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Julian Marley no palco do Espaço das Américas | foto: Fabiano Oliveira

The Wailers & Julian Marley: mágico!

2015 começou muito bem para os amantes de reggae no Brasil. Isso porque o The Wailers, banda ícone do reggae mundial – conhecida, entre outras coisas, por ter sido a banda do rei do reggae, Bob Marley – esteve de passagem por aqui em turnê que percorreu quase todo o país.

O grupo, que já esteve no Brasil em muitas outras oportunidades, desta vez resolveu presentear os fãs com uma apresentação histórica e subiu ao palco pela primeira vez acompanhando o filho do rei, Julian Marley. Mais: reuniu vários integrantes de uma formação clássica, que excursionaram ao lado de Bob Marley entre 1974 e 1981.

Capitaneados pelo lendário baixista Aston “Familyman” Barrett, integrante da formação original, o “The Wailers Band Reunion”, como ficou conhecida esta formação especial, percorreu 15 cidades brasileiras e desembarcou em São Paulo no final de janeiro para um show que ficará marcado para sempre como uma das performances mais emblemáticas do grupo jamaicano em terras tupiniquins.

Músicos como Earl “Chinna” Smith (guitarra), Tyrone Downie (teclados) e Glen DaCosta (sax), além do próprio baixista Aston Barrett, acompanhado de seu filho Aston Barrett Jr. na bateria, garantiram a sonoridade clássica dos Wailers. Julian Marley, com sua presença de palco e energia, representou muito bem o pai e levou o público à loucura com um repertório nada convencional.

É claro que o Jamaica Experience estava lá para conferir tudo isso! Veja no álbum acima como foi esta noite mágica e confira ainda uma entrevista exclusiva que fizemos com Julian Marley e Aston “Familyman” Barret para o nosso canal no Youtube. Pra ficar tudo melhor ainda, cobertura e entrevista “by” Magá Moura. Não dá pra perder, certo?

E só pra não perder o costume: fiquem ligados, vem muito mais por aí!

Assista a seguir à cobertura exclusiva do show para o Jamaica Experience:

foto: Acervo Gege Produções Artísticas | divulgação

Brasil, Jamaica: pro outro lado de lá

Já falamos, aqui, sobre um brasileiro que tem tudo a ver com a Jamaica: René Simões (René Simões, o brasileiro desbravador da Jamaica). Nesse caso, o elo de ligação era o futebol. Porém, há um outro elemento que une profundamente as duas nações: a música.

Ao que parece, a primeira vez que se ouviu falar em reggae no Brasil foi através de Caetano Veloso. Em 1971, ele gravou Nine Out of Ten (está no disco “Transa”, de 1972), na qual cita o som do reggae que ouvia na Portobello Road, na época em que vivia em Londres. Gilberto Gil, que também viveu exilado em Londres no mesmo período, só viria despertar para o ritmo mais tarde.

Em 1979, no LP Realce, Gil gravou a faixa Não Chore Mais, sua versão para No Woman, No Cry, de Bob Marley. Gil não conheceu Bob Marley, mas ficou amigo de Jimmy Cliff. Em 1980, excursionaram juntos pelo Brasil e lotaram todos os estádios por onde passaram.

Um encontro histórico: Gilberto Gil e Jimmy Cliff.  |  foto: Acervo Gege Produções Artísticas | divulgação

Um encontro histórico: Gilberto Gil e Jimmy Cliff. | foto: Acervo Gege Produções Artísticas | divulgação

Muito tempo depois, em 2002, Gilberto Gil lançou “Kaya n’gan daya”, uma homenagem a Bob Marley. O disco, de 16 faixas, foi gravado na Jamaica (13 faixas) e no Rio de Janeiro (as outras 3). Há releituras de clássicos como Three Little Birds e Buffalo Soldier , além de versões para Time Will Tell e Lively Up Yourself. Na Jamaica, Gilberto Gil gravou nos estúdios Tuff Gong , de Bob Marley, e contou com a participação dos vocais femininos das I-Three (Rita Marley [viúva do compositor], Marcia Griffiths e Judy Mowatt), em faixas como One Drop e Rebel Music (ouça abaixo).

Recentemente, o prestigiado jornal jamaicano Jamaica Observer publicou uma matéria em que compara a importância de Gil, para a música, a de Pelé, no futebol. Além disso, nomeia Gil o Marley brasileiro, por suas ideias e comentários, em defesa dos oprimidos.

Rita Lee, Baby Consuelo e Luiz Melodia, esses e outros artistas flertaram com o reggae. Os Paralamas do Sucesso foram muito influenciados pelo reggae e o ska jamaicanos, principalmente a partir do LP “Selvagem” (1986), que mudaria os rumos e a cara da banda (ouça abaixo o disco na íntegra).

Outra banda brasileira importante e fortemente ligada às raízes jamaicanas é o Skank (ouça abaixo Ela Me Deixou, nova música de trabalho da banda). Antes de se tornarem conhecidos, Samuel Rosa e Henrique Portugal tocavam numa banda de reggae mineira, chamada Pouso Alto.

Contudo, a banda brasileira de reggae por excelência é o Cidade Negra (leia matéria especial sobre a banda). Surgida na Baixada Fluminense, há 28 anos, a banda tem 13 LPs gravados, sendo que o mais recente, “Hei, Afro!”, foi mixado na Jamaica. Segundo Toni Garrido, a Jamaica está para a música, assim como o Japão está para a tecnologia. Em sua opinião, o que vai ser novidade daqui a 5, 6 anos é o que está acontecendo agora por lá.

Em 2011, um disco selou ainda mais a relação Brasil-Jamaica: “Bambas Dois” (assista acima ao clipe Only Jah Love, com participação do astro jamaicano Sizzla), produzido por Eduardo BiD e Gustah Echosound. Com 14 faixas, “Bamba Dois” reúne músicos brasileiros e jamaicanos em encontros primorosos, como em Little Johnny, com Chico César e Jah Marcus ou no xote Brasil (Little Sunday), com Ky-mani Marley e Dominguinhos. Misturando gerações e ritmos dos dois países, “Bambas Dois” resume um pouco da relação musical entre duas culturas tão diferentes e tão semelhantes, ao mesmo tempo. Uma relação que não se esgota, que sempre se renova e se atualiza.

“Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui…
Pro outro lado de lá
Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui… Eu fui…
Brasil, Jamaica”

Ouça o disco “Selvagem?”, do Paralamas do Sucesso: