Alia Atkinson | foto: reprodução internet | Matthew DeMaria/Tennessee Athletics

Alia Atkinson: nadando contra a maré

Anualmente, são eleitos na Jamaica os melhores atletas do país. Competem separadamente homens e mulheres, esportistas de diversas modalidades. No ano de 2014 a premiação foi atípica: no masculino, Bolt não foi sequer indicado – deixando a vaga para outros medalhistas do atletismo – e o vencedor foi o boxeador Nicholas ‘Axe man’ Walters . Já entre as mulheres, após 40 anos foi indicada uma representante da natação e, mesmo competindo com atletas do porte de Shelly Ann Fraser-Pryce, Stephanie McPherson e Veronica Campbell-Brown (todas do atletismo), Alia Atkinson foi a vencedora.

Alia Atkinson em Doha 2014: alegria pelo recorde mundial e orgulho pela medalha de ouro.  |  fotos: reprodução internet

Alia Atkinson em Doha 2014: alegria pelo recorde mundial e orgulho pela medalha de ouro.

Também não era para menos. Em 2014, no Campeonato Mundial de Natação realizado em Doha, no Qatar, Alia não apenas venceu os 100 m nado peito como bateu o recorde mundial, tornando-se a primeira atleta negra campeã mundial de natação em piscina curta. Este ano, no Mundial de Kazan, na Rússia, conquistou medalha de bronze, a primeira em piscina longa (50 m) para a Jamaica.

Aos 26 anos de idade, Alia já participou de três Olimpíadas (Grécia, 2004, Pequim, 2008 e Londres, 2012). Na primeira, tinha apenas 15 anos e ficou deslumbrada com a presença de atletas renomadas como as irmãs Serena e Venus Williams. Já em Londres, esteve muito perto da medalha de bronze: menos de meio segundo.

Por ser uma ilha, seria natural imaginar que a Jamaica fosse uma grande produtora mundial de nadadores. Porém, não é o que acontece. Como se sabe, o atletismo é o esporte mais promissor do país. Alia Atkinson, contudo, começou a nadar muito cedo e na adolescência mudou-se com a família para a Flórida, EUA, onde logo começou a participar de competições.

A nadadora jamaicana é inspiração para muitas crianças que estão começando a nadar.  |  fotos: reprodução internet

A nadadora jamaicana é inspiração para muitas crianças que estão começando a nadar.

Hoje, além de atleta, Alia trabalha no International Swimming Hall of Fame, na Flórida. A instituição visa promover a natação tornando o esporte mais popular entre as minorias étnicas como chineses, negros e hispânicos. Segundo Alia, o objetivo é desenvolver a segurança na água e também a imagem da natação como esporte e lição de vida.

Como tantos outros atletas, Alia é dedicada e aprendeu desde muito cedo a abrir mão de uma rotina típica de qualquer jovem, com festas e baladas pelas madrugadas. Elegeu a natação como seu objetivo e trabalha sempre pensando no próximo desafio. No caso, o próximo grande desafio são os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Alia, que foi a porta-bandeira da Jamaica no Pan do Rio, em 2007, quer ver seu rosto em evidência novamente, nas piscinas e melhor ainda, nos pódios. Ela espera que a popularidade alcançada com suas recentes conquistas a ajudem a obter patrocínio para que possa intensificar os treinamentos e tornar seu sonho olímpico realidade.

Assista à final dos 100m nado peito, vencida por Alia, em Doha 2014:

foto: reprodução internet

Jamaica nas Olimpíadas 2016: algo além do atletismo

Faltando menos de um ano para as Olimpíadas de 2016, a primeira a ser realizada no Brasil, há muitas expectativas e especulações sobre o assunto. Prazos para realização de obras, infraestrutura da cidade do Rio de Janeiro, custos envolvidos. Tudo isso é polêmico, porém, para os amantes do esporte o que vale a pena ser discutido e analisado são as chances dos atletas em cada modalidade, a rivalidade entre países, as grandes apostas e as possíveis surpresas.

Há os campeões consagrados, como o basquete norte-americano – por 21 vezes o melhor – o tênis de mesa chinês – 20 vezes ouro – e o ciclismo francês, vencedor de 41 medalhas de ouro. Ainda que com números mais modestos, a Jamaica é considerada um dos países favoritos no atletismo, no qual acumula 17 ouros.

Os velocistas jamaicanos foram recordistas mundiais no revezamento 4x100m em Londres 2012.  |  foto: reprodução internet

Os velocistas jamaicanos foram recordistas mundiais no revezamento 4x100m em Londres 2012.

O destaque, é claro, fica por conta de Usain Bolt, ganhador de 6 medalhas de ouro em olimpíadas, sendo 3 em Pequim e 3 em Londres. Nos dois casos, venceu os 100 m, 200 m e o revezamento 4 x 100 m, com direito ao recorde mundial de 36s84. Seus companheiros de revezamento foram Nesta Carter, Michael Frate e Asafa Powell (2008), além de Yohan Blake, que substituiu Powell em 2012. Todos eles fortíssimos competidores.

No atletismo feminino, Shelley-Ann Fraser-Pryce é comparada a Bolt. Ela levou o ouro pelos 100 m nas duas últimas olimpíadas, sendo que em Pequim ainda houve empate de duas jamaicanas no segundo lugar: Sherone Simpson e Kerron Stewart receberam medalhas de prata. No revezamento 4 x 100 m as meninas jamaicanas também costumam ir muito bem: foram prata em Sydney (2000) e Londres (2012) e ouro em Atenas (2004).

No Campeonato Mundial de Atletismo que está acontecendo neste mês de agosto, em Pequim, o atletismo jamaicano conseguiu novos recordes nos 100 m. Shelley e Bolt venceram as provas, tornando-se tricampeões mundiais. E o que mais se pode esperar dessa pequena ilha do Caribe?

Recentemente, o tenista Dustin Brown – que apesar de ter nascido na Alemanha tem pai jamaicano e morou muito tempo na Jamaica – surpreendeu a todos vencendo Rafael Nadal em Wimbledon. Ok, ele não é jamaicano, mas poderia ter optado por competir como tal se tivesse recebido o apoio necessário do país. De qualquer forma, 2015 tem sido de boas notícias no esporte para a Jamaica.

Os "Reggae Boyz" disputaram a Copa América 2015.  |  foto: reprodução internet

Os “Reggae Boyz” disputaram a Copa América 2015.

Em junho, a seleção de futebol da Jamaica participou como convidada da Copa América. Caiu num grupo difícil, com Uruguai, Paraguai e Argentina. Foram três derrotas, é verdade, mas todas por apenas 1×0, contrariando as expectativas de que perderia por goleadas.

No mês seguinte, a equipe participou da Copa Ouro da CONCACAF, que reúne os países da América do Norte, Central e ilhas do Caribe. Depois de vencer e eliminar os EUA nas semifinais, por 2×1, acabou perdendo a final para o México (por 3×1). O vice-campeonato foi a melhor colocação da Jamaica na competição desde 1998, quando chegou às semifinais.

Também na natação houve progressos, o que não é nada mal para uma ilha. Em 2014, Alia Atkinson venceu os 100 m nado peito, durante o Campeonato Mundial de Piscina Curta (25 m), realizado em Doha, no Qatar. Além de feito inédito para a Jamaica, Alia foi a primeira atleta negra a conquistar um mundial de natação. Neste ano, no Mundial de Esportes Aquáticos, em Kazan, na Rússia, a atleta ficou em terceiro lugar na mesma modalidade, conquistando para seu país a primeira medalha em mundiais de natação de piscina longa (50m).

A exemplo do que acontece no Brasil, o grande problema da Jamaica é a falta de apoio – entendam-se recursos financeiros, patrocínios. Lá, exceto no caso do atletismo, onde os resultados são expressivos, os demais esportes carecem de financiadores. Com tantos talentos insistindo em aparecer e persistindo em treinar, mesmo em condições adversas, esperamos que as Olimpíadas de 2016 possam ser palco de conquistas também para os bravos jamaicanos.

Assista à prova em que Alia Atkinson bateu o recorde mundial em piscina curta:

Largada da Reggae Marathon, em Negril. | foto: divulgação Reggae Marathon

Em Negril, a maratona embalada pelo reggae!

Isolada por décadas no extremo oeste da ilha, Negril ficou quase esquecida. O acesso era difícil e só começou a melhorar no início dos anos 1960, com a construção de uma rodovia. Os primeiros turistas eram verdadeiros aventureiros e foram seguidos pelos hippies, que adotaram a região. Apesar de seu desenvolvimento ter sido mais lento, Negril tem hoje vários resorts em suas praias de águas tranquilas e mornas.

A Reggae Marathon começa em Long Bay Beach Park (Seven-Mile Beach)  |  foto: reprodução internet

A Reggae Marathon começa em Long Bay Beach Park (Seven-Mile Beach)

Numa das mais famosas praias de Negril, conhecida como Seven-Mile Beach, acontece anualmente a Reggae Marathon, um evento cheio de boas vibrações e muito reggae. Além dos tradicionais 42 km, os menos preparados podem optar pela meia maratona (21km) ou pelos consagrados 10k.

A primeira parte da corrida acontece ainda no escuro, antes do amanhecer. Soam os tambores e há tochas iluminando o caminho. Aos poucos, à medida que os quilômetros avançam, as belezas naturais vão surgindo, hipnotizando os corredores, que seguem cumprindo sua missão com muito mais prazer. Segundo um corredor experiente, na Jamaica, o povo faz a diferença e talvez por essa razão, a Reggae Marathon esteja entre as dez melhores maratonas internacionais.

O percurso é bastante plano e os maiores desafios, especialmente para os estrangeiros, são o calor e a umidade. Mesmo com a boa quantidade de água e isotônicos distribuídos por voluntários ao longo de toda prova, é bom se aclimatar, chegando alguns dias antes.

Mapa da 15ª Reggae Marathon  |  foto; divulgação Reggae Marathon

Mapa da 15ª Reggae Marathon

Todos os que terminarem suas respectivas provas receberão uma medalha e os maratonistas vencedores nas categorias masculina e feminina receberão, respectivamente, os troféus Bob Marley (adepto do jogging) e Rita Marley. Além disso, há premiação em dinheiro de mais de U$10.000.

Há dois eventos ligados à maratona para os quais os competidores têm entrada garantida. O primeiro, na véspera da corrida, é o ‘World’s Best’ Pasta Party, uma festa gourmet. Já o Victory Beach & Awards Party, acontece para celebrar o final da prova.

No ano de 2014, em sua 14ª edição, a Reggae Marathon teve mais de 1.500 competidores, de 36 diferentes nações. As inscrições para a prova deste ano, que acontecerá no dia 5 de dezembro, já estão abertas e podem ser feitas através do site www.reggaemarathon.com. Uma grande oportunidade de terminar o ano de 2015 cheio de energia, numa das mais belas praias da ilha mais alto astral do Caribe!

Veja abaixo um pouco do que foi a edição 2014 da Reggae Marathon:

foto: reprodução internet

Dustin Brown: o tenista que trocou a Jamaica por uma van

Alegria e tristeza. Orgulho e vergonha. Sentimentos contraditórios diante da vitória do tenista Dustin Brown frente a  Rafael Nadal no último dia 2 de julho, na segunda rodada do torneio de Wimbledon. Várias manchetes deram destaque à notícia, sempre enfatizando que um ex-jamaicano vencera um campeão. Ex-jamaicano? Sim, esta é mais uma daquelas histórias que nós, brasileiros, conhecemos bem: atletas talentosos que se vêem obrigados a competir por outro país para buscar um avanço na carreira.

O caso de Dustin é bem interessante. Ele nasceu na Alemanha, em 1984, filho de pai jamaicano e mãe alemã. Eles se conheceram na Jamaica e depois se estabeleceram em Celle, uma pequena cidade próxima a Hannover. Quando criança, Dustin Brown praticou, além de tênis, futebol, handebol e judô. Aos oito anos de idade, achou que já era hora de se concentrar numa só modalidade e optou pelo tênis. Começou a treinar com Kim Wittenberg, americano e dono de uma academia de tênis perto de Hannover. Tudo levava a crer que sua carreira teria início na Alemanha.

Momentos da carreira de Dustin Brown, quando ele ainda competia pela Jamaica.  |  fotos: reprodução internet

Momentos da carreira de Dustin Brown, quando ele ainda competia pela Jamaica.

Porém, a vida não estava fácil para a família de Brown naquele tempo. Com pouco dinheiro, ficava difícil custear um esporte como o tênis. Quando o garoto tinha onze anos, mudaram-se para a Jamaica. Sem um técnico e sem a infraestrutura necessária, Dustin passava a maior parte do tempo batendo bola com amigos que fez nas quadras.

Olhando para trás, apesar das dificuldades, o tenista acredita que a mudança de país lhe fez muito bem. Sua vida modesta na Alemanha lhe permitia ter, por exemplo, TV a cabo e um Game Boy. Na Jamaica, pôde perceber que seu padrão de vida anterior era bem melhor do que a média local. Isso teve reflexo em sua maneira de encarar a vida, de atribuir valores ao que realmente é importante e influenciou diretamente seu comportamento em quadra, tornando-o mais centrado.

Dustin exibe sua tatuagem do cantor Dennis Brown. | foto: reprodução internet

Dustin exibe sua tatuagem do cantor Dennis Brown.

O tênis na Jamaica não é exatamente um esporte popular, nem tampouco incentivado de alguma forma. No início dos anos 2000, a ilha sediava eventos da categoria Futures, a mais básica dos torneios profissionais. Assim, embora gastasse pouco, Brown também ganhava muito pouco e acumulava poucos pontos para o ranking. Nessas condições, sua carreira parecia fadada ao fracasso.

Em 2004, os pais de Dustin tomaram uma decisão que deu à sua vida contornos de um road movie. Voltaram para a Alemanha, tomaram um empréstimo e deram ao filho uma van grande, equipada com três camas e um banheiro. A ideia era possibilitar viagens por toda a Europa, com o mínimo de custos, aumentando sua participação em torneios de maior relevância.

Durante cinco anos Brown levou uma vida nômade. Um tenista nômade. Trocava de cidade quase todas as semanas, cozinhava para si mesmo, ganhava um dinheirinho encordoando raquetes para outros tenistas – pois tinha uma máquina própria em sua van – ou até alugando uma de suas camas extras para outros atletas tão duros quanto ele. Felizmente, seu desempenho nas competições era bom o suficiente para que os prêmios financiassem o combustível.

O começo da virada na carreira de Dustin Brown foi em 2009, quando ele chegou às finais de alguns eventos Challenger – um nível acima dos Futures. Pôde finalmente aposentar a van e, no ano seguinte, alcançou seu objetivo ao tornar-se profissional: conseguiu a primeira colocação de dois dígitos no ranking mundial.

Espírito jamaicano: determinação e superação fazem parte da vida do tenista Dustin Brown. | fotos: reprodução internet

Espírito jamaicano: determinação e superação fazem parte da vida do tenista Dustin Brown.

Aqui, vale voltar ao parágrafo inicial deste texto. Até 2010, Brown, que possui dupla cidadania (é alemão e jamaicano), competia pela Jamaica. Sendo um esporte abaixo de qualquer prioridade na ilha, o tenista sofreu com a falta de recursos da federação local, de quem recebia, no máximo, cumprimentos após sua participação em torneios. Nem mesmo a imprensa jamaicana noticiava seus resultados.

Desde então, Dustin Brown, agora ex-jamaicano, tem competido como tenista alemão. Em 2013, venceu o campeão Lleyton Hewitt, em Wimbledon. No ano seguinte, no torneio alemão Gerry Weber, derrotou Rafael Nadal por dois sets a zero. Nesta semana, repetiu a vitória sobre o mesmo rival, por três sets a um, em Wimbledon, sendo o primeiro tenista vindo das Qualifying Series a derrotar Nadal num torneio do Grand Slam. Honrando sua ascendência britânica (seu avô paterno era britânico), quadras de grama são as suas favoritas.

Apesar do progresso que tem feito, para Brown ainda é difícil bancar suas despesas como atleta. Ao contrário de esportes como o futebol, um tenista numa posição próxima ao centésimo no ranking não é propriamente um milionário.

Cabelos dreadlocks no estilo rastafári e uma grande tatuagem do cantor de reggae Dennis Brown no corpo, o atleta que se autointitula DreddyTennis no Twitter é motivo de alegria e orgulho para o povo jamaicano, que vê um compatriota vencer tantos desafios para alcançar um ideal. Infelizmente, é também motivo de tristeza e até vergonha, pois vê-lo assumir a cidadania alemã por total falta de apoio faz lembrar que a Jamaica, a exemplo do Brasil, está a anos-luz de países desenvolvidos no que diz respeito às políticas de incentivo ao esporte.

Ouça abaixo a coletânea “Love & Hate – The Best Of Dennis Brown”:

No parque Rainforest, em Ochio Rios, há um pequeno museu que conta a história do Bobslead jamaicano. - Foto: Laerte Brasil

Os verdadeiros protagonistas do bobsled jamaicano

Foto: reprodução internet

O time jamaicano à época da primeira competição: o improviso era a regra para conquistar o sonho olímpico.

Já sabemos que entre ficção e realidade há uma longa distância. Falamos, anteriormente, sobre o filme “Jamaica Abaixo de Zero” (“Cool Runnings”), mostrando as semelhanças e diferenças entre a história real e a do cinema. Agora, vamos contar mais sobre os membros do time e suas histórias pessoais.

Devon Harris não conseguiu se classificar para as Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. Ele era um corredor de meia distância e, enquanto servia o exército, em 1987, viu um anúncio recrutando candidatos a serem os primeiros bobsledders  jamaicanos a participar de uma competição olímpica. Por mais que achasse a ideia absurda, seu sonho de tornar-se um atleta olímpico o motivou e ele entrou para o time.

Após a participação em Calgary, no Canadá, Harris ainda continuou praticando bobsled, paralelamente à sua carreira militar, até 1992. Depois da segunda participação do bobsled jamaicano em Jogos de Inverno nesse mesmo ano, na França, Harris deixou o esporte e também o exército. Em 2008, escreveu um livro infantil e, atualmente, é escritor e palestrante motivacional.

Dudley Stokes foi convidado a participar do time quando era piloto de helicóptero do exército. Seu diferencial, adquirido pela função que exercia, era a coordenação entre os olhos e as mãos, muito importante, também, para pilotar um bobsled. Apesar de, até 1987, Dudley nunca ter visto um bobsled, em poucos meses já participava de uma competição olímpica. Ele também competiu nos Jogos de Inverno de 1992, 1994 e 1998 e hoje administra a Federação Jamaicana de Bobsled.

Foto: Troude/Presse via USA TODAY Sports

Os membros originais do famoso time jamaicano de 1988, em foto de 2007. Da esquerda para a direita: Devon Harris, Michael White, Chris Stokes e Dudley Stokes.

Michael White era operador de rádio do exército e foi um dos primeiros a ser chamado a participar do time. Ele participou dos Jogos de 1992, na França, e mudou-se posteriormente para Nova Iorque, onde vive até hoje, trabalhando numa grande rede varejista.

Caswell Allen era engenheiro ferroviário. Ele entrou para o time jamaicano, mas não chegou a competir. Quando estavam treinando, no Canadá, Allen caiu e ficou impossibilitado de participar. Às pressas, o irmão de Dudley Stokes, Chris Stokes, o substituiu. Chris estava no Canadá apenas para assistir o irmão; ele estudava nos EUA e também praticava atletismo. Assim como Dudley, Chris nunca tinha visto um bobsled antes. Aprendeu com os colegas e, em três dias, competiu.

Chris Stokes permaneceu ligado ao esporte. Competiu nos Jogos de Inverno seguintes (1992, 1994 e 1998) e, em 2009, escreveu um livro contando toda a história, Cool Runnings and Beyond – The Story of the Jamaica Bobsleigh. Ele é hoje gerente financeiro e, junto com o irmão, Dudley, dirige a  Federação Jamaicana de Bobsled.

Foto: reprodução internet

A Mystic Mountain, no parque Rainforest, em Ocho Rios: montanha russa simula pista de Bobsled.

A Jamaica participou de todas as edições dos Jogos de Inverno após 1988 (exceto 2006). Em 2014, em Sochi, na Rússia, ficou em último lugar. Certamente, não foi por falta de torcida. O Jamaican Tourism Board lançou até uma campanha, com música tema e tudo: The Bobsled Song (ouça acima). Além da música casar perfeitamente com o movimento do bobsled na pista, as pessoas eram incentivadas a baixá-la e compartilhá-la com os amigos pois, cada vez que fosse ouvida, vibrações positivas seriam enviadas ao time.

Se os atletas não corresponderam na pista, ao menos a ação foi um sucesso e, somada ao sucesso do filme e às participações da Jamaica nos Jogos, só fez aumentar o valor que se dá por lá a esse esporte. No parque Rainforest, que fica em Ocho Rios, há, além da Mystic Mountain – uma montanha russa cujo carrinho simula um bobsled – um pequeno museu que conta toda a saga do time jamaicano. Visita interessante, para relembrar essa história incrível, nascida a partir de uma ideia inusitada.

foto: reprodução internet

Cliff diving, um esporte apenas para os mais corajosos

Ao que tudo indica, a prática do cliff diving começou em 1770, no Havaí. Como forma de demonstrar sua coragem e impressionar as moças, guerreiros saltavam do alto de penhascos de até 25 m, para o mar, numa profundidade de apenas 3,5 m!

Muito mais tarde, nos anos 1950, a Timex, fabricante de relógios, usou o cliff diving como um teste de tortura para um novo modelo. Comerciais de TV mostravam um mergulhador, em Acapulco, saltando de um penhasco de de 26,5 m que, ao cair na água, recebia o primeiro impacto no pulso que levava o relógio (assista abaixo). Fantástico! Nos anos 1960, já havia campeonatos da modalidade no México, mas apenas em 1996 foi criada a Federação Internacional.

Esporte para malucos, talvez. Não há equipamento, nem roupa especial, nada. Apenas o corpo, a coragem (ou loucura?) e o mar lá embaixo. Contudo, é lindo de se ver e tem atraído mais do que adeptos, muitos fãs. Além do México e do Havaí, há diversos locais espalhados pelo mundo onde se pode praticar ou assistir esse esporte. Dubrovnik, na Croacia, Avegno, na Suíça e, é claro, Negril, na Jamaica, são alguns deles.

Por lá, existem penhascos de calcário com alturas que variam entre 12 e 21 m e são muito populares, tanto entre os locais, quanto entre os turistas. Vários hotéis e restaurantes dispõem de plataformas para salto, mas, certamente, a mais famosa delas fica no lendário Rick’s Cafe.

Fundado há 40 anos e destruído duas vezes por furacões (o mais recente, em 2004), o Rick’s Cafe é famoso por proporcionar, na opinião de muitos, o mais belo pôr do sol de toda ilha. No quesito cliff diving também é imbatível. Lá, a plataforma para saltos mais alta tem 11 m, mas há quem salte de pontos ainda mais elevados. Há mergulhadores, digamos, profissionais, que ganham a vida exibindo seus talentos no esporte, em troca de boas gorjetas.

Uma competição incrível, que acontece desde 2009 é a patrocinada pela Red Bull, a Red Bull Cliff Diving. Neste ano, foram sete etapas, começando por Cuba e terminando no México, e quinze competidores, sendo 5 mulheres. Entre elas, a brasileira Jacqueline Valente.

Notícia que circulou no início da competição, em maio, dizia que a Jamaica estava sendo considerada como possibilidade para uma das etapas, no próximo ano. Não conseguimos confirmação, mas estamos na torcida!

foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Karina Oliani, de volta à Jamaica!

As belezas naturais da Jamaica, dentro e fora d’água, fizeram Karina Oliani retornar à ilha. | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

As belezas naturais da Jamaica, dentro e fora d’água, fizeram Karina Oliani retornar à ilha. | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Pois é, Karina Oliani, médica e atleta de quem falamos recentemente (Karina Oliani: na terra, na água ou no ar), aceitou o convite do Jamaica Experience e voltou à Jamaica! Não poderia ser diferente. Sempre em seu ritmo acelerado, Karina aproveitou o pouco tempo na ilha para ter experiências inusitadas.

A primeira delas foi mergulhar em Port Antonio. Mas não um simples mergulho. A 25 m de profundidade, Karina e sua equipe, o fotógrafo subaquático Kadu Pinheiro e o maquiador Edu Hyde, fizeram um editorial de moda para a renomada marca Marcia Mello. Já imaginou estar atenta a manter-se em apneia e, ao mesmo tempo, sair linda nas fotos?

O maquiador Edu Hyde retoca o batom de Karina Oliani. | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

O maquiador Edu Hyde retoca o batom de Karina Oliani. | foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Karina pratica yoga na Jamaica para revitalizar as energias.

A fluidez das roupas e dos cabelos, além da intimidade com os corais coloridos demonstrada por Karina, fazem com que o editorial pareça ter sido feito com uma sereia de verdade! Além das fotos que você vê aqui, confira mais sobre os resultados no Facebook de Karina Oliani, siga-a no Twitter @KarinaOliani ou acesse a publicação da marca, na íntegra, através do link ao final desta matéria.

Ainda em Port Antonio, Karina visitou a Lagoa Azul: “a água, cor de esmeralda, é um dos cenários mais bonitos que  já vi! Tenho uma forte ligação com a água, sou mergulhadora credenciada desde os 12 anos, e poder conhecer esse lugar me deixou fascinada! E todas aquelas belezas naturais que aparecem no filme “A Lagoa Azul”? Quando vistas ao vivo, deixam qualquer um apaixonado!”, contou.

Em Negril, mais aventura! Karina também mergulhou por lá, visitou o famoso Rick’s Café e comeu no Corner Bar. Desconhecido da maioria dos turistas, o lugar é um típico bar de praia onde, segundo os locais, come-se a melhor comida da Jamaica. E sabe o que ela comeu? Conch, um molusco, primo do escargot, que, como ele, também é uma lesma e habita o interior de uma grande e bonita concha. Ah, essa Karina…

foto: Kadu Pinheiro | Jamaica Experience

Karina encantou-se com a variedade de espécies subaquáticas da ilha.

Houve um momento relax, pois Karina também precisava recarregar suas energias. Hospedou-se, então, no Jackie’s on the Reef, um spa que fica a 11 km do centro de Negril. Criado por uma nova-iorquina, que trocou a indústria da moda por este paraíso, o lugar é totalmente natural, dos tratamentos oferecidos à comida, preparada no fogão a lenha. Para que a integração à natureza seja total, lá não há TVs, computadores e telefones celulares são proibidos. Karina disse ter estranhado no início, mas depois entendeu que só assim seria possível viver intensamente a experiência.

A alegria e a hospitalidade do povo jamaicano; o pôr do sol, em Negril; o sabor pitoresco do ackee, a fruta símbolo da Jamaica. Foram tantos os momentos incríveis, que Karina Oliani foi incapaz de nos dizer do que mais gostou. Ela tem certeza, porém, de que valeu muito a pena ter aceito o convite. Karina, uma mulher que não aceita o óbvio, já incluiu a Jamaica em sua wish list. Pelo jeito, poderemos cruzar com ela em um dos cantos da ilha, ainda não descobertos pelos turistas.

Confira o editorial de moda feito na Jamaica na íntegra (págs. 110 a 137):

foto: divulgação Sandals Resorts

Lugar de golfe é na Jamaica

Por incrível que pareça, o golfe é o esporte que mais cresce no mundo: 10% ao ano. Praticado pelos escoceses desde os anos 1400 e de origem não bem definida (talvez inglesa, talvez romana), o esporte é muito popular nos EUA, onde há cerca de 31 milhões de jogadores, e no Japão, onde há aproximadamente 20 milhões.

“Annie’s Revenge” é o principal torneio de golfe internacional da Jamaica. | foto: reprodução internet

“Annie’s Revenge” é o principal torneio de golfe internacional da Jamaica. | foto: reprodução internet

A Jamaica, por influência da colonização inglesa e também pelo grande fluxo de turistas que recebe, especialmente norte-americanos, tornou-se um destino muito procurado para a prática do golfe. A Associação Jamaicana de Golfe existe desde 1925 e organiza diversos torneios importantes, incluindo o “Annie’s Revenge”.

Montego Bay é considerada a capital jamaicana do golfe. Lá estão concentrados quatro dos principais campos, todos muito diferenciados. Em Rose Hall, uma antiga fazenda de cana-de-açúcar, com área de 7.000 acres, estão localizados os dois primeiros, White Witch e Cinnamon Hill. O primeiro é um pouco mais plano e de seus 18 buracos, 16 têm vista para o mar. O segundo possui um terreno mais acidentado, com descidas e subidas, ultrapassando 100 m acima do mar, e várias ruínas do passado agrícola, como moinhos e aquedutos.

O campo do Tryall Club é considerado um dos mais bonitos do mundo. | foto: divulgação The Tryall Club

O campo do Tryall Club é considerado um dos mais bonitos do mundo. | foto: divulgação The Tryall Club

Bem próximo do Rose Hall está o Half Moon Resort, com 400 acres de área e um campo que foi recentemente reformado, tornando-se um dos mais extensos da região. A grande extensão é justamente o maior desafio deste campo. Por fim, a cerca de 20 km de Montego Bay está outro clássico, o Tryall Club. Também situado na área de uma antiga fazenda, o campo é considerado um dos mais bonitos do mundo. Possui 18 buracos, sendo 9 voltados para o mar e 9 para as montanhas. Construído em 1958, o campo foi ampliado nos anos 1990 e, no início dos anos 2000, reconstruído e modernizado, com técnicas de irrigação que melhoraram ainda mais as condições de jogo.

Ocho Rios é outra região da Jamaica na qual também se pode praticar golfe. As redes Sandals e Beaches possuem hotéis com campos modernos e excelente estrutura.

A nona edição do “Annie’s  Revenge”, o principal torneio internacional de golfe da Jamaica, para profissionais e amadores, será realizada entre os dias 29 de outubro e 2 de novembro. Se quiser participar, ainda dá tempo!

foto: Steele

Surf na Jamaica: clima favorável às “good vibes”

As melhores ondas da Jamaica estão ao sul da ilha  |  foto: reprodução internet

As melhores ondas da Jamaica estão ao sul da ilha | foto: reprodução internet

Surfar na Jamaica pode parecer uma ideia exótica, já que a ilha não é muito conhecida por esse esporte. Talvez por essa mesma razão, surfar por lá pode surpreender e revelar mais a respeito da cultura jamaicana.

O surf, na Jamaica, começou timidamente, nos anos 1950, com alguns turistas americanos, e ganhou mais adeptos já nos anos 1960, após a independência. Mesmo sendo uma ilha, não é possível surfar em qualquer parte. Ao norte, onde ficam a maioria dos resorts, o mar é flat, ou seja, sem ondas. Esse é o lado da ilha onde as ondulações são bloqueadas por outras ilhas, como Haiti, República Dominicana e Cuba.

O sul, próximo à capital, Kingston, é onde o surf acontece. O fundo do mar é de pedras, favorecendo a formação de ondas (em média, de 3 metros) durante o ano todo, sendo que as melhores estações para o esporte são o verão e o inverno.

O lendário Billy Mystic Wilmot em dois momentos: como músico e como surfista.  |  fotos: reprodução internet

O lendário Billy Mystic Wilmot em dois momentos: como músico e como surfista. | fotos: reprodução internet

Por ser um esporte totalmente ligado à natureza, o surf ganhou a simpatia dos rastafáris. Boa parte dos quase 200 surfistas jamaicanos são rastas. Um deles, além de surfista das antigas, é também o fundador da Associação de Surf da Jamaica e dono do Jamnesia Surf Club. Billy Mystic Wilmot surfa desde os anos 1970 e seus cinco filhos (incluindo uma mulher) seguiram o mesmo caminho. Billy também é músico e tem uma banda de reggae, a Mystic Revealers, que já gravou cinco CDs. Ao visitar a Jamnesia, de quebra, você pode curtir um ensaio.

O mapa da Jamnesia mostra os picos do surf ao leste da ilha  |  foto: reprodução internet

O mapa da Jamnesia mostra os picos do surf ao leste da ilha | foto: reprodução internet

O Jamnesia e a Associação funcionam no mesmo endereço. Lá, é possível ter aulas de surf (a filha de Billy, Imani, ensina crianças), bem como fazer pequenos reparos na prancha. É bom saber que, por enquanto, não há surf shops na ilha.

O grande barato de surfar na Jamaica, segundo brasileiros que tiveram essa experiência, é o astral do lugar. Ao contrário do Havaí, não há clima de competição o tempo todo. Os surfistas locais são hospitaleiros, gostam de assistir e também de acompanhar quem vem de fora. Outra vantagem é que não há crowd, ou seja, não há muitos surfistas pegando onda na mesma área.

foto: reprodução internet

Seguindo a trilha dos velocistas jamaicanos

Vamos a um rápido ping-pong: um país, Jamaica; um tipo de música, reggae; um cantor, Bob Marley; um esporte, corrida; um atleta, vários, entre eles, Usain Bolt. Mas, por que os jamaicanos são tão velozes?

foto: Getty Images

A Jamaica tem forte tradição em corridas: nos Jogos Olímpicos de Londres (1948), Arthur Wint vence seu compatriota Herb McKenley e conquista a primeira medalha de ouro da Jamaica em Olimpíadas.

Existem várias hipóteses para justificar o sucesso dos jamaicanos no atletismo, especialmente em provas de velocidade. Os números desse pequeno país são impressionantes. Na história das Olimpíadas, por exemplo, a Jamaica já conquistou 55 medalhas, sendo 54 delas em atletismo. Em 2004, dos 500 melhores tempos obtidos nos 100 metros rasos, 495 foram de atletas jamaicanos.

Nutricionistas acham que uma das razões pode estar ligada ao tipo de alimentação. O café da manhã típico é rico em carboidratos, que são fundamentais para uma boa performance dos corredores. Ele é composto de peixe, inhame, bananas e uma xícara de chá.

O segundo fator-chave seria o fato das crianças serem estimuladas a praticar corrida desde muito cedo. A maioria das escolas dispõe de pistas e é lá que os pequenos começam a se aventurar no esporte. Já na adolescência, participam do Boys and Girls Athletics Championship, ou, simplesmente, Champs. O campeonato é tão prestigiado na Jamaica quanto o Super Bowl, nos EUA: estádios lotados e transmissão ao vivo, para revelar a nova safra de talentos. Há, também, os clubes de corrida, nos quais os atletas treinam e se aperfeiçoam.

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A constituição física dos jamaicanos também é um diferencial. Eles têm pernas longas e pouca gordura corporal. Além disso, seus quadris são estreitos, permitindo que elevem mais seus joelhos quando correm. Há ainda um estudo no campo da genética, relacionado a um gene que seria responsável pelo alto desempenho dos jamaicanos. Dados preliminares sugerem que 70% dos jamaicanos possuem a forma mais pronunciada do gene ACTN3, que atua na produção de proteínas das fibras musculares de contração rápida. Essas fibras estariam ligadas ao bom rendimento nas corridas.

Dois supercampeões jamaicanos, Usain Bolt e Asafa Powell, também têm suas teorias a respeito do assunto. Asafa diz que a mentalidade do jamaicano é trabalhar para ser o melhor, é um povo dedicado. Bolt tem pensamento semelhante, para ele, os jamaicanos são um povo determinado e orgulhoso de sua raça, que se esforça para dar o melhor de si.

E é claro que, depois de inúmeras medalhas e gerações de campeões mundiais, o ideal de se tornar um corredor vitorioso esteja incutido nas mentes das crianças e jovens da Jamaica. Seus heróis lhes dão inspiração para treinar e buscar bons resultados.

O melhor de tudo isso é que a Jamaica mudou a forma de lidar com seus atletas. No início, os corredores eram majoritariamente pobres, vindos das favelas e, ao descobrirem-se talentosos, buscavam bolsas de estudos em universidades norte-americanas. Conseguiam um treinamento de alto nível, mas não se sentiam em casa. Hoje, além de todo incentivo dado à prática da corrida para os mais jovens, o país contrata os melhores técnicos e forma lá mesmo seus campeões. Ponto para a Jamaica, que está sabendo investir no potencial de seus atletas.

Resta esperar para ver se a ciência será capaz de desvendar os segredos que fazem do jamaicano um velocista nato. De qualquer forma, em 2016 teremos a oportunidade de ver esses incríveis corredores bem de perto, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet