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Marley, o musical: mais do que apenas ótimas canções

Cartaz de divulgação de "Marley, o musical"  |  foto: divulgação

Cartaz de divulgação de “Marley, o musical”

Em fevereiro deste ano, Bob Marley completaria 70 anos. Entre as muitas formas de celebrar a data e relembrar a importância do grande ídolo jamaicano, nasceu a ideia de um musical. Escrito e dirigido pelo britânico Kwame Kwei-Armah, o espetáculo estreou em maio passado em Baltimore, nos EUA.

Kwei-Armah é diretor artístico do Center Stage, em Baltimore, e aceitou entrar no projeto desde que sua estreia fosse na cidade. Obra do acaso ou do destino, em abril deste ano, pouco antes de Marley entrar em cartaz, um jovem negro chamado Freddie Gray foi morto por policiais, causando grande comoção em Baltimore. Vítima de conflito racial e violência urbana, algumas das bandeiras contra as quais Bob Marley lutou.

O musical não se propõe a contar toda a vida do astro do reggae. Kwei-Armah optou por concentrar a história no período entre 1975 e 1978, quando Bob deixou a Jamaica – após escapar de uma tentativa de assassinato – e se auto-exilou em Londres. Durante esse intervalo, o cantor reafirmou suas convicções religiosas e sociais, além de ter lançado álbuns como “Rastaman Vibration”, com Positive Vibration e Roots, Rock, Reggae, “Exodus”, que inclui as canções Jamming e Three Little Birds, e “Kaya”, de Is This Love e Time Will Tell (ouça abaixo). Certamente, um dos períodos mais férteis de sua carreira.

Canções de outros álbuns também fazem parte do espetáculo que traz ao todo 30 músicas, interpretadas na íntegra ou parcialmente. Uma das críticas recebidas diz respeito exatamente ao grande número de canções, que acabam dando pouco espaço para o desenrolar da história. Porém, o que é um musical sem grandes músicas? E quanto aos intérpretes?

Neste quesito, especialmente no que se refere ao protagonista, o diretor foi extremamente feliz. Entre as 35 milhões de visualizações no You Tube, Mitchell Brunings – interpretando Redemption Song na edição holandesa do programa de TV The Voice – foi visto por Kwei-Armah. Ele, que já tinha testado diversas opções para o papel de Bob Marley, teve a certeza de ter encontrado o candidato perfeito. Tudo bem, já tínhamos dado a dica aqui no site, em Covers, tributos, versões: para manter vivos grandes ídolos.

Para o papel de Rita Marley a escolhida foi Saycon Sengbloh, que já havia participado de musicais na Broadway, como “Motown”, “Fela!”, “Aida” e “Wicked”. Quando soube das audições, ela foi decidida a conseguir o papel de Rita, a quem já admirava. Determinada e talentosa, foi, também, uma ótima escolha.

Para ajudar a entrar no clima, o lobby do teatro foi ambientado como um pedaço da Jamaica: o chão coberto de terra, uma cabana de madeira no canto, grafites de protesto e pôsteres políticos, pessoas comuns dançando ao som de Jimmy Cliff. A ideia de Kwei-Armah era a de um musical mais engajado e menos voltado ao entretenimento – como “Mamma Mia”, por exemplo. No entanto, o que se viu durante as apresentações é que há envolvimento do público, que ergue os braços com Get Up, Stand Up e junta-se aos atores no clímax, com One Love.

Marley esteve em cartaz em Baltimore até 14 de junho e foi um total sucesso de público. Simplesmente a maior renda e a maior audiência em 52 anos de história do teatro Center Stage. O espetáculo foi visto por mais de 22 mil pessoas em pouco mais de um mês de temporada, arrecadando cerca de US$780 mil.

A continuação da turnê ainda não está definida, mas o sucesso da temporada de estreia, somado ao peso de produtores como Chris Blackwell , fundador da Island Records, levam a crer que o musical terá uma longa estrada a percorrer.

Assista a um trecho do ensaio de “Marley, o musical”:


 

A Capa de "Chant Down Babylon", tributo hip-hop ao rei do reggae. | Foto: reprodução internet

Covers, tributos, versões: para manter vivos grandes ídolos

Foto: reprodução internet

Bob Marley está entre os artistas que mais possuem covers de suas músicas em todo o mundo.

No início da era das gravadoras, a distribuição dos discos era bastante regional. Quando uma música começava a tornar-se muito popular numa região, era comum que gravadoras concorrentes, de outras regiões, gravassem a mesma música com outro intérprete e a distribuísse em sua área. A cobertura de uma nova área deu origem às primeiras covers (cover=cobertura, em inglês).

Muitos artistas e bandas iniciaram suas carreiras fazendo covers. Afinal, é uma maneira segura de mostrar seu talento vocal e/ou instrumental, sem a preocupação de apresentar um repertório desconhecido. Alguns fazem do cover sua carreira, apresentam-se com frequência em bares, festas ou casamentos e conseguem um bom salário.

Elvis Presley, Michael Jackson, Beatles, U2… Para cada um desses, há inúmeros artistas mundo afora, cantando suas músicas, trazendo seu repertório às novas gerações. Assim acontece com Bob Marley, ícone da música jamaicana, que ajudou a divulgar o reggae. O número de covers de Marley é tão expressivo que, em seu site oficial, há uma área exclusiva para divulgá-los.

Há versões famosíssimas, nas vozes de cantores igualmente famosos, como I Shot The Sheriff, com Eric Clapton e Could You Be Loved, com Joe Cocker. Outras, mais contemporâneas, mas também interpretadas por cantores famosos, como Jack Johnson e Ben Harper (High Tide or Low Tide) e Rihanna (Is This Love). Mas há, também, versões maravilhosas e emocionantes, nas vozes de aspirantes, de quase anônimos, de artistas de rua. Só para ter se uma ideia, colocamos aqui dois vídeos (assista abaixo), um da França, com Tamara Nivillac e outro da Inglaterra, com AHI e sua filha, uma graça!

Um projeto extremamente interessante e que tem muita afinidade com o mundo dos covers é o Playing For Change, idealizado por dois americanos, Mark Johnson e Whitney Kroenke. O projeto viaja o mundo todo, filmando e gravando a interpretação de vários artistas, para uma mesma música. Depois, tudo é editado e agrupado numa só versão, com os diferentes intérpretes cantando juntos (apesar de fisicamente separados!). Canções dos Beatles, Rolling Stones e, é claro, Bob Marley, são uma constante nos 3 álbuns. O projeto gerou a ONG Playing For Change Foundation, bem alinhada com os princípios que Marley defendia, dedicada a construir escolas de artes e música pelo mundo.

Uma linda versão da música War/No More Trouble, de Bob Marley, está no álbum “Songs Around the World”, lançado em 2009 pelo Playing For Change (assista abaixo). War é derivada de um discurso feito por Haile Selassie (imperador etíope, considerado Deus pelos rastafáris), que Marley adaptou e musicou.

Outro tipo de cover é aquele que dá nova roupagem às canções. Nesse estilo, em 1999, foi lançado um CD chamado “Chant Down Babylon”, no qual canções de Bob Marley foram remodeladas no estilo hip-hop e interpretadas por gente como Erykah Badu, Lauryn Hill e Steven Tyler (ouça abaixo, na íntegra). No mesmo ano, o DVD “One Love All-Star Marley Tribute”, documentou o concerto em homenagem ao CD (“Chant Down Babylon”). Além da presença de parte dos artistas que trabalharam no CD, outros, como Jimmy Cliff e Tracy Chapman, também participam. De quebra, faixas bônus, com canções interpretadas pela família Marley. Um grande show e um DVD de qualidade excepcional!

Para finalizar, duas dicas de interpretações que também valem a pena ser vistas, ambas no programa The Voice. A primeira, Mitchell Brunings, cantando Redemption Song, na versão holandesa de 2013 e a segunda, Anita Antoinette (jamaicana), na versão americana que está atualmente no ar, com Turn Your Lights Down Low.

Ouça o disco “Chant Down Babylon” na íntegra: