro rock, mas também blues e pop. Joss Stone faz mais a linha soul e R&B, mas também é blues e jazz. Dave Stewart é pop rock, Rahman é um músico indiano e Damian Marley é reggae, claro!

A história é mais ou menos assim: Dave Stewart comprou uma casa na Jamaica. Ouvia muita música vinda das ruas e ficou inspirado para começar algo novo. Queria misturar estilos, pensou em juntar orquestração indiana que ele e Jagger já curtiam.

Mick Jagger, por sua vez, já flertava com o reggae desde os anos 1960, quando dançava nos clubes jamaicanos, em Londres. Lá, ele conheceu Bob Marley quando este gravava “Catch A Fire”, com The Wailers – seu primeiro disco pela Island Records, de Chris Blackwell. Finalmente, em 1978, Jagger e Peter Tosh fizeram um dueto na versão reggae da canção Don’t Look Back, dos The Temptations (assista abaixo).

Em 2004, no remake do filme “Alfie”, com Jude Law no papel principal, Jagger e Stewart produziram a trilha sonora e participaram de várias canções. Uma delas, Old Habits Die Hard, foi a vencedora do Globo de Ouro 2005, na categoria de melhor canção original. Joss Stone também participou em duas faixas dessa trilha.

Joss Stone e Damian Marley: parceria além do SuperHeavy. | foto: reprodução internet

Joss Stone e Damian Marley: parceria além do SuperHeavy.

Anos depois, em 2009, Joss Stone, dona de uma bela voz feminina, participou do disco “Y Not”, do beatle Ringo Starr. Dave Stewart também trabalhou nesse disco e talvez aí tenha surgido mais uma conexão. Em 2011, Stewart foi o produtor do quinto álbum de Joss, “LP1”.

Muito incentivada por Damian Marley, seu companheiro de SuperHeavy, Joss Stone lançou, no último mês de julho, um álbum de reggae chamado “Water For Your Soul”. Damian participou como co-produtor e também em alguns vocais e letras. Ouça acima playlist especial com algumas das principais faixas do disco.

A. R. Rahman, cuja carreira na Índia já era um sucesso, levou nada menos que dois Oscar em 2009, pela melhor trilha sonora original e melhor canção original do filme “Quem Quer Ser um Milionário?”. Por fim, Damian veio para representar a Jamaica e arrematar esse quebra-cabeça musical.

Feitas as análises e voltando ao SuperHeavy, foram dois anos de trabalho secreto, até o lançamento do álbum de mesmo nome do grupo, em 2011. Eles se reuniam em Los Angeles com o objetivo de “escrever canções que tivessem significado”. Miracle Worker foi a primeira faixa lançada como single e também num clipe no YouTube.

Não houve consenso nem de crítica, nem de público. Apesar do álbum ter ficado entre os 30 primeiros no Billboard 200, faltou divulgação e as vendas foram fracas: apenas 33.000 cópias no lançamento. Gostoso de ouvir e com músicas bem elaboradas, o álbum não decolou. Talvez, dizem alguns, tenha se perdido na vontade de ser tudo para todos. Talvez, penso eu, tenha sido um projeto de músicos para músicos: foi prazeroso e divertido fazer. Não fez sucesso? Paciência, vamos em frente.

Assista ao clipe “Miracle Worker”, do SuperHeavy:

foto: reprodução internet

Jamaica Jazz and Blues Festival: música para todos

Boas ideias, muitas vezes, surgem a partir da necessidade de resolver um problema. Assim foi com o Jamaica Jazz and Blues Festival que teve, em janeiro de 2015, sua 19ª edição. A Jamaica é um destino turístico tradicionalmente ligado ao verão, já que as praias e atividades ao ar livre são as atrações mais conhecidas. Por essa razão, há uma queda significativa no número de turistas que visitam a ilha nos meses de inverno, gerando prejuízo para as companhias aéreas.

Para amenizar essa situação, o então vice-presidente da Air Jamaica, Allen Chastenet, pensou em criar um festival de música, como forma de atrair visitantes na baixa temporada. Contratou um produtor experiente, Walter Elmore, e em novembro de 1996 acontecia o primeiro Air Jamaica Jazz and Blues Festival, na histórica Rose Hall Great House. Foi algo relativamente pequeno, com público de 1500 pessoas, mas que aos poucos foi se consolidando.

A partir de 1998, o festival passou a acontecer em Ocho Rios, na James Bond Beach. George Benson, Erykah Badu, Black Uhuru, Kool and the Gang e Al Jarreau foram alguns dos artistas que passaram pelo festival em seus primeiros anos. Os meses de outubro e novembro, quando o festival era realizado, são meses muito chuvosos na Jamaica e isso levava a cancelamentos ou encurtamento de algumas apresentações. Em 1999, o festival não aconteceu e foi estabelecido que janeiro seria o mês ideal, ainda com pouco movimento e sem chuvas.

Em 2001, o festival voltou a ser apresentado em Montego Bay, agora no campo de golfe Cinnamon  Hill, em Rose Hall. Com o passar dos anos, contudo, as despesas com o evento tornaram-se  muito altas para a Air Jamaica. A solução foi vendê-lo para Walter Elmore, em 2004. Alcançando boa repercussão dentro e fora do país, o festival cresceu muito, chegando a um público de  mais de 30.000 pessoas. Em 2009, a companhia aérea abdicou do nome e o festival passou a chamar-se Jamaica Jazz and Blues Festival.

