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Seguindo a trilha dos velocistas jamaicanos

Vamos a um rápido ping-pong: um país, Jamaica; um tipo de música, reggae; um cantor, Bob Marley; um esporte, corrida; um atleta, vários, entre eles, Usain Bolt. Mas, por que os jamaicanos são tão velozes?

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A Jamaica tem forte tradição em corridas: nos Jogos Olímpicos de Londres (1948), Arthur Wint vence seu compatriota Herb McKenley e conquista a primeira medalha de ouro da Jamaica em Olimpíadas.

Existem várias hipóteses para justificar o sucesso dos jamaicanos no atletismo, especialmente em provas de velocidade. Os números desse pequeno país são impressionantes. Na história das Olimpíadas, por exemplo, a Jamaica já conquistou 55 medalhas, sendo 54 delas em atletismo. Em 2004, dos 500 melhores tempos obtidos nos 100 metros rasos, 495 foram de atletas jamaicanos.

Nutricionistas acham que uma das razões pode estar ligada ao tipo de alimentação. O café da manhã típico é rico em carboidratos, que são fundamentais para uma boa performance dos corredores. Ele é composto de peixe, inhame, bananas e uma xícara de chá.

O segundo fator-chave seria o fato das crianças serem estimuladas a praticar corrida desde muito cedo. A maioria das escolas dispõe de pistas e é lá que os pequenos começam a se aventurar no esporte. Já na adolescência, participam do Boys and Girls Athletics Championship, ou, simplesmente, Champs. O campeonato é tão prestigiado na Jamaica quanto o Super Bowl, nos EUA: estádios lotados e transmissão ao vivo, para revelar a nova safra de talentos. Há, também, os clubes de corrida, nos quais os atletas treinam e se aperfeiçoam.

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A constituição física dos jamaicanos também é um diferencial. Eles têm pernas longas e pouca gordura corporal. Além disso, seus quadris são estreitos, permitindo que elevem mais seus joelhos quando correm. Há ainda um estudo no campo da genética, relacionado a um gene que seria responsável pelo alto desempenho dos jamaicanos. Dados preliminares sugerem que 70% dos jamaicanos possuem a forma mais pronunciada do gene ACTN3, que atua na produção de proteínas das fibras musculares de contração rápida. Essas fibras estariam ligadas ao bom rendimento nas corridas.

Dois supercampeões jamaicanos, Usain Bolt e Asafa Powell, também têm suas teorias a respeito do assunto. Asafa diz que a mentalidade do jamaicano é trabalhar para ser o melhor, é um povo dedicado. Bolt tem pensamento semelhante, para ele, os jamaicanos são um povo determinado e orgulhoso de sua raça, que se esforça para dar o melhor de si.

E é claro que, depois de inúmeras medalhas e gerações de campeões mundiais, o ideal de se tornar um corredor vitorioso esteja incutido nas mentes das crianças e jovens da Jamaica. Seus heróis lhes dão inspiração para treinar e buscar bons resultados.

O melhor de tudo isso é que a Jamaica mudou a forma de lidar com seus atletas. No início, os corredores eram majoritariamente pobres, vindos das favelas e, ao descobrirem-se talentosos, buscavam bolsas de estudos em universidades norte-americanas. Conseguiam um treinamento de alto nível, mas não se sentiam em casa. Hoje, além de todo incentivo dado à prática da corrida para os mais jovens, o país contrata os melhores técnicos e forma lá mesmo seus campeões. Ponto para a Jamaica, que está sabendo investir no potencial de seus atletas.

Resta esperar para ver se a ciência será capaz de desvendar os segredos que fazem do jamaicano um velocista nato. De qualquer forma, em 2016 teremos a oportunidade de ver esses incríveis corredores bem de perto, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet