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No parque Rainforest, em Ochio Rios, há um pequeno museu que conta a história do Bobslead jamaicano. - Foto: Laerte Brasil

Os verdadeiros protagonistas do bobsled jamaicano

Foto: reprodução internet

O time jamaicano à época da primeira competição: o improviso era a regra para conquistar o sonho olímpico.

Já sabemos que entre ficção e realidade há uma longa distância. Falamos, anteriormente, sobre o filme “Jamaica Abaixo de Zero” (“Cool Runnings”), mostrando as semelhanças e diferenças entre a história real e a do cinema. Agora, vamos contar mais sobre os membros do time e suas histórias pessoais.

Devon Harris não conseguiu se classificar para as Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. Ele era um corredor de meia distância e, enquanto servia o exército, em 1987, viu um anúncio recrutando candidatos a serem os primeiros bobsledders  jamaicanos a participar de uma competição olímpica. Por mais que achasse a ideia absurda, seu sonho de tornar-se um atleta olímpico o motivou e ele entrou para o time.

Após a participação em Calgary, no Canadá, Harris ainda continuou praticando bobsled, paralelamente à sua carreira militar, até 1992. Depois da segunda participação do bobsled jamaicano em Jogos de Inverno nesse mesmo ano, na França, Harris deixou o esporte e também o exército. Em 2008, escreveu um livro infantil e, atualmente, é escritor e palestrante motivacional.

Dudley Stokes foi convidado a participar do time quando era piloto de helicóptero do exército. Seu diferencial, adquirido pela função que exercia, era a coordenação entre os olhos e as mãos, muito importante, também, para pilotar um bobsled. Apesar de, até 1987, Dudley nunca ter visto um bobsled, em poucos meses já participava de uma competição olímpica. Ele também competiu nos Jogos de Inverno de 1992, 1994 e 1998 e hoje administra a Federação Jamaicana de Bobsled.

Foto: Troude/Presse via USA TODAY Sports

Os membros originais do famoso time jamaicano de 1988, em foto de 2007. Da esquerda para a direita: Devon Harris, Michael White, Chris Stokes e Dudley Stokes.

Michael White era operador de rádio do exército e foi um dos primeiros a ser chamado a participar do time. Ele participou dos Jogos de 1992, na França, e mudou-se posteriormente para Nova Iorque, onde vive até hoje, trabalhando numa grande rede varejista.

Caswell Allen era engenheiro ferroviário. Ele entrou para o time jamaicano, mas não chegou a competir. Quando estavam treinando, no Canadá, Allen caiu e ficou impossibilitado de participar. Às pressas, o irmão de Dudley Stokes, Chris Stokes, o substituiu. Chris estava no Canadá apenas para assistir o irmão; ele estudava nos EUA e também praticava atletismo. Assim como Dudley, Chris nunca tinha visto um bobsled antes. Aprendeu com os colegas e, em três dias, competiu.

Chris Stokes permaneceu ligado ao esporte. Competiu nos Jogos de Inverno seguintes (1992, 1994 e 1998) e, em 2009, escreveu um livro contando toda a história, Cool Runnings and Beyond – The Story of the Jamaica Bobsleigh. Ele é hoje gerente financeiro e, junto com o irmão, Dudley, dirige a  Federação Jamaicana de Bobsled.

Foto: reprodução internet

A Mystic Mountain, no parque Rainforest, em Ocho Rios: montanha russa simula pista de Bobsled.

A Jamaica participou de todas as edições dos Jogos de Inverno após 1988 (exceto 2006). Em 2014, em Sochi, na Rússia, ficou em último lugar. Certamente, não foi por falta de torcida. O Jamaican Tourism Board lançou até uma campanha, com música tema e tudo: The Bobsled Song (ouça acima). Além da música casar perfeitamente com o movimento do bobsled na pista, as pessoas eram incentivadas a baixá-la e compartilhá-la com os amigos pois, cada vez que fosse ouvida, vibrações positivas seriam enviadas ao time.

Se os atletas não corresponderam na pista, ao menos a ação foi um sucesso e, somada ao sucesso do filme e às participações da Jamaica nos Jogos, só fez aumentar o valor que se dá por lá a esse esporte. No parque Rainforest, que fica em Ocho Rios, há, além da Mystic Mountain – uma montanha russa cujo carrinho simula um bobsled – um pequeno museu que conta toda a saga do time jamaicano. Visita interessante, para relembrar essa história incrível, nascida a partir de uma ideia inusitada.

foto: reprodução internet

Jamaicanos famosos: muito além do reggae e das corridas

Além das belezas naturais, a Jamaica tem o dom de produzir grandes músicos e velocistas. Mas não fica só por aí, basta pesquisar um pouco para descobrir que esta pequena ilha do Caribe tem dezenas de outros filhos ilustres, que se consagraram em diferentes áreas.

Marcus Garvey é considerado herói nacional e profeta do movimento rastafári na Jamaica.  |  foto: reprodução internet

Marcus Garvey é considerado herói nacional e profeta do movimento rastafári na Jamaica. | foto: reprodução internet

Marcus Garvey nasceu na Jamaica, em 1887, e durante toda vida trabalhou em defesa dos direitos dos negros. Já na adolescência, quando trabalhava como aprendiz numa gráfica, tomou contato com movimentos sindicais e participou de uma greve malsucedida, que, no entanto, lhe despertou a paixão pelo ativismo político.

Garvey viajou pela América Central como editor de um jornal e viu de perto a exploração de imigrantes nos latifúndios. Posteriormente, estudou em Londres e lá trabalhou para jornais que pregavam o chamado Nacionalismo Pan-Africano. De volta à Jamaica, em 1912, fundou o Universal Negro Improvement Association (UNIA), cujo objetivo principal era unir as pessoas de ascendência africana num só país, com governo próprio. Em 1920, a UNIA possuía 1.100 filiais, em mais de 40 países, incluindo os EUA, além de países no Caribe e na África.

Patrick Ewing faz parte do Basketball Hall of Fame. | foto: reprodução internet

Patrick Ewing faz parte do Basketball Hall of Fame. | foto: reprodução internet

Marcus Garvey militou nos EUA e na Inglaterra, onde morreu, em 1940. Na Jamaica, é considerado herói nacional e também profeta do movimento rastafári, por seus ideais. Em 1975, o cantor de reggae Burning Spear lançou o álbum “Marcus Garvey”, cuja primeira faixa homenageia o líder jamaicano.

No campo dos esportes, mas, desta vez, no basquete, a Jamaica tem um representante ilustre: Patrick Ewing. Ele emigrou para os EUA aos onze anos de idade e lá começou a jogar basquete com os vizinhos. Aprendeu facilmente, mas tinha de se dedicar muito aos estudos, pois tinha certa dificuldade. Enfim, conseguiu entrar na Geogetown University, onde iniciou sua carreira no esporte. Jogou por 15 anos pelos New York Knicks, teve passagem pelos Seattle SuperSonics e Orlando Magic e foi ganhador de duas medalhas de ouro, nos Jogos Olímpicos de 1984 e 1992. Foi eleito um dos 50 maiores jogadores da NBA de todos os tempos.

Lisa Hanna une beleza à inteligência e habilidade política. | foto: reprodução internet

Lisa Hanna une beleza à inteligência e habilidade política. | foto: reprodução internet

Para terminar, uma personagem de trajetória inusitada. Em 1993, aos 18 anos de idade, a jamaicana Lisa Hanna foi eleita Miss Mundo. Ela, que já tinha feitos trabalhos voluntários na adolescência e apresentado um famoso programa de TV, chamado Rappin, graduou-se e pós graduou-se em comunicação. Depois de atuar na área, em 2007, foi eleita como Membro do Parlamento. Em 2012, foi indicada Ministra da Juventude e da Cultura, cargo que ocupa até hoje.

Além desses três exemplos, poetas, historiadores, escritores, atores, modelos. Gente que sempre viveu na Jamaica ou que buscou oportunidades em outros países. Pouco a pouco, através da biografia desses jamaicanos ilustres, mostraremos um pouco mais da cultura jamaicana. Aguardem!

foto: divulgação Sandals Resorts

Lugar de golfe é na Jamaica

Por incrível que pareça, o golfe é o esporte que mais cresce no mundo: 10% ao ano. Praticado pelos escoceses desde os anos 1400 e de origem não bem definida (talvez inglesa, talvez romana), o esporte é muito popular nos EUA, onde há cerca de 31 milhões de jogadores, e no Japão, onde há aproximadamente 20 milhões.

“Annie’s Revenge” é o principal torneio de golfe internacional da Jamaica. | foto: reprodução internet

“Annie’s Revenge” é o principal torneio de golfe internacional da Jamaica. | foto: reprodução internet

A Jamaica, por influência da colonização inglesa e também pelo grande fluxo de turistas que recebe, especialmente norte-americanos, tornou-se um destino muito procurado para a prática do golfe. A Associação Jamaicana de Golfe existe desde 1925 e organiza diversos torneios importantes, incluindo o “Annie’s Revenge”.

Montego Bay é considerada a capital jamaicana do golfe. Lá estão concentrados quatro dos principais campos, todos muito diferenciados. Em Rose Hall, uma antiga fazenda de cana-de-açúcar, com área de 7.000 acres, estão localizados os dois primeiros, White Witch e Cinnamon Hill. O primeiro é um pouco mais plano e de seus 18 buracos, 16 têm vista para o mar. O segundo possui um terreno mais acidentado, com descidas e subidas, ultrapassando 100 m acima do mar, e várias ruínas do passado agrícola, como moinhos e aquedutos.

O campo do Tryall Club é considerado um dos mais bonitos do mundo. | foto: divulgação The Tryall Club

O campo do Tryall Club é considerado um dos mais bonitos do mundo. | foto: divulgação The Tryall Club

Bem próximo do Rose Hall está o Half Moon Resort, com 400 acres de área e um campo que foi recentemente reformado, tornando-se um dos mais extensos da região. A grande extensão é justamente o maior desafio deste campo. Por fim, a cerca de 20 km de Montego Bay está outro clássico, o Tryall Club. Também situado na área de uma antiga fazenda, o campo é considerado um dos mais bonitos do mundo. Possui 18 buracos, sendo 9 voltados para o mar e 9 para as montanhas. Construído em 1958, o campo foi ampliado nos anos 1990 e, no início dos anos 2000, reconstruído e modernizado, com técnicas de irrigação que melhoraram ainda mais as condições de jogo.

Ocho Rios é outra região da Jamaica na qual também se pode praticar golfe. As redes Sandals e Beaches possuem hotéis com campos modernos e excelente estrutura.

A nona edição do “Annie’s  Revenge”, o principal torneio internacional de golfe da Jamaica, para profissionais e amadores, será realizada entre os dias 29 de outubro e 2 de novembro. Se quiser participar, ainda dá tempo!

foto: reprodução internet

Seguindo a trilha dos velocistas jamaicanos

Vamos a um rápido ping-pong: um país, Jamaica; um tipo de música, reggae; um cantor, Bob Marley; um esporte, corrida; um atleta, vários, entre eles, Usain Bolt. Mas, por que os jamaicanos são tão velozes?

foto: Getty Images

A Jamaica tem forte tradição em corridas: nos Jogos Olímpicos de Londres (1948), Arthur Wint vence seu compatriota Herb McKenley e conquista a primeira medalha de ouro da Jamaica em Olimpíadas.

Existem várias hipóteses para justificar o sucesso dos jamaicanos no atletismo, especialmente em provas de velocidade. Os números desse pequeno país são impressionantes. Na história das Olimpíadas, por exemplo, a Jamaica já conquistou 55 medalhas, sendo 54 delas em atletismo. Em 2004, dos 500 melhores tempos obtidos nos 100 metros rasos, 495 foram de atletas jamaicanos.

Nutricionistas acham que uma das razões pode estar ligada ao tipo de alimentação. O café da manhã típico é rico em carboidratos, que são fundamentais para uma boa performance dos corredores. Ele é composto de peixe, inhame, bananas e uma xícara de chá.

O segundo fator-chave seria o fato das crianças serem estimuladas a praticar corrida desde muito cedo. A maioria das escolas dispõe de pistas e é lá que os pequenos começam a se aventurar no esporte. Já na adolescência, participam do Boys and Girls Athletics Championship, ou, simplesmente, Champs. O campeonato é tão prestigiado na Jamaica quanto o Super Bowl, nos EUA: estádios lotados e transmissão ao vivo, para revelar a nova safra de talentos. Há, também, os clubes de corrida, nos quais os atletas treinam e se aperfeiçoam.

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A genética pode ser um dos fatores responsáveis pelo alto desempenho dos jamaicanos. | foto: reprodução internet

A constituição física dos jamaicanos também é um diferencial. Eles têm pernas longas e pouca gordura corporal. Além disso, seus quadris são estreitos, permitindo que elevem mais seus joelhos quando correm. Há ainda um estudo no campo da genética, relacionado a um gene que seria responsável pelo alto desempenho dos jamaicanos. Dados preliminares sugerem que 70% dos jamaicanos possuem a forma mais pronunciada do gene ACTN3, que atua na produção de proteínas das fibras musculares de contração rápida. Essas fibras estariam ligadas ao bom rendimento nas corridas.

Dois supercampeões jamaicanos, Usain Bolt e Asafa Powell, também têm suas teorias a respeito do assunto. Asafa diz que a mentalidade do jamaicano é trabalhar para ser o melhor, é um povo dedicado. Bolt tem pensamento semelhante, para ele, os jamaicanos são um povo determinado e orgulhoso de sua raça, que se esforça para dar o melhor de si.

E é claro que, depois de inúmeras medalhas e gerações de campeões mundiais, o ideal de se tornar um corredor vitorioso esteja incutido nas mentes das crianças e jovens da Jamaica. Seus heróis lhes dão inspiração para treinar e buscar bons resultados.

O melhor de tudo isso é que a Jamaica mudou a forma de lidar com seus atletas. No início, os corredores eram majoritariamente pobres, vindos das favelas e, ao descobrirem-se talentosos, buscavam bolsas de estudos em universidades norte-americanas. Conseguiam um treinamento de alto nível, mas não se sentiam em casa. Hoje, além de todo incentivo dado à prática da corrida para os mais jovens, o país contrata os melhores técnicos e forma lá mesmo seus campeões. Ponto para a Jamaica, que está sabendo investir no potencial de seus atletas.

Resta esperar para ver se a ciência será capaz de desvendar os segredos que fazem do jamaicano um velocista nato. De qualquer forma, em 2016 teremos a oportunidade de ver esses incríveis corredores bem de perto, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet

Entre outros fatores, as conquistas das atletas jamaicanas são fruto de treinamento intenso e obstinação. | fotos: reprodução internet

foto: reprodução internet

Reggae Girlz e o futuro do futebol feminino na Jamaica

São inúmeras as coincidências entre a Jamaica e o Brasil. O poder de transformação que o futebol pode exercer na vida de um atleta é uma delas. Além das óbvias questões relativas à saúde, o futebol provoca uma intervenção social, facilita o acesso à educação, transforma-se em trabalho e em uma melhor oportunidade de vida para as classes sociais menos favorecidas. A história do futebol feminino jamaicano, em especial, é fascinante.

A jamaicana Beverly Ranger foi a "Pelé feminina" | foto: reprodução internet

A jamaicana Beverly Ranger foi a “Pelé feminina” | foto: reprodução internet

Tudo começou nos anos 1970, com uma atleta chamada Beverly Ranger. Nascida na Jamaica, mudou-se aos 12 anos para a Inglaterra e começou a jogar futebol com garotos, num parque perto do estádio de Wembley. Foi notada por um jornalista e jogou em dois times ingleses (o Watford  e o Amersham Town), antes de partir para a Alemanha, em 1974. Lá, ficou conhecida como Black Pearl, a pérola negra. Foi a primeira jogadora a receber um salário, ganhou prêmio pelo gol do mês (desbancando muitos marmanjos!) e foi a primeira mulher a ser patrocinada pela Puma.

O talento de Beverly popularizou o futebol feminino na Alemanha, muito antes da criação da Bundesliga Feminina, em 1990/91. Os estádios ficavam lotados para assistir àquela que foi também chamada de “Pelé feminina”. Os alemães, é claro, investiram e profissionalizaram o esporte e vêm colhendo resultados: nos seis campeonatos mundiais já realizados, obteve um quarto lugar (no primeiro, em 1991), um segundo lugar (1995) e dois títulos, em 2003 e 2007.

A Associação Jamaicana de Futebol Feminino foi criada em 1980 e a Liga Feminina, com 6 times, apenas em 1990. Foi um desenvolvimento lento, não por escassez de talentos, mas de recursos e vontade política. Mais coincidências… Considerando-se que o futebol é o esporte que mundialmente mais cresce entre as mulheres (sendo que o número de participantes quase dobrou entre 2000  e 2010), seria esperado um grande interesse na oferta de patrocínio. Contudo, não é o que acontece.

As Reggae Girlz disputam uma vaga no Mundial 2015. foto: reprodução internet

As Reggae Girlz disputam uma vaga no Mundial 2015. foto: reprodução internet

A Sherwin Williams tem sido, ao longo da última década, a única empresa a investir no futebol feminino da Jamaica.  Seu suporte permite a transição das meninas dos campeonatos escolares, para o grupo principal. Além do apoio ao esporte, a empresa tem ajudado as atletas individualmente, com bolsas de estudo, treinamento de habilidades profissionais e oportunidades de emprego. A Sherwin Williams Women’s League conta, atualmente, com 12 times.

Mesmo com esse patrocínio, a situação do futebol feminino jamaicano é delicada. Está hoje, na 125ª posição no ranking da Fifa, e busca o feito inédito de se classificar para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será realizada no Canadá, em 2015. Para tanto, as Reggae Girlz, como é a chamada a seleção nacional, iniciou uma campanha para arrecadação de fundos, cuja a embaixadora é Cedella Marley, filha do cantor Bob Marley.

A arrecadação está sendo feita através do site GoFundMe e conseguiu, até o momento, cerca de 155 mil dólares, dos 750 mil necessários. Para cada doação de até 5 mil dólares a Marley Foundation, que pertence à família Marley, doará o dobro do valor, bastando que o doador cite a entidade após confirmar o donativo.

Cedella Marley, a embaixadora das Reggae Girlz, e a equipe de futebol feminino.  | foto: reprodução internet

Cedella Marley, a embaixadora das Reggae Girlz, e a equipe de futebol feminino. | foto: reprodução internet

Se o montante não for alcançado, a equipe poderá ficar de fora das eliminatórias por falta de verbas para custear hospedagem e transporte, entre outros. “É uma pena, porque muitas mulheres jovens receberam bolsas escolares para a faculdade, baseadas em sua habilidade atlética. Essa educação dá poder não só a elas, mas também para nossa nação como um todo”, afirmou a filha de Bob Marley.

A próxima etapa de classificação acontece em outubro. Mais do que torcer pelas Reggae Girlz será preciso torcer para que o futebol feminino jamaicano vença os desafios que têm atrapalhado seu desenvolvimento.

foto: reprodução internet

Jamaica Abaixo de Zero: inspirado numa história real

O filme "Jamaica Abaixo de Zero" foi um sucesso da Disney  |  foto: divulgação Disney

O filme “Jamaica Abaixo de Zero” foi um sucesso da Disney | foto: divulgação Disney

Muitas vezes, acontecimentos reais acabam por gerar boas histórias. É claro, com algumas adaptações e as chamadas licenças poéticas. É o caso de “Cool Runnings”, ou “Jamaica Abaixo de Zero”, filme de 1993.

O enredo gira em torno da primeira participação da Jamaica, país de clima quente, em jogos de inverno. Desde a inusitada ideia de tomar parte numa competição como essa, passando pela preparação dos atletas e a performance propriamente dita, o filme garante boas risadas.

Mas houve algo de real em toda a história, que se passa em 1988. George Finch e William Maloney, dois americanos que tinham ligações pessoais com a Jamaica, pensaram que corredores de velocidade seriam ideais num time de bobsled, uma vez que o início das provas consiste em uma corrida de 50 m.

Entusiasmados, buscaram adesão nas equipes de atletismo jamaicanas, mas não conseguiram. Procuraram ajuda no meio militar e, enfim, foram classificados Devon Harris, capitão do Exército e ex-corredor, Dudley Stokes, piloto de helicóptero, Michael White, operador de rádio e Caswell Allen, engenheiro.

O time jamaicano de Bobsled em 88: White, Stokes, Harris e Powell. | foto: reprodução internet

O time jamaicano de Bobsled em 88: White, Stokes, Harris e Powell. | foto: reprodução internet

As condições de treinamento foram muito diferentes do apresentado nas telas. A dupla de americanos tinha recursos e estava disposta a financiar a empreitada. Com orientação de diversos treinadores, ao longo de toda preparação, o quarteto praticou numa base militar da Jamaica, foi meses antes para Calgary, no Canadá, cidade onde seriam realizados os Jogos de Inverno, para conhecer as condições reais e chegaram até a participar de eventos menores, na Áustria.

A receptividade das demais equipes nos Jogos foi muito positiva, providenciando, inclusive, um trenó reserva para a equipe jamaicana. Contudo, o desfecho foi semelhante ao do filme. Por um erro do piloto, os jamaicanos realmente bateram e foram caminhando até a linha de chegada, porém, não carregaram o trenó nas costas.

A Jamaica seguiu participando na modalidade nos Jogos de Inverno de 1992, na França, 1994, na Noruega, 1998, no Japão e 2002, nos Estados Unidos. Ficou de fora das duas edições seguintes e voltou neste ano, nos Jogos realizados em Sóchi, na Rússia.

O time atualmente: Michael White, Devon Harris, Dudley Stokes e Chris Stokes. | foto: reprodução internet

O time atualmente: Michael White, Devon Harris, Dudley Stokes e Chris Stokes. | foto: reprodução internet

Mais uma vez, roteiro de cinema. Para ir aos Jogos, a equipe teve de levantar recursos através da  internet. Na chegada à Rússia, parte do equipamento havia extraviado numa das conexões, prejudicando os treinos. O resultado, ainda que sem acidentes, foi a penúltima colocação.

Piadas à parte, é admirável a determinação e a perseverança dos atletas que, mesmo diante de tantas adversidades, continuam batalhando para participar dos Jogos de Inverno. Aliás, é bom lembrar, a Jamaica abriu caminho para que outros países de clima quente, inclusive o Brasil, passassem a se aventurar nesse tipo de competição.

Só mais uma coisa: a trilha sonora do filme é ótima e inclui a versão reggae de Jimmy Cliff para I Can See Clearly Now. Ouça abaixo e, se puder, (re)veja o filme!

A equipe de Bobsled da Jamaica de 1988 foi um exemplo de determinação, perseverança e espírito esportivo.  |  fotos: reprodução internet

A equipe de Bobsled da Jamaica de 1988 foi um exemplo de determinação, perseverança e espírito esportivo. | fotos: reprodução internet

foto: divulgação

Usain Bolt, o homem sem limites

Usain Bolt no início de carreira  |  foto: reprodução internet

Usain Bolt no início de carreira | foto: reprodução internet

Era uma vez um garoto jamaicano que, como tantos outros, amava cricket. Ele morava com a família numa área rural e frequentava a escola local. Era lá que o menino jogava cricket. Ele jogava bem, mas corria como ninguém! Tanto é que, aos doze anos de idade já era o mais rápido da escola nos 100 metros.

Usain St. Leo Bolt começou assim. Sua velocidade nos campos de cricket fez com que seu técnico lhe apresentasse as pistas de atletismo. Em 2001, aos 14 anos e cursando o high school, Bolt ganhou sua primeira medalha: prata pelos 200 metros, no campeonato escolar.

Pablo Mc Neil, um ex-velocista jamaicano, passou a ser seu técnico. No ano seguinte, Bolt teve seu primeiro sucesso mundial: venceu os 200 metros no Campeonato Mundial de Atletismo Júnior, realizado na Jamaica, tornando-se o medalhista mais novo de todos os tempos, na categoria júnior. Daí por diante, passou a ser Lightning Bolt, ou, apenas, Bolt.

Em 2004, Bolt sofria de uma persistente lesão no tendão. Mesmo assim, foi convocado para as Olimpíadas de Atenas, mas não teve um bom desempenho. Não passou das eliminatórias dos 200 metros. Em 2005, Bolt passou a ser treinado por Glen Mills, outro ex-velocista que já era o treinador da equipe olímpica. Seu desempenho o levou a ficar entre os cinco melhores em 2005 e 2006, mas Bolt ainda tinha problemas com lesões.

Bolt correndo com crianças pelas ruas da Jamaica  |  foto: reprodução internet

Bolt correndo com crianças pelas ruas da Jamaica | foto: reprodução internet

O ano de 2007  foi, então, o ano da virada. Bolt quebrou o recorde nacional dos 200 metros, que há 30 anos pertencia a Donald Quarrie, e ganhou duas medalhas de prata no Campeonato Mundial de Osaka, no Japão. Mais motivado e maduro, tinha início uma trajetória infindável de vitórias.

Em 2008, Bolt começou a participar de competições de 100 metros. Primeiro, em Nova Iorque, quebrou o recorde mundial. Na sequência, nas Olimpíadas de Pequim, conquistou três ouros, nos 100 e 200 metros e no revezamento 4×100, com os companheiros Nesta Carter, Michael Frater e Asafa Powell. Na final dos 100 metros, em que quebrou o recorde mundial, Bolt visivelmente reduziu a velocidade para celebrar antes da linha de chegada, causando certa polêmica.

Nos Jogos Mundiais de 2009 e 2011, respectivamente na Alemanha e na Coreia do Sul, Bolt venceu nas mesmas categorias (exceto os 100 metros, na Coreia, pois foi desclassificado por queimar a largada). Em Londres, nas Olimpíadas de 2012, repetiu o mesmo feito, batendo seu próprio recorde nos 100 metros. Tornou-se o primeiro atleta olímpico a ser bicampeão nas duas distâncias, em jogos consecutivos. Em 2013, nos Jogos Mundiais de Moscou,  mais uma vez, ganhou tudo. Só não quebrou recordes.

Uma lenda, um mito, uma figuraça! Descontraído, sorridente e bem-humorado, é um exemplo perfeito do povo jamaicano. Com seu tradicional gesto, imitando um raio e suas inúmeras citações, Bolt já é parte da história mundial do esporte. História que ainda está sendo escrita e da qual esperamos por cada capítulo, especialmente em 2016, aqui no Brasil.

“Sempre há limites. Eu não conheço os meus.”, diz Bolt. E o menino Bolt, além do cricket, amava (e ainda ama) o futebol. Sabe quais são seus planos para quando se aposentar do atletismo? Jogar uma Champions League, quem sabe pelo Manchester United, seu time do coração. Você duvida?

As várias faces de Usain Bolt  |  foto: divulgação

As várias faces de Usain Bolt | foto: divulgação

 

foto: reprodução internet

Cricket: o esporte do povo

O cricket é um esporte bastante antigo. Derivado de um jogo medieval rural chamado stoolball, começou a ser praticado pela nobreza da Inglaterra, no século XVII. Além de popular no Reino Unido, tornou-se muito praticado, também, nas antigas colônias, como Índia, Paquistão e Jamaica.

Apesar da aura de esporte de elite, na Jamaica o cricket é um esporte tão popular quanto o futebol no Brasil. De fato, no início, o esporte era praticado pelas classes sociais mais abastadas, com os times divididos entre gentlemen – os únicos que podiam ser capitães da equipe – e os players, que eram pagos para jogar. Com o passar do tempo, por todo o Caribe, pessoas de todas as classes começaram a se envolver com o cricket e, até hoje, é o esporte favorito dos espectadores.

Vista aérea do Sabina Park Cricket Stadium  |  foto: divulgação

Vista aérea do Sabina Park Cricket Stadium | foto: divulgação

Um dos maiores e mais famosos estádios de cricket da Jamaica é o Sabina Park. Está localizado em Kingston e tem 12.000 lugares. Desde 1895, o estádio já recebeu 144 jogos da primeira divisão (os first-class games). Outros estádios importantes são o Trelawny Multi-Purpose Sports Club, que sediou a cerimônia de abertura da Copa Mundial de Cricket, em 2007 , o  Alpart Sports Club Ground, em St Elizabeth, o Kensington Park, em Kingston, o Jarrett Park, em Montego Bay e o Chedwin Park, em St Catherine.

Para se jogar cricket são necessários onze jogadores de cada lado, que utilizam tacos e bolas. Como o limite para uma partida não é de tempo, uma só partida de críquete pode levar dias. Hoje, a maioria dos jogos é disputada em dois tempos, numa tarde ou noite.

Na Jamaica, Usain Bolt também pratica o cricket  |  foto: reprodução internet

Na Jamaica, Usain Bolt também pratica o cricket | foto: reprodução internet

A Jamaica começou a participar de competições first-class a partir de 1965-66, quando houve a primeira Shell Shield, em que disputavam países do Caribe (as West Indies). Posteriormente,  o torneio passou a se chamar Carib Beer Cup e hoje é o Regional Four Day Competition. Barbados é o maior campeão, com 19 títulos, porém, a Jamaica é o atual campeão e o país com maior número de títulos consecutivos (cinco).

Apesar de não participar individualmente de competições internacionais, pois, nesse caso um único time representa todo o Caribe, a Jamaica tem nomes brilhantes dentro do esporte como Jimmy Adams, Gerry Alexander, Jeff Dujon, George Headley, Michael Holding, Lawrence Rowe, Alfred Valentine, Courtney Walsh, Patrick Patterson e Frank Worrell.

Bob Marley no mundo da moda

É difícil imaginar Bob Marley preocupado com seu visual ou antenado com as tendências da estação. Porém, todo homem deixa seu legado e o de Bob Marley é vasto, não apenas no campo musical.

Em sua passagem pela Terra, Bob Marley criou muito e deixou 12 filhos. Os mais conhecidos são aqueles que seguiram carreira musical, como Julian, Ziggy, Stephen e Damian. Mas há também a primogênita, Cedella Marley, que depois de atuar com os irmãos como vocalista da banda Melody Makers, tornou-se estilista de moda.

Cedella desenhou a linha Marley Apparel, uma linha masculina de roupas casuais e esportivas, que remetem ao estilo despojado de Bob Marley, nos anos 1960 e 1970.

Roupas inspiradas no estilo Bob desenhadas por Cedella

Lançadas no último mês de julho, as camisetas e jaquetas esportivas têm motivos ligados à música e ao futebol, duas das grandes paixões de Bob Marley. É uma coleção produzida com tecidos de qualidade e um toque retrô. Parte da renda desta coleção é revertida à One Love Gardens, iniciativa da família Marley, que busca ajudar comunidades necessitadas, na Jamaica. A linha é limitada e vendida exclusivamente através do site www.wearmarley.com

Cedella Marley é, também, a embaixadora mundial da seleção jamaicana de futebol feminino, conhecida como Reggae Girlz. Ela desenhou o uniforme do time e está engajada numa campanha para arrecadação de fundos, a fim de que as garotas possam buscar a classificação para a Copa Mundial de Futebol Feminino, que será realizada em 2015, no Canadá.

Turistas no Rick's Café para ver o pôr do sol, em Negril

Inédito: 10 razões para conhecer a Jamaica!

Sim, você já leu algo assim em alguma revista ou site de turismo. É uma pauta tradicional. Mas, será que foi sobre a Jamaica?

Vamos direto ao ponto: neste post, vamos apenas listar 10 bons motivos para conhecer a Jamaica. Em breve, vamos explorar e detalhar cada um deles.

 

1. Clima

Localizada no Mar do Caribe, a Jamaica tem clima tropical e ao longo do ano a temperatura média é de 27 graus. Uma ótima opção mesmo no inverno.

 

2. Esportes radicais

Por ser uma ilha, a especialidade são os esportes aquáticos, como mergulho, canoagem, esqui aquático e cliff diving. Mas também é possível voar de parapente ou saltar de bungee jump.

 

3. Passeios ao ar livre

A natureza da Jamaica é exuberante: praias, montanhas, cachoeiras. E ainda dá para visitar crocodilos ou nadar com golfinhos.

 

4. Reggae

É onde tudo começou, a terra de Bob Marley. O reggae está por toda parte, nas ruas, nas festas, no povo.

 

5. É no Caribe

Aruba e Bahamas já são mais que um hit do turismo. A Jamaica é uma opção diferente.

 

6. Conhecer o cenário de Lagoa Azul

Um clássico da Sessão da Tarde, o filme, de 1980, foi gravado no paraíso real: a Blue Lagoon.

 

7. Conhecer tradições africanas sem cruzar o Atlântico

Dentre as ilhas do Mar do Caribe, é na Jamaica que a cultura africana se faz mais presente.

 

8. Atividades para crianças

Aulas de culinária, artesanato ou reggae, contato com a natureza e animais. A Jamaica é children friendly!

 

9. Uma viagem de 10 dias

Por ser relativamente pequena, em 10 dias dá para conhecer bem a Jamaica. Se tiver mais tempo, melhor!

 

10. Feel the good vibrations

Semelhante ao Brasil em muitos sentidos, a Jamaica tem um povo alegre e amigável. Além disso, o clima, a música, a cultura, tudo leva a relaxar e absorver energias positivas.