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fotos: reprodução internet | fotomontagem: Jamaica Experience

Movimento Rastafári, parte 1: das origens ao reggae

Comunidade de Maroons nas montanhas jamaicanas, no início do século XX. | fotos: reprodução internet

Comunidade de Maroons nas montanhas jamaicanas, no início do século XX. | fotos: reprodução internet

A escravidão foi um dos fatos históricos dos quais a humanidade pode e deve sentir-se envergonhada. Contudo, mesmo algo assim pode gerar frutos positivos. Foi o que aconteceu na Jamaica, com o surgimento do movimento rastafári e do reggae.

Os colonizadores proibiam os escravos de professarem suas religiões africanas e, ao mesmo tempo, consideravam o cristianismo uma religião para povos brancos e desenvolvidos. Além do mais, certas noções de igualdade pregadas pela religião cristã não eram nada convenientes aos senhores de escravos. A África, como um todo, era considerada um local inferior, povoado por seres não civilizados. Daí, a necessidade do envio de missionários, para levar a civilização e a salvação àqueles povos.

Os negros escravizados sentiam-se oprimidos e tentavam manter suas crenças, de forma clandestina. Os Maroons, escravos fugidos que foram viver nas montanhas, em comunidades semelhantes aos quilombos brasileiros, foram responsáveis em grande parte pela resistência à cultura dos colonizadores.

Embora a escravatura tenha terminado em 1833, o movimento rastafári surgiria apenas um século depois, em 1930, a partir das ideias de Marcus Garvey, um ativista negro, descendente dos Maroons. Ele pregava a união dos povos negros e seu retorno à África. Seus conceitos encontraram grande aceitação junto a líderes religiosos da Jamaica, que passaram a considerar Garvey um profeta. Uma frase sua, vista como profecia, deu origem ao rastafarianismo. Garvey disse: “Olhe para a África, onde um rei negro será coroado. Ele será nosso redentor.”

O imperador da Etiópia Haile Selassie I  |  foto: reprodução internet

O imperador da Etiópia Haile Selassie I

O rei coroado foi Haile Selassie I, imperador da Etiópia, nascido Tafari Makonnen e posteriormente conhecido como Rás Tafari. Para os seguidores de Marcus Garvey, a profecia havia se concretizado e Haile Selassie passou a ser declarado o Messias Negro, Jah Rastafári, aquele que iria reuni-los na África.

Acredita-se que o primeiro grupo de rastafáris tenha se estabelecido na Jamaica, em 1935, liderados por Leonard P. Howell. Ele pregava a divindade de Selassie e explicava que os negros ganhariam a superioridade sobre os brancos, superioridade essa que sempre lhes fora destinada. Era o início do movimento, que buscava a repatriação para a África e a libertação dos povos negros.

Em 1954, a comunidade liderada por Howell foi destruída por uma batida policial e seus seguidores espalharam-se por toda a ilha, difundindo os conceitos do movimento. Em 1966, Haile Selassie visitou a Jamaica e foi recebido com grande entusiasmo. Bob Marley, que havia passado um tempo nos EUA, retornou para a ilha e converteu-se formalmente ao rastafarianismo. Nos anos 1960, graças a Marley e outros artistas ligados ao reggae, o movimento rastafári ganhou maiores proporções e passou a ser conhecido também fora da Jamaica.

Leonard P. Howell (à direita) é conhecido como o primeiro rasta. Ele foi o líder da comunidade rastafári que deu origem às atuais.  |  fotos: reprodução internet

Leonard P. Howell (à direita) é conhecido como o primeiro rasta. Ele foi o líder da comunidade rastafári que deu origem às atuais.

Em 1974, Haile Salassie foi deposto por uma revolução marxista e, no ano seguinte, morreu de forma misteriosa. O governo etíope anunciou a morte, mas não havia corpo. Se, por um lado, a morte de Selassie abalou as convicções dos rastas, por outro fez aumentar ainda mais sua fé. Poucos dias após o anúncio da morte, Bob Marley lançou a canção Jah Live (ouça abaixo), defendendo os princípios do movimento, apesar da aparente perda. Há quem acredite que Selassie não morreu e assumiu outra identidade. Para outros, ele de fato morreu, mas, assim como Cristo, um dia voltará para salvar seu povo.

foto: reprodução jamaica

A Jamaica também é um pouco chinesa

Há coisas na vida que a gente nem imagina, como por exemplo, que existe na Jamaica uma grande comunidade de ascendência chinesa. A exemplo do que ocorreu no Brasil, com o fim da escravidão, na Jamaica, também houve dificuldades para substituir a mão de obra nas lavouras. Então, o governo resolveu recrutar trabalhadores na China e também na Índia.

Algumas mulheres jamaicanas de origem chinesa nos anos 30  |  foto: reprodução internet

Algumas mulheres jamaicanas de origem chinesa nos anos 30 | foto: reprodução internet

Os chineses chegaram em grupos, a partir de 1850. Muitos, vinham de passagens por outras ilhas caribenhas e somente o último grupo, de 1884, veio diretamente da China. No total, imigraram inicialmente para a ilha cerca de 1.400 chineses. Em 1905, o governo instituiu medidas para controlar a imigração chinesa e, em 1930, quando já havia cerca de 4.000 pessoas vindas daquele país, dificultou ainda mais.

A medida que seus contratos e trabalho expiravam, os chineses buscavam maneiras de se estabelecer na Jamaica, pois não queriam retornar ao seu país, de onde vieram fugindo da superpopulação, da fome, de secas ou inundações. Assim, começaram a abrir pequenas quitandas em Kingston. Comerciantes natos, conquistaram clientes vendendo em pequenas quantidades, facilitando o pagamento e fazendo permutas. Graças às importações feitas pelos chineses, produtos como arroz, bacalhau, carnes salgadas e farinha de milho passaram integrar a base da dieta jamaicana.

Um dos imigrantes que chegaram nas primeiras levas foi Chin Tung-Kao, que, em 1891, fundou a Sociedade Benevolente Chinesa, a fim de oferecer ajuda social e humanitária aos imigrantes, além de proteger os hábitos e preservar a cultura de seu país natal. A entidade continua em atividade até hoje.

O popular jogo chinês Cash Pot é proibido na Jamaica  |  foto: reprodução internet

O popular jogo chinês Cash Pot é proibido na Jamaica | foto: reprodução internet

Além das quitandas ou mercearias, os imigrantes chineses também abriram lavanderias, padarias e restaurantes. Porém, em 1940, a segunda geração, agora de jamaicanos-chineses, rebelou-se contra seus pais, não queriam ficar restritos ao comércio, nem ao desejo da família, de permanecer ligados à cultura chinesa. Buscaram outros tipos de trabalho e se integraram a alguns aspectos da cultura jamaicana. Um dos exemplos dessa mistura é a popularidade de um jogo chinês chamado Drop Pan (atualmente mais conhecido como Cash Pot). No jogo, aposta-se em números de 1 a 36, que são sorteados, sendo que cada número está associado a um significado. Por exemplo, o número 11 significa cachorro, o número 12, cabeça. Apesar de popular, esse jogo é ilegal, na Jamaica.

Os descendentes de chineses controlam, na Jamaica, redes de supermercado como a Island Grille, Purity e SuperPlus, além de várias padarias e restaurantes. Já tiveram representantes em concursos de Miss Jamaica e, mais recentemente, a ganhadora do The Voice nos EUA (5ª temporada), foi Tessanne Chin, uma jamaicana, filha de pai descendente de chineses e mãe descendente de ingleses e africanos. A etnia chinesa corresponde a cerca de 1,2% da população atual da Jamaica, ou, aproximadamente 34.000 pessoas.

A jamaicana Tessanne Chin é uma das mais famosas representantes da colônia chinesa na ilha. | foto: reprodução internet

A jamaicana Tessanne Chin é uma das mais famosas representantes da colônia chinesa na ilha. | foto: reprodução internet

foto: reprodução internet

Jamaica: um pedaço da África no Caribe

O sorriso e a alegria são marcas registradas do povo jamaicano desde a infância. | foto: reprodução internet

O sorriso e a alegria são marcas registradas do povo jamaicano desde a infância. | foto: reprodução internet

Todos nós aprendemos, um dia, que os negros africanos trouxeram diversas contribuições à cultura brasileira. Lembra-se quais eram as principais? No vocabulário, palavras como babá, cachaça e fofoca. Na comida, pratos como o vatapá e o acarajé, ingredientes como o azeite de dendê e o leite de coco e, é claro a feijoada. Na música e na dança, o samba e a capoeira, misto de luta e dança. Na religião, o candomblé, e no folclore, lendas como a do Negrinho do Pastoreio. Em resumo, a cultura popular, o dia a dia do brasileiro está repleto de influências africanas.

Como em tantos outros aspectos, o mesmo acontece na Jamaica. Enquanto os europeus influenciaram a arquitetura, as formas de gestão e até os esportes, os africanos deixaram na ilha heranças semelhantes às deixadas no Brasil. Contudo, a supremacia negra na Jamaica é muito maior, chegando a 90% de ascendência africana e, desta forma, as raízes africanas parecem ainda mais evidentes, na cor da pele, no jingado, na alegria.

Uma banda tradicional de mento, o primeiro gênero musical jamaicano. | foto: reprodução internet

Uma banda tradicional de mento, o primeiro gênero musical jamaicano. | foto: reprodução internet

Tanto o inglês falado na Jamaica, quanto o patois, o dialeto local, são amplamente influenciados pelas línguas africanas. A linguagem, na Jamaica, é um assunto relacionado a classes sociais. As classes mais favorecidas, aqueles que tiveram maior acesso à educação formal, preferem se comunicar através do inglês standard; os habitantes das áreas rurais, das periferias e, especialmente os mais jovens, comunicam-se em Jamaican, ou seja, uma mistura de inglês e outras línguas que é única e característica da ilha.

Unu walk good, seen? Ya done know seh, a dem time deh … (All of you take care. As you know, we ‘ll meet again sometime …)  Isso é Jamaican! A sonoridade e a entonação das palavras, mesmo quando de raízes inglesas, são próximas das línguas africanas, assim como muitas estruturas gramaticais.

Da palavra, para a música. A primeira forma de música popular jamaicana foi o mento. Ele se utiliza basicamente de instrumentos acústicos, como o violão, o banjo, a hand drum (espécie de tambor) e a rhumba box (ou marímbula, espécie de caixote, usado com instrumento de percussão). As letras falavam do cotidiano e até da pobreza, mas com humor e pitadas de conotações sexuais. O auge do mento deu-se entre os anos 1940 e 1950, com nomes como Count Lasher, Alerth Bedassee, The Ticklers e Lord Flea. O mento influenciou ritmos mais contemporâneos, como o ska, o rockstead e o reggae.

Apresentação de kumina, dança típica jamaicana e derivada do Congo.  |  foto: reprodução internet

Apresentação de kumina, dança típica jamaicana e derivada do Congo. | foto: reprodução internet

A música leva à dança e também aos cultos religiosos. A Kumina, por exemplo, é uma expressão religiosa tipicamente jamaicana, derivada das crenças dos negros vindos do Congo. A dança é parte muito importante dos cultos que, como outras religiões africanas, envolvem a comunicação com espíritos. O Junkanoo é uma festa folclórica, com músicas e danças que lembram o carnaval brasileiro.

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Anansi é uma personagem do folclore jamaicano.

Um exemplo do folclore jamaicano são as Anansi Stories. Originadas na África, foram levadas à Jamaica pelos escravos ashanti e transmitidas oralmente, por gerações. Nas histórias,  Anansi existe como uma aranha, um homem ou uma combinação de ambos. Anansi é uma heroína diferente, é preguiçosa, inventiva e extremamente esperta. Um pouco como o nosso saci-pererê!

E para terminar de uma forma bem saborosa, vale lembrar que o ackee com saltfish, um dos pratos mais tradicionais da Jamaica, tem origens africanas. O próprio conceito de jerk tem raízes africanas, pois povos primitivos daquele país já assavam carne de porco em fogueiras feitas em buracos no chão, de forma muito similar aos primeiros jerks jamaicanos. Um continente, uma ilha e um país continental. Distantes geograficamente, mas conectados por inúmeras tradições e costumes. Como dizem os próprios jamaicanos, “Out of many, one people”.

Assista ao videoclipe de Rehab, com The Jolly Boys:

foto: reprodução internet

Bem-vindo à Jamaica britânica

As crianças aprendem inglês nas escolas, língua oficial da Jamaica.  |  foto: reprodução internet

As crianças aprendem inglês nas escolas, língua oficial da Jamaica. | foto: reprodução internet

O fato de ter sido uma colônia britânica por mais de 300 anos (de 1655 a 1962) deixou muitas marcas na Jamaica. Apesar de nem todas serem positivas, é interessante notar como a vida jamaicana está impregnada de elementos que remetem à cultura britânica, seja na arquitetura, na gastronomia, na política ou nos esportes.

O primeiro aspecto é a língua. Havia os nativos da ilha, os taínos. Então, chegaram os espanhóis, que lá ficaram por 150 anos e trouxeram os negros africanos, e depois os britânicos. Da mistura de todas essas línguas, com um pouquinho de português, surgiu o patois, que é falado por boa parte da população. Contudo, a língua oficial é o inglês, o que facilita a vida dos turistas e também dos jamaicanos, mais facilmente inseridos num mundo que se comunica em inglês.

Selo britânico em homenagem à Jamaica. Foto: reprodução internet

Selo britânico em homenagem à Jamaica. Foto: reprodução internet

A Jamaica, ainda hoje, é parte do Commonwealth. Isso significa que o país pertence ao império britânico, que tem a rainha Elizabeth como chefe de Estado. O sistema de governo jamaicano é parlamentarista e baseado no sistema britânico; o executivo é composto por um governador geral (que faz o papel da rainha), um primeiro-ministro, um vice-primeiro-ministro e os ministros; o legislativo, por senadores e a câmara, e o judiciário, pela Suprema Corte e os tribunais.

Patties, muito populares na Jamaica. | foto: reprodução internet

Patties, muito populares na Jamaica. | foto: reprodução internet

A gastronomia da Jamaica também foi influenciada pelos ingleses. O gosto por cozidos de vegetais, mingaus e pudins, são alguns exemplos. Mas, certamente, a invenção dos patties (tipo de pastel muito popular na Jamaica e consumido em lanches rápidos), creditada a eles, foi o maior legado. Largamente consumidos, são tão populares quanto um hambúrguer, para os americanos.

O mais importante produto jamaicano na época da colonização inglesa era a cana-de-açúcar. Nos latifúndios, as casas-grandes, muitas delas ainda preservadas, foram construídas no estilo inglês. A Greenwood Great House e a Rose Hall Great House, que ficam em St. James, na costa norte, são dois exemplos que podem ser visitados. Em Kingston, a Devon House, mansão que pertenceu ao primeiro bilionário negro da Jamaica, George Stiebel, também é aberta à visitação e ainda abriga restaurantes e lojas de artesanato.

Outras curiosidades: o esporte mais popular da Jamaica é o cricket e, para quem pretende visitar o país é bom saber que a mão de direção é inglesa!

A mansão Devon House, ponto turístico aberta à visitação, que abriga restaurantes e lojas de artesanato.  |  foto: reprodução internet

A mansão Devon House, ponto turístico aberta à visitação, que abriga restaurantes e lojas de artesanato. | foto: reprodução internet

foto: Steele

Surf na Jamaica: clima favorável às “good vibes”

As melhores ondas da Jamaica estão ao sul da ilha  |  foto: reprodução internet

As melhores ondas da Jamaica estão ao sul da ilha | foto: reprodução internet

Surfar na Jamaica pode parecer uma ideia exótica, já que a ilha não é muito conhecida por esse esporte. Talvez por essa mesma razão, surfar por lá pode surpreender e revelar mais a respeito da cultura jamaicana.

O surf, na Jamaica, começou timidamente, nos anos 1950, com alguns turistas americanos, e ganhou mais adeptos já nos anos 1960, após a independência. Mesmo sendo uma ilha, não é possível surfar em qualquer parte. Ao norte, onde ficam a maioria dos resorts, o mar é flat, ou seja, sem ondas. Esse é o lado da ilha onde as ondulações são bloqueadas por outras ilhas, como Haiti, República Dominicana e Cuba.

O sul, próximo à capital, Kingston, é onde o surf acontece. O fundo do mar é de pedras, favorecendo a formação de ondas (em média, de 3 metros) durante o ano todo, sendo que as melhores estações para o esporte são o verão e o inverno.

O lendário Billy Mystic Wilmot em dois momentos: como músico e como surfista.  |  fotos: reprodução internet

O lendário Billy Mystic Wilmot em dois momentos: como músico e como surfista. | fotos: reprodução internet

Por ser um esporte totalmente ligado à natureza, o surf ganhou a simpatia dos rastafáris. Boa parte dos quase 200 surfistas jamaicanos são rastas. Um deles, além de surfista das antigas, é também o fundador da Associação de Surf da Jamaica e dono do Jamnesia Surf Club. Billy Mystic Wilmot surfa desde os anos 1970 e seus cinco filhos (incluindo uma mulher) seguiram o mesmo caminho. Billy também é músico e tem uma banda de reggae, a Mystic Revealers, que já gravou cinco CDs. Ao visitar a Jamnesia, de quebra, você pode curtir um ensaio.

O mapa da Jamnesia mostra os picos do surf ao leste da ilha  |  foto: reprodução internet

O mapa da Jamnesia mostra os picos do surf ao leste da ilha | foto: reprodução internet

O Jamnesia e a Associação funcionam no mesmo endereço. Lá, é possível ter aulas de surf (a filha de Billy, Imani, ensina crianças), bem como fazer pequenos reparos na prancha. É bom saber que, por enquanto, não há surf shops na ilha.

O grande barato de surfar na Jamaica, segundo brasileiros que tiveram essa experiência, é o astral do lugar. Ao contrário do Havaí, não há clima de competição o tempo todo. Os surfistas locais são hospitaleiros, gostam de assistir e também de acompanhar quem vem de fora. Outra vantagem é que não há crowd, ou seja, não há muitos surfistas pegando onda na mesma área.

jamaica beach wallpaper

Jamaica: a terra da madeira e da água

Jamaica é um país insular situado no mar do Caribe, que compreende a terceira maior ilha das Grandes Antilhas. A ilha, que tem uma área de 10.990 km², fica a cerca de 145 km ao sul de Cuba e 191 km a oeste de Hispaniola, a ilha caribenha que é o lar dos Estados-nação do Haiti e da República Dominicana. Os povos indígenas da ilha, os taínos, chamavam-na de Xaymaca em aruaque, ou seja, a “terra da madeira e da água” ou a “terra dos mananciais”.

Depois de tornar uma possessão espanhola conhecida como Santiago, em 1655 a ilha passa ao domínio britânico e é nomeada como “Jamaica”. O país conseguiu sua completa independência do Reino Unido apenas em 6 de agosto de 1962. Com 2,8 milhões de pessoas, é o terceiro país anglófono mais populoso na América, depois dos Estados Unidos e do Canadá. Kingston é a maior cidade e a capital do país, com uma população que ronda um milhão de habitantes.

O país é um reino da Commonwealth, com a rainha Elizabeth II como seu monarca e chefe de Estado. Seu representante designado no país é o governador-geral da Jamaica, atualmente Patrick Allen. O chefe de governo e primeiro-ministro da Jamaica é Portia Simpson-Miller. A Jamaica é uma monarquia constitucional parlamentar com o poder legislativo investido no parlamento bicameral nacional, que consiste de um senado e uma câmara composta por representantes eleitos pela população.

A cultura jamaicana é caracterizada pelo sincretismo resultante da mistura dos vários povos que habitam a ilha desde os primórdios de sua descoberta pelos espanhóis, no século XVII. Aos nativos aruaques (aruwak) juntaram-se os latinos espanhóis, os negros africanos, os ingleses, que dominaram a ilha posteriormente além imigrantes que para lá se transferiram após a extinção do regime escravista. Destes, os imigrantes hindus são os mais notáveis pela influência que exerceram sobre vários aspectos do comportamento local, em especial, no âmbito da religião. Isto porque as coisas que dizem respeito à religiosidade despertam profundo interesse naquela comunidade, essencialmente mística apesar de oficialmente ser majoritariamente anglicana. 

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O anglicanismo da ilha não pôde evitar a miscigenação das idéias e a teologia do jamaicano médio abriga tradições variadas que vão do cristianismo aos rituais tradicionais africanos, como o Vodoo, por exemplo. O país é berço do Rastafarianismo e da Reggae-music, duas expressões de subjetividade identitária que são intimamente ligadas. A religião rastafári representa uma reação original local contra os padrões de espiritualidade impostos pela religião européia. A população negra jamaicana é descendente de levas de escravos que foram aprisionados em diferentes regiões da África, mas sobretudo, a maioria pertencia a culturas refinadas do norte do continente que floresceram em países como Sudão, Somália e Etiópia. Nestas regiões, as populações negras do século XVII, há muitas gerações tinham contato com crenças variadas. As mais importantes eram: judaísmo, islamismo e cristianismo ortodoxo. Estes povos negros falavam línguas “exóticas” como o árabe e o aramaico, além das africana ioruba e kwa, entre outras.

Estas diferentes linhas de pensamento aparecem nas Congregações rastafári que se inclinam mais ou menos para o Cristianismo Ortodoxo, adotam mandamentos do Antigo Testamento (judaico) e costumes evidentemente islâmicos e também hindus. Os dread ou tranças-mechas dos rastafaris são idênticos aos cabelos dos saddhus da Índia bem como a idéia do uso da marijuana com finalidades rituais. Algumas congregações prescrevem conduta e indumentária femininas de inspiração muçulmana e as “liturgias” ou encontros místicos, incluem performances com tambores que resgatam ritmos africanos. O uso dos tambores em ofícios religiosos chegou a ser adotado por Igrejas Cristãs Jamaicanas de orientação Ortodoxa. Essa percussão está na raiz da criação do gênero de música denominado reggae-raiz, que combina a cadência hipnótica dos tambores com harmonias simples e arranjos que utilizam guitarras e outros instrumentos com sonoridades do blues e do rock norte americano. 

Além da música e da religião, a cena cultural da Jamaica se completa com a coexistência harmônica de produtos industriais com artesanais. Roupas e acessórios coloridos e objetos de arte em madeira são combinados com o plástico e o alumínio da pós-modernidade.