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Jamaica Abaixo de Zero: inspirado numa história real

O filme "Jamaica Abaixo de Zero" foi um sucesso da Disney  |  foto: divulgação Disney

O filme “Jamaica Abaixo de Zero” foi um sucesso da Disney | foto: divulgação Disney

Muitas vezes, acontecimentos reais acabam por gerar boas histórias. É claro, com algumas adaptações e as chamadas licenças poéticas. É o caso de “Cool Runnings”, ou “Jamaica Abaixo de Zero”, filme de 1993.

O enredo gira em torno da primeira participação da Jamaica, país de clima quente, em jogos de inverno. Desde a inusitada ideia de tomar parte numa competição como essa, passando pela preparação dos atletas e a performance propriamente dita, o filme garante boas risadas.

Mas houve algo de real em toda a história, que se passa em 1988. George Finch e William Maloney, dois americanos que tinham ligações pessoais com a Jamaica, pensaram que corredores de velocidade seriam ideais num time de bobsled, uma vez que o início das provas consiste em uma corrida de 50 m.

Entusiasmados, buscaram adesão nas equipes de atletismo jamaicanas, mas não conseguiram. Procuraram ajuda no meio militar e, enfim, foram classificados Devon Harris, capitão do Exército e ex-corredor, Dudley Stokes, piloto de helicóptero, Michael White, operador de rádio e Caswell Allen, engenheiro.

O time jamaicano de Bobsled em 88: White, Stokes, Harris e Powell. | foto: reprodução internet

O time jamaicano de Bobsled em 88: White, Stokes, Harris e Powell. | foto: reprodução internet

As condições de treinamento foram muito diferentes do apresentado nas telas. A dupla de americanos tinha recursos e estava disposta a financiar a empreitada. Com orientação de diversos treinadores, ao longo de toda preparação, o quarteto praticou numa base militar da Jamaica, foi meses antes para Calgary, no Canadá, cidade onde seriam realizados os Jogos de Inverno, para conhecer as condições reais e chegaram até a participar de eventos menores, na Áustria.

A receptividade das demais equipes nos Jogos foi muito positiva, providenciando, inclusive, um trenó reserva para a equipe jamaicana. Contudo, o desfecho foi semelhante ao do filme. Por um erro do piloto, os jamaicanos realmente bateram e foram caminhando até a linha de chegada, porém, não carregaram o trenó nas costas.

A Jamaica seguiu participando na modalidade nos Jogos de Inverno de 1992, na França, 1994, na Noruega, 1998, no Japão e 2002, nos Estados Unidos. Ficou de fora das duas edições seguintes e voltou neste ano, nos Jogos realizados em Sóchi, na Rússia.

O time atualmente: Michael White, Devon Harris, Dudley Stokes e Chris Stokes. | foto: reprodução internet

O time atualmente: Michael White, Devon Harris, Dudley Stokes e Chris Stokes. | foto: reprodução internet

Mais uma vez, roteiro de cinema. Para ir aos Jogos, a equipe teve de levantar recursos através da  internet. Na chegada à Rússia, parte do equipamento havia extraviado numa das conexões, prejudicando os treinos. O resultado, ainda que sem acidentes, foi a penúltima colocação.

Piadas à parte, é admirável a determinação e a perseverança dos atletas que, mesmo diante de tantas adversidades, continuam batalhando para participar dos Jogos de Inverno. Aliás, é bom lembrar, a Jamaica abriu caminho para que outros países de clima quente, inclusive o Brasil, passassem a se aventurar nesse tipo de competição.

Só mais uma coisa: a trilha sonora do filme é ótima e inclui a versão reggae de Jimmy Cliff para I Can See Clearly Now. Ouça abaixo e, se puder, (re)veja o filme!

A equipe de Bobsled da Jamaica de 1988 foi um exemplo de determinação, perseverança e espírito esportivo.  |  fotos: reprodução internet

A equipe de Bobsled da Jamaica de 1988 foi um exemplo de determinação, perseverança e espírito esportivo. | fotos: reprodução internet