Desde 2010, o Jamaica Jazz and Blues Festival tem sido apresentado no Greenfield Stadium, em Trelawny. O estádio multiuso, construído em 2007, trouxe mais conforto e comodidade para o público que lá pôde ver nomes como Joss Stone, Maroon 5 e Natalie Cole. Em janeiro de 2015, entre os dias 29 e 31, algumas das atrações foram a cantora pop, Mariah Carey, o ícone do R&B, Charlie Wilson, as garotas do The Pointer Sisters e a banda de roots reggae Morgan Heritage. Música para todos os gostos, num dos maiores festivais musicais da Jamaica.

Assista à apresentação de Richie Stephens, no Jamaica Jazz and Blues Fest 2015:

foto: reprodução internet

World a Reggae – Rihanna: a diva pop e suas referências

Difícil imaginar uma combinação tão improvável quanto uma mistura de Mariah Carey, Beyoncé e Madonna, com influências de Bob Marley. Oi?? Então, de certa forma, Rihanna é o resultado dessa combinação inusitada. Vamos tentar explicar melhor tudo isso.

Rihanna fez sua primeira audição aos 15 anos de idade, em Barbados, onde nasceu. O produtor musical Evan Rogers gostou do que ouviu e, no ano seguinte, juntamente com seu sócio Carl Sturken, produziram doze canções que geraram as demos que acabariam por lançá-la como cantora. Em 2005, lançou seu primeiro álbum “Music of the Sun” e, no ano seguinte, o segundo, “A Girl Like Me”. Ambos ficaram entre os top ten da Billboard 200, com os sucessos Pon the Replay e SOS, respectivamente.

Voltando ao começo deste texto, nessa fase inicial da carreira Rihanna era a promessa de uma cantora na linha do dance e do pop, meio Madonna. Mas, em 2007, em seu terceiro álbum, “Good Girl Gone Bad”, mostrou que o R&B era o seu ritmo, aquele com o qual ela mais se identificava. E quem é uma das divas do R&B? Beyoncé, que, aliás, disse ter começado a cantar após ouvir Mariah Carey cantando Vision of Love.

Com Madonna, Mariah Carey, Beyoncé e Bob Marley. Rihanna é única, mas como toda estrela pop, ela tem as suas referências. | foto: reprodução internet

Com Madonna, Mariah Carey, Beyoncé e Bob Marley. Rihanna é única, mas como toda estrela pop, ela tem as suas referências.

“Good Girl Gone Bad” recebeu nove indicações para o Grammy 2008 e ganhou apenas o de melhor Rap/Sung Collaboration, com a canção Umbrella. Posteriormente, Rihanna receberia mais cinco Grammy, além de oito American Music Awards, vinte e dois Billboard Music Awards e dois BRIT Awards. Ela já vendeu mais de 30 milhões de álbuns e 120 milhões de singles, no mundo todo.

E onde entra Bob Marley nessa história toda? Barbados é uma das ilhas do Caribe, assim como a Jamaica. Assim, a associação de Rihanna com o reggae e Bob Marley parece até natural. Porém, há relações que vão além da proximidade geográfica. Admiradora confessa do rei do reggae – ela é vista com frequência usando roupas e adereços que remetem ao ídolo jamaicano – Rihanna não resiste a uma pitada jamaicana em suas produções. Tanto que seu primeiro álbum, “Music of the Sun”, chegou a ser recebido pela crítica como um disco de reggae, dada a origem caribenha da cantora e a nítida influência dos ritmos jamaicanos presentes no disco.

Participações como a do cantor jamaicano Sean Paul em Break It Off, no álbum “A Girl Like Me”, faixa produzida pelo produtor (também jamaicano) Donovan “Don Corleon” Bennett em seu renomado estúdio Hitmaker, em Kingston, também servem como exemplo. E há vários outros, como é possível ouvir nesta playlist especial abaixo.

Como se vê, não é nada difícil encontrar na obra de Rihanna forte influência de música jamaicana. Do reggae mais clássico ao dancehall moderno – incluindo boas doses de temas polêmicos – está tudo lá. Um outro exemplo, de 2010, acabou gerando mesmo muita polêmica. Como parte do álbum “Loud”, Rihanna gravou na Jamaica o clipe da música Man Down. O que, em princípio, seria positivo – uma forma de divulgação da ilha – não foi tão bem recebido, especialmente pelos jamaicanos. A música conta a história de uma garota (Rihanna) que é estuprada e resolve matar seu estuprador. Convenhamos, não é a melhor promoção que um destino pode querer.

Ao lado de Ziggy Marley e Bruno Mars, Rihanna participou de tributo ao rei do reggae, Bob Marley.  |  foto: reprodução internet

Ao lado de Ziggy Marley e Bruno Mars, Rihanna participou de tributo ao rei do reggae, Bob Marley.

Para quem não se lembra, Like a Prayer, Justify My Love e Live To Tell são apenas alguns dos clipes de Madonna que causaram grande polêmica. E, com enorme repercussão, geraram muita mídia. Não foi diferente com Rihanna e sua Man Down. O mundo da música e das celebridades tem dessas coisas…

Em compensação, em 2013, durante a premiação do Grammy, Rihanna teve uma participação bem legal no tributo a Bob Marley. Ao lado de Ziggy Marley, Damian Marley, Sting e Bruno Mars, cantou Could You Be Loved. De quebra, nessa edição do prêmio, Rihanna venceu na categoria de melhor clipe com We Found Love.

Diva e por vezes dramática, como Mariah Carey. Pop e representante do R&B, como Beyoncé. Sempre se reinventando, como Madonna. Caribenha e ligada às suas raízes, como Bob Marley. Prazer, essa é Rihanna!

Assista ao polêmico clipe de “Man Down”, de Rihanna, gravado na Jamaica: