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Alia Atkinson | foto: reprodução internet | Matthew DeMaria/Tennessee Athletics

Alia Atkinson: nadando contra a maré

Anualmente, são eleitos na Jamaica os melhores atletas do país. Competem separadamente homens e mulheres, esportistas de diversas modalidades. No ano de 2014 a premiação foi atípica: no masculino, Bolt não foi sequer indicado – deixando a vaga para outros medalhistas do atletismo – e o vencedor foi o boxeador Nicholas ‘Axe man’ Walters . Já entre as mulheres, após 40 anos foi indicada uma representante da natação e, mesmo competindo com atletas do porte de Shelly Ann Fraser-Pryce, Stephanie McPherson e Veronica Campbell-Brown (todas do atletismo), Alia Atkinson foi a vencedora.

Alia Atkinson em Doha 2014: alegria pelo recorde mundial e orgulho pela medalha de ouro.  |  fotos: reprodução internet

Alia Atkinson em Doha 2014: alegria pelo recorde mundial e orgulho pela medalha de ouro.

Também não era para menos. Em 2014, no Campeonato Mundial de Natação realizado em Doha, no Qatar, Alia não apenas venceu os 100 m nado peito como bateu o recorde mundial, tornando-se a primeira atleta negra campeã mundial de natação em piscina curta. Este ano, no Mundial de Kazan, na Rússia, conquistou medalha de bronze, a primeira em piscina longa (50 m) para a Jamaica.

Aos 26 anos de idade, Alia já participou de três Olimpíadas (Grécia, 2004, Pequim, 2008 e Londres, 2012). Na primeira, tinha apenas 15 anos e ficou deslumbrada com a presença de atletas renomadas como as irmãs Serena e Venus Williams. Já em Londres, esteve muito perto da medalha de bronze: menos de meio segundo.

Por ser uma ilha, seria natural imaginar que a Jamaica fosse uma grande produtora mundial de nadadores. Porém, não é o que acontece. Como se sabe, o atletismo é o esporte mais promissor do país. Alia Atkinson, contudo, começou a nadar muito cedo e na adolescência mudou-se com a família para a Flórida, EUA, onde logo começou a participar de competições.

A nadadora jamaicana é inspiração para muitas crianças que estão começando a nadar.  |  fotos: reprodução internet

A nadadora jamaicana é inspiração para muitas crianças que estão começando a nadar.

Hoje, além de atleta, Alia trabalha no International Swimming Hall of Fame, na Flórida. A instituição visa promover a natação tornando o esporte mais popular entre as minorias étnicas como chineses, negros e hispânicos. Segundo Alia, o objetivo é desenvolver a segurança na água e também a imagem da natação como esporte e lição de vida.

Como tantos outros atletas, Alia é dedicada e aprendeu desde muito cedo a abrir mão de uma rotina típica de qualquer jovem, com festas e baladas pelas madrugadas. Elegeu a natação como seu objetivo e trabalha sempre pensando no próximo desafio. No caso, o próximo grande desafio são os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.

Alia, que foi a porta-bandeira da Jamaica no Pan do Rio, em 2007, quer ver seu rosto em evidência novamente, nas piscinas e melhor ainda, nos pódios. Ela espera que a popularidade alcançada com suas recentes conquistas a ajudem a obter patrocínio para que possa intensificar os treinamentos e tornar seu sonho olímpico realidade.

Assista à final dos 100m nado peito, vencida por Alia, em Doha 2014:

foto: reprodução internet

Seguindo a trilha dos velocistas jamaicanos

Vamos a um rápido ping-pong: um país, Jamaica; um tipo de música, reggae; um cantor, Bob Marley; um esporte, corrida; um atleta, vários, entre eles, Usain Bolt. Mas, por que os jamaicanos são tão velozes?

foto: Getty Images

A Jamaica tem forte tradição em corridas: nos Jogos Olímpicos de Londres (1948), Arthur Wint vence seu compatriota Herb McKenley e conquista a primeira medalha de ouro da Jamaica em Olimpíadas.

Existem várias hipóteses para justificar o sucesso dos jamaicanos no atletismo, especialmente em provas de velocidade. Os números desse pequeno país são impressionantes. Na história das Olimpíadas, por exemplo, a Jamaica já conquistou 55 medalhas, sendo 54 delas em atletismo. Em 2004, dos 500 melhores tempos obtidos nos 100 metros rasos, 495 foram de atletas jamaicanos.

Nutricionistas acham que uma das razões pode estar ligada ao tipo de alimentação. O café da manhã típico é rico em carboidratos, que são fundamentais para uma boa performance dos corredores. Ele é composto de peixe, inhame, bananas e uma xícara de chá.

O segundo fator-chave seria o fato das crianças serem estimuladas a praticar corrida desde muito cedo. A maioria das escolas dispõe de pistas e é lá que os pequenos começam a se aventurar no esporte. Já na adolescência, participam do Boys and Girls Athletics Championship, ou, simplesmente, Champs. O campeonato é tão prestigiado na Jamaica quanto o Super Bowl, nos EUA: estádios lotados e transmissão ao vivo, para revelar a nova safra de talentos. Há, também, os clubes de corrida, nos quais os atletas treinam e se aperfeiçoam.

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A constituição física dos jamaicanos também é um diferencial. Eles têm pernas longas e pouca gordura corporal. Além disso, seus quadris são estreitos, permitindo que elevem mais seus joelhos quando correm. Há ainda um estudo no campo da genética, relacionado a um gene que seria responsável pelo alto desempenho dos jamaicanos. Dados preliminares sugerem que 70% dos jamaicanos possuem a forma mais pronunciada do gene ACTN3, que atua na produção de proteínas das fibras musculares de contração rápida. Essas fibras estariam ligadas ao bom rendimento nas corridas.

Dois supercampeões jamaicanos, Usain Bolt e Asafa Powell, também têm suas teorias a respeito do assunto. Asafa diz que a mentalidade do jamaicano é trabalhar para ser o melhor, é um povo dedicado. Bolt tem pensamento semelhante, para ele, os jamaicanos são um povo determinado e orgulhoso de sua raça, que se esforça para dar o melhor de si.

E é claro que, depois de inúmeras medalhas e gerações de campeões mundiais, o ideal de se tornar um corredor vitorioso esteja incutido nas mentes das crianças e jovens da Jamaica. Seus heróis lhes dão inspiração para treinar e buscar bons resultados.

O melhor de tudo isso é que a Jamaica mudou a forma de lidar com seus atletas. No início, os corredores eram majoritariamente pobres, vindos das favelas e, ao descobrirem-se talentosos, buscavam bolsas de estudos em universidades norte-americanas. Conseguiam um treinamento de alto nível, mas não se sentiam em casa. Hoje, além de todo incentivo dado à prática da corrida para os mais jovens, o país contrata os melhores técnicos e forma lá mesmo seus campeões. Ponto para a Jamaica, que está sabendo investir no potencial de seus atletas.

Resta esperar para ver se a ciência será capaz de desvendar os segredos que fazem do jamaicano um velocista nato. De qualquer forma, em 2016 teremos a oportunidade de ver esses incríveis corredores bem de perto, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet

foto: divulgação

Usain Bolt, o homem sem limites

Usain Bolt no início de carreira  |  foto: reprodução internet

Usain Bolt no início de carreira | foto: reprodução internet

Era uma vez um garoto jamaicano que, como tantos outros, amava cricket. Ele morava com a família numa área rural e frequentava a escola local. Era lá que o menino jogava cricket. Ele jogava bem, mas corria como ninguém! Tanto é que, aos doze anos de idade já era o mais rápido da escola nos 100 metros.

Usain St. Leo Bolt começou assim. Sua velocidade nos campos de cricket fez com que seu técnico lhe apresentasse as pistas de atletismo. Em 2001, aos 14 anos e cursando o high school, Bolt ganhou sua primeira medalha: prata pelos 200 metros, no campeonato escolar.

Pablo Mc Neil, um ex-velocista jamaicano, passou a ser seu técnico. No ano seguinte, Bolt teve seu primeiro sucesso mundial: venceu os 200 metros no Campeonato Mundial de Atletismo Júnior, realizado na Jamaica, tornando-se o medalhista mais novo de todos os tempos, na categoria júnior. Daí por diante, passou a ser Lightning Bolt, ou, apenas, Bolt.

Em 2004, Bolt sofria de uma persistente lesão no tendão. Mesmo assim, foi convocado para as Olimpíadas de Atenas, mas não teve um bom desempenho. Não passou das eliminatórias dos 200 metros. Em 2005, Bolt passou a ser treinado por Glen Mills, outro ex-velocista que já era o treinador da equipe olímpica. Seu desempenho o levou a ficar entre os cinco melhores em 2005 e 2006, mas Bolt ainda tinha problemas com lesões.

Bolt correndo com crianças pelas ruas da Jamaica  |  foto: reprodução internet

Bolt correndo com crianças pelas ruas da Jamaica | foto: reprodução internet

O ano de 2007  foi, então, o ano da virada. Bolt quebrou o recorde nacional dos 200 metros, que há 30 anos pertencia a Donald Quarrie, e ganhou duas medalhas de prata no Campeonato Mundial de Osaka, no Japão. Mais motivado e maduro, tinha início uma trajetória infindável de vitórias.

Em 2008, Bolt começou a participar de competições de 100 metros. Primeiro, em Nova Iorque, quebrou o recorde mundial. Na sequência, nas Olimpíadas de Pequim, conquistou três ouros, nos 100 e 200 metros e no revezamento 4×100, com os companheiros Nesta Carter, Michael Frater e Asafa Powell. Na final dos 100 metros, em que quebrou o recorde mundial, Bolt visivelmente reduziu a velocidade para celebrar antes da linha de chegada, causando certa polêmica.

Nos Jogos Mundiais de 2009 e 2011, respectivamente na Alemanha e na Coreia do Sul, Bolt venceu nas mesmas categorias (exceto os 100 metros, na Coreia, pois foi desclassificado por queimar a largada). Em Londres, nas Olimpíadas de 2012, repetiu o mesmo feito, batendo seu próprio recorde nos 100 metros. Tornou-se o primeiro atleta olímpico a ser bicampeão nas duas distâncias, em jogos consecutivos. Em 2013, nos Jogos Mundiais de Moscou,  mais uma vez, ganhou tudo. Só não quebrou recordes.

Uma lenda, um mito, uma figuraça! Descontraído, sorridente e bem-humorado, é um exemplo perfeito do povo jamaicano. Com seu tradicional gesto, imitando um raio e suas inúmeras citações, Bolt já é parte da história mundial do esporte. História que ainda está sendo escrita e da qual esperamos por cada capítulo, especialmente em 2016, aqui no Brasil.

“Sempre há limites. Eu não conheço os meus.”, diz Bolt. E o menino Bolt, além do cricket, amava (e ainda ama) o futebol. Sabe quais são seus planos para quando se aposentar do atletismo? Jogar uma Champions League, quem sabe pelo Manchester United, seu time do coração. Você duvida?

As várias faces de Usain Bolt  |  foto: divulgação

As várias faces de Usain Bolt | foto: divulgação

 

foto: reprodução internet

Cricket: o esporte do povo

O cricket é um esporte bastante antigo. Derivado de um jogo medieval rural chamado stoolball, começou a ser praticado pela nobreza da Inglaterra, no século XVII. Além de popular no Reino Unido, tornou-se muito praticado, também, nas antigas colônias, como Índia, Paquistão e Jamaica.

Apesar da aura de esporte de elite, na Jamaica o cricket é um esporte tão popular quanto o futebol no Brasil. De fato, no início, o esporte era praticado pelas classes sociais mais abastadas, com os times divididos entre gentlemen – os únicos que podiam ser capitães da equipe – e os players, que eram pagos para jogar. Com o passar do tempo, por todo o Caribe, pessoas de todas as classes começaram a se envolver com o cricket e, até hoje, é o esporte favorito dos espectadores.

Vista aérea do Sabina Park Cricket Stadium  |  foto: divulgação

Vista aérea do Sabina Park Cricket Stadium | foto: divulgação

Um dos maiores e mais famosos estádios de cricket da Jamaica é o Sabina Park. Está localizado em Kingston e tem 12.000 lugares. Desde 1895, o estádio já recebeu 144 jogos da primeira divisão (os first-class games). Outros estádios importantes são o Trelawny Multi-Purpose Sports Club, que sediou a cerimônia de abertura da Copa Mundial de Cricket, em 2007 , o  Alpart Sports Club Ground, em St Elizabeth, o Kensington Park, em Kingston, o Jarrett Park, em Montego Bay e o Chedwin Park, em St Catherine.

Para se jogar cricket são necessários onze jogadores de cada lado, que utilizam tacos e bolas. Como o limite para uma partida não é de tempo, uma só partida de críquete pode levar dias. Hoje, a maioria dos jogos é disputada em dois tempos, numa tarde ou noite.

Na Jamaica, Usain Bolt também pratica o cricket  |  foto: reprodução internet

Na Jamaica, Usain Bolt também pratica o cricket | foto: reprodução internet

A Jamaica começou a participar de competições first-class a partir de 1965-66, quando houve a primeira Shell Shield, em que disputavam países do Caribe (as West Indies). Posteriormente,  o torneio passou a se chamar Carib Beer Cup e hoje é o Regional Four Day Competition. Barbados é o maior campeão, com 19 títulos, porém, a Jamaica é o atual campeão e o país com maior número de títulos consecutivos (cinco).

Apesar de não participar individualmente de competições internacionais, pois, nesse caso um único time representa todo o Caribe, a Jamaica tem nomes brilhantes dentro do esporte como Jimmy Adams, Gerry Alexander, Jeff Dujon, George Headley, Michael Holding, Lawrence Rowe, Alfred Valentine, Courtney Walsh, Patrick Patterson e Frank Worrell.

Usain Bolt, o homem mais rápido da terra

Os olhos para Bolt e a Jamaica no ‘Rio 2016’

O esporte é um dos temas que tem dado à Jamaica grande destaque no noticiário mundial. Referência no atletismo, o país ostenta a condição de ter entre seus atletas o homem mais rápido da Terra: Usain Bolt.

Com seis recordes olímpicos e oito títulos mundiais na bagagem, o jamaicano é a estrela maior de um supertime de atletas, que conta ainda com outros grandes nomes deste esporte, como Asafa Powell, Yohan Blake e Shelly-Ann Fraser, entre muitos outros.

Shelly-Ann Fraser, estrela feminina do supertime de atletas velocistas da Jamaica

Shelly-Ann Fraser, estrela feminina do supertime de atletas velocistas da Jamaica

As Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, será uma grande oportunidade de ver os atletas jamaicanos e seu maior astro em ação.

“Meu objetivo nos Jogos do Rio é defender meus títulos Olímpicos de Pequim e Londres nos 100m, 200m e no 4x100m. Planejo me aposentar no fim da temporada de 2016 ou em 2017. Ainda não tinha olhado o calendário do Rio 2016, mas é bom saber (Bolt poderá se despedir dos Jogos Olímpicos no dia de seu aniversário de 30 anos, durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Rio 2016, em 21 de agosto) e espero ter muitas razões para comemorar”, disse o jamaicano, em entrevista ao site rio2016.com.

“Os brasileiros têm uma paixão enorme e criarão uma energia especial nos estádios e na cidade. Já fui ao Rio duas vezes. Tive muita sorte de fazer um passeio de helicóptero e poder ver a paisagem e as praias da cidade lá de cima. É um lugar maravilhoso. Espero que os Jogos do Rio sejam uma grande festa e estou ansioso para celebrar”, afirmou o velocista, que já faz planos para a sua aposentadoria: “Quando eu deixar o atletismo, vou dar um tempo nos treinamentos e me dedicar a alguns negócios e ao trabalho na Fundação Usain Bolt. Gostaria de tentar jogar futebol profissional também”, revelou o “raio” jamaicano